Eu gerencio negócios digitais há 10 anos. Assumi como CEO uma empresa que já estava com R$ 3,3 milhões de prejuízo acumulado, dias depois de demitir um terço da equipe num dia só. Aprendi do jeito caro o que acontece quando toda decisão passa pelo dono.
Hoje sou CEO da Pallur, uma aceleradora com 16 empresas que, somadas, faturaram R$ 185 milhões no último ano. E toco a Craft com o meu sócio Rodrigo Vinhas. Em 2025 ela cresceu 111%, contra uma meta de 87%.
Nunca programei uma linha de código na vida, e hoje a maior parte do meu dia é colocar IA pra fazer o trabalho que antes passava por mim, pra empresa depender menos do dono. Testando isso todo dia eu separo o que funciona do que é só promessa, e é disso que sai a newsletter.
Fora do trabalho: casado, mais de 2.600 dias seguidos de meditação e 309 livros grifados. Uma parte do que eu leio acaba nas cartas.
onde eu publico
Toda quinta eu conto
o que funcionou e o que quebrou.
29 materiais
Como fazer a IA discordar de você antes de uma decisão importante.
Abrir passo a passoO passo a passo e os prompts pra montar uma base que responde com fonte.
Abrir prompt prontoAs duas que eu deixo rodando aqui, escritas pra colar, e o prompt que escreve a terceira pra você.
Abrir tabelaComo eu encaixo o time nos cinco papéis, o que fazer quando três caem no mesmo, e o exercício desconfortável de descobrir o seu.
Abrir prompt prontoOs prompts que fazem a IA estudar o seu próprio histórico, achar o que já funcionou com você e simular o que ainda não foi publicado.
Abrir passo a passoOs três caminhos detalhados: o que cada um pede, quem já sai na frente, e o primeiro passo de segunda de manhã.
Abrir tabelaA tabela que eu uso pra decidir, antes de montar, o que vira passo fixo e o que vira objetivo solto.
Abrir passo a passoAs cinco skills do Claude que eu tenho instaladas, o que cada uma resolve, e o link de onde instalar.
Abrir tabelaAs quatro perguntas que eu faço antes de aprovar um roteiro, o que reprova em cada uma e o prompt que roda o teste.
Abrir passo a passoOs seis vídeos por onde eu começaria em IA hoje, na ordem de assistir e com o que tirar de cada um.
Abrir passo a passoOs quatro prompts que fazem a IA entrevistar, planejar, executar em partes e revisar, antes de sair produzindo.
Abrir prompt prontoAs cinco linhas que eu escrevo antes de conectar qualquer ferramenta na IA, e o prompt que levanta os limites de uma que eu nunca usei.
Abrir passo a passoAs três subpastas, os três arquivos preenchidos e os prompts que montam cada um, pra o Claude parar de perguntar quem você é toda manhã.
Abrir passo a passoPor onde começar a soltar a IA: o que ela pode organizar sozinha, o que ela rascunha e o que nunca fecha sem você.
Abrir tabelaComo dividir o trabalho entre as sessões do Claude e fazer uma avisar a outra sem você no meio.
Abrir prompt prontoA habilidade que lê os comentários dos seus clientes e as avaliações no Reclame Aqui, e devolve a reclamação que mais se repete já escrita como anúncio.
Abrir tabelaOs quatro degraus escritos, com o teste de descobrir em qual você está hoje.
Abrir tabelaO que sai do seu arquivo de instruções, o que fica, e as três trocas que põem critério no lugar de mais uma regra.
Abrir tabelaAs cinco que eu pago todo mês e o trabalho que cada uma faz aqui dentro.
Abrir tabelaQual das duas abrir pra cada tarefa: o Cowork quando o trabalho vive no Outlook e no Teams, o ChatGPT Work quando é automação e ferramenta interna.
Abrir tabelaOs sete lugares onde uma instrução pode morar no Claude, o que vai em cada um e em que momento ele é lido.
Abrir passo a passoOs cinco comandos que eu uso todo dia e a hora de chamar cada um.
Abrir passo a passoOs três passos pra ela assistir os vídeos que você escolher e sair sabendo fazer, com a chave do Gemini que deixa ela ver a imagem e não só ler a transcrição.
Abrir passo a passoO documento que eu colo no Claude pra tirar a cara de IA do texto, com os tiques que ele corrige um a um antes de qualquer coisa sair daqui.
Abrir prompt prontoAs seis linhas que eu colo no começo da conversa, uma pra cada cargo que eu preciso que ela ocupe.
Abrir passo a passoAs sete tarefas que você ainda paga, o passo a passo de cada uma no Claude, e a conta que eu faço antes de cancelar uma assinatura.
Abrir passo a passoOs cinco funcionários, um pra cada função que o seu negócio já tem, e a regra de quem confere o trabalho de quem.
Abrir passo a passoAs três peças que transformam o vídeo que você salvou em habilidade da sua IA.
Abrir passo a passoOs quatro arquivos prontos pra colar, o que cada linha faz, e a ordem em que eu mexeria nas cinco.
AbrirAinda não tem material nesse cruzamento. Tira um filtro.
Prévia interna · a aba ainda não está na barra
Coloque os dados abaixo para entrar no grupo
Sua vaga está garantida
Entre agora no grupo, vou enviar o link da aula por lá.
Abrir o grupo no WhatsAppO que eu prometi no palco está tudo nesta página. Os três materiais e a entrada no Desafio.
As quatro perguntas que eu faço antes de aprovar um roteiro, o que reprova em cada uma e o prompt que roda o teste.
Abrir prompt prontoAs cinco linhas que eu escrevo antes de conectar qualquer ferramenta na IA, e o prompt que levanta os limites de uma que eu nunca usei.
Abrir passo a passoPor onde começar a soltar a IA: o que ela pode organizar sozinha, o que ela rascunha e o que nunca fecha sem você.
AbrirCusta R$ 97. Pra você que está no FIRE, ele é de graça.
Coloque os dados abaixo para garantir sua vaga
Você está dentro.
Tudo certo, sua vaga no Desafio está garantida. O acesso e as instruções saem no grupo oficial, e é só por lá.
Abrir o grupo do DesafioA inscrição gratuita do FIRE encerrou. Os três materiais continuam aqui em cima, abertos.
O que eu prometi no palco está tudo nesta página.
As quatro perguntas que eu faço antes de aprovar um roteiro, o que reprova em cada uma e o prompt que roda o teste.
Abrir prompt prontoAs cinco linhas que eu escrevo antes de conectar qualquer ferramenta na IA, e o prompt que levanta os limites de uma que eu nunca usei.
Abrir passo a passoPor onde começar a soltar a IA: o que ela pode organizar sozinha, o que ela rascunha e o que nunca fecha sem você.
AbrirComo fazer a IA discordar de você antes de uma decisão importante.
Pega uma decisão que você está adiando. Aumentar preço, fazer uma nova contratação, criar um novo produto, qualquer uma.
Abre o ChatGPT e pergunta: "devo subir o preço da minha mentoria?" Ele vai te dar bons motivos pra subir.
Agora abre um chat novo e faz a pergunta ao contrário: "subir o preço da minha mentoria seria uma má ideia?" Ele vai te dar bons motivos pra não subir, com a mesma segurança que usou dois minutos atrás para defender o contrário.
Mesma empresa. Mesma decisão. Duas respostas opostas, ditas com a mesma confiança.
A IA responde ao formato da sua pergunta; ela percebe pra onde você está inclinado e vai junto, sem nenhum esforço para te contrariar. Pra escrever e-mail, serve. Pra tomar uma decisão importante, traz um risco: você sai da conversa mais confiante, e a decisão seguiu sem ninguém ter te contestado.
A gente fechou o que na época era o maior negócio do digital brasileiro: lançar o curso do maior youtuber do país, com R$ 2 milhões pagos antecipadamente.
A previsão mais pessimista da empresa era vender 20 mil cursos; no primeiro dia, vendemos 846.
Pessimista era a palavra em cima da mesa. Ninguém naquela sala tinha a função de pensar no pior cenário, e todo mundo tinha a função de fazer dar certo.
O prejuízo acumulado chegou a R$ 3,3 milhões, desliguei 10 pessoas em um único dia e virei CEO aos 28 anos, com esse rombo na mão.
Foi a decisão mais cara que eu já tomei, e ela passou por muita gente animada e ninguém questionando.
Andrej Karpathy é um dos pesquisadores de IA mais respeitados do mundo; foi diretor de IA da Tesla e esteve na fundação da OpenAI.
Ele montou um sistema que chamou de LLM Council: em vez de perguntar para uma IA, pergunta para várias ao mesmo tempo, cada uma revisa as respostas das outras sem saber quem escreveu o quê, e uma última cruza tudo e entrega o veredito.
O que você está lendo é essa ideia adaptada para tomar decisões de negócio. Roda dentro de um chat só, sem programar nada, com o prompt que está logo abaixo, e leva menos tempo do que a reunião que você marcaria para discutir a mesma coisa. Esse será o seu Conselho.
Cinco conselheiros olham para a mesma decisão, cada um com uma obsessão diferente.
Esses cinco existem porque brigam entre si: o Contrário puxa para o risco enquanto o Expansionista puxa para o ganho; o de Primeiros Princípios quer reformular a pergunta enquanto o Executor quer executar logo. E o De Fora desconfia dos quatro.
Etapa 1. A sua pergunta vira neutra. Antes de qualquer conselheiro responder, a pergunta é reescrita sem a inclinação embutida: a decisão, o contexto e o que está em jogo, sem torcida.
Etapa 2. Os cinco respondem separados. Nenhum vê a resposta do outro, e cada um defende o próprio ângulo com força. Consenso aqui atrapalha; o que interessa é enxergar a decisão de cinco lugares que não conversam entre si.
Etapa 3. Revisão cega. As cinco respostas são embaralhadas e renumeradas de A a E, e cada conselheiro aponta qual é a mais forte, qual tem o maior ponto cego e o que todas deixaram passar. Ninguém sabe de quem é cada argumento, então avalia o argumento sem a assinatura.
Etapa 4. O veredito. Um último agente recebe tudo e entrega quatro coisas: onde o conselho concorda, onde ele briga, a recomendação (uma só, sem "depende") e o primeiro passo. Ele pode discordar da maioria, se o argumento vencido for melhor.
Quanto mais concreto o que você escreve, menos genérico o conselho; decisão descrita em duas linhas rende conselho de duas linhas.
Raso: "devo subir o preço da minha mentoria?"
Fundo: a mesma pergunta com faturamento dos últimos 12 meses, margem, quantas pessoas no time, quantos clientes ativos, quanto tempo você tem para decidir, o que já tentou antes e o que acontece se der errado.
O trabalho de escrever isso já vale a rodada, porque boa parte das decisões que travam, travam por nunca terem sido escritas inteiras num lugar só.
Convoca quando errar sai caro: subir ou baixar preço, contratar ou cortar, matar um produto, abrir uma segunda oferta, trocar de agência, mudar o posicionamento.
A conta é grosseira e resolve: se errar custa menos de um dia de trabalho, decide e segue; se custa meses ou o equivalente a uma folha de pagamento, convoca o conselho.
Não convoca para execução. Escrever um e-mail, resumir uma call, montar uma planilha: isso é trabalho para uma IA só, sem cerimônia.
Só roda se você estiver disposto a ouvir o contrário do que quer. Se a decisão já está tomada e você só quer confirmação, o conselho vai te incomodar do começo ao fim da rodada. Ele existe para isso.
Abre um chat novo no ChatGPT, no Claude ou no Gemini, copia o bloco inteiro, preenche o colchete com a sua decisão e envia.
Funciona em qualquer IA de conversa. Guarde este link salvo em algum lugar à mão.
Veio genérico. Faltou número: volta na regra do contexto e reescreve a decisão com os dados que você deixou de fora.
Os cinco concordaram em tudo. Sinal de que a pergunta ainda está enviesada; pede para a IA refazer a Etapa 1 e roda de novo.
Respondeu tudo de uma vez, sem separar. Manda executar etapa por etapa, uma mensagem por etapa, e só avança quando você mandar.
O conselho melhora a decisão desta semana. Só que ele roda em cima do contexto que você escreveu, e aí está o limite: a IA só enxerga o que você entregou.
O número que você não acompanha, a margem que você não sabe dizer de cabeça, o problema que gente da sua empresa conhece e ninguém te contou: nada disso chega ao conselho, porque nem você entregou.
O Conselho de IA não substitui sócio que te conhece nem número que você não mede. Ele organiza o que você já tem, e escancara o que está faltando.
Quantas decisões da sua empresa passam por algum conselho, e quantas passam só pela sua cabeça?
antes de fechar
O conselho de IA resolve a decisão dessa semana; decisão de quem é dono não acaba, e semana que vem tem outra.
As três camadas: a pasta que o Claude organiza sozinho, a varredura semanal que acha o que falta na base, e a lista de fontes que você escreve antes de montar qualquer coisa.
Eu tenho 309 livros grifados, e o Claude conversa com todos eles: reunião, artigo, gravação, anotação, tudo dentro de uma base que responde apontando de onde veio cada ideia. Esta página é o caminho pra você montar a sua, começando com uma fonte só.
Primeiro você coloca o conhecimento dentro da casa. Depois você organiza a casa.
Essa é a regra que segura tudo, e quem começa criando 15 pastas e 40 tags desiste antes de colocar o primeiro livro.
Obsidian é onde a base mora. Ele guarda tudo em pastas e arquivos de texto simples no seu computador, então o material é seu, fica com você e qualquer programa consegue ler. É gratuito, em obsidian.md.
Claude é quem trabalha na base: ele lê as fontes, organiza a wiki e responde às perguntas citando de onde tirou. Você vai usar o Claude pra computador, que é a versão que enxerga as pastas da sua máquina, em claude.ai/download. Baixa os dois antes de continuar.
Quando o Obsidian abrir pela primeira vez, ele pede pra criar um cofre (vault). Cofre é só uma pasta no seu computador, então cria com o nome que quiser.
Dentro dele, cria uma pasta chamada Fontes brutas. Livros grifados, artigos, transcrição de call, gravação, anotação sua: tudo entra aqui do jeito que estiver, sem renomear e sem separar por assunto. Não organiza nada ainda.
No meu caso comecei pelos livros, porque era o material que eu já tinha em maior volume e nunca tinha usado pra nada. Os grifos do Kindle ficam em read.amazon.com/notebook: abre lá, copia os grifos de um livro e salva como um arquivo de texto dentro de Fontes brutas, um arquivo por livro.
Não tem Kindle? Serve qualquer coisa: a transcrição da sua última reunião (Meet e Zoom exportam), um artigo que marcou você, uma anotação solta. E eu já sei o que você está pensando, porque todo mundo pensa a mesma coisa nessa hora: "Ah, Lucas, mas eu não tenho 309 livros." Beleza, começa com um.
A base não nasce grande. Ela fica grande sendo usada.
Abre o Claude pra computador e dá a ele acesso à pasta do seu cofre (ele pergunta em qual pasta você quer trabalhar). Se você usa o Claude Code, abre ele já dentro da pasta.
Não adianta jogar os arquivos e esperar que ele saiba o que fazer, porque contexto ruim é resultado ruim. Então a primeira conversa é pra dar o contexto da base; copia este prompt, preenchendo o colchete:
Agora o Claude vai transformar o material em conhecimento organizado; copia este prompt:
Você termina com duas pastas: Fontes brutas, onde está o material original, e Wiki, onde está o conhecimento organizado que ele montou. E não apaga as fontes. A wiki é a interpretação daquele material, e a fonte continua lá pra você conferir.
A base começa a pagar aqui, então pergunta alguma coisa que você já estudou:
Quando eu pergunto "o que os livros que eu li falam sobre posicionamento?", a resposta não vem da internet. Vem do Obviously Awesome, da April Dunford, do Positioning, do Al Ries, e de uma call de mentoria que eu tive. Com o endereço de cada parte.
Essa é a regra que separa uma base de conhecimento de um chat qualquer: toda resposta aponta pra fonte, com essa ideia vindo desse livro e essa outra vindo daquela reunião. Você clica e confere.
Quando você descobre algo novo, ou a base responde uma pergunta e você aprende com ela, isso volta pra dentro:
O ciclo fica assim: você consome, coloca na base, a IA organiza, você pergunta, encontra a fonte, aprende algo novo, coloca de volta. A base vai ficando melhor com o uso.
Eu não colocaria só livro: processo, reunião, decisão, gravação de call, pesquisa e critério de qualidade entram do mesmo jeito. Aquela explicação que você já deu cinco vezes e o processo que só você sabe executar são as duas primeiras coisas que eu colocaria.
Conhecimento que mora na cabeça de uma pessoa some quando ela sai de férias, muda de área ou pede demissão. Numa base, ele fica: responde a pergunta, mostra de onde veio a resposta e continua disponível quando você não está.
Eu gerencio negócios digitais há dez anos, e quase tudo que eu aprendi nesse tempo estava em dois lugares: em transcrição de reunião que ninguém abre e na minha cabeça. Livro grifado ensina o que outra pessoa aprendeu. O que eu aprendi errando não estava escrito em lugar nenhum.
Então, depois que a base tem as primeiras fontes, eu peço pra ela separar o que eu aprendi fazendo:
Com essa nota pronta, a pergunta que você faz pra base muda de tamanho. Antes de uma decisão, eu pergunto o que eu mesmo já aprendi sobre aquele tipo de decisão:
A resposta volta com a reunião e a data de onde saiu cada parte. É a sua experiência respondendo, e a internet fica de fora.
A base montada responde bem o que você colocou dentro dela, e fica muda sobre o resto. O problema é que o resto é o que importa: a maioria das empresas só descobre o que não sabe quando dá problema.
Então eu pedi pra ela varrer a própria base uma vez por semana procurando buraco. Ela olha o que está lá dentro, acha o que está faltando, vai pesquisar e volta preenchendo. Um sistema que descobre o que ele não sabe.
Roda na segunda de manhã, com a semana ainda vazia. E deixa o "me mostre antes de salvar" ligado no primeiro mês: você vai ver ela querendo preencher buraco com o que costuma ser dito sobre o assunto, e é aí que a separação entre nota pesquisada e nota sua deixa de ser detalhe.
A maioria das empresas só descobre o que não sabe quando dá problema.
Copiar a minha base não funciona, porque ela está ligada nas minhas reuniões, nos meus números, nos meus clientes. Se você pegar a estrutura e não ligar nas suas fontes, você montou uma enciclopédia bonita que não serve pra decidir nada.
Então, antes de continuar enchendo a pasta, para e escreve a lista: onde está hoje o que a sua empresa sabe. Não o que ela deveria saber, o que ela sabe. Costuma estar em seis lugares, e quase sempre em ordem inversa de importância:
"Reuniões" não é fonte. "As gravações das reuniões de segunda, no Drive, desde março" é fonte.
Este prompt monta o mapa e diz por onde começar:
O item 4 é o que eu mais uso. A maioria das empresas só descobre o que não sabe quando dá problema, e essa pergunta antecipa isso em algumas semanas.
Uma trava antes de você sair alimentando: material de cliente, de reunião privada e de terceiro tem dono, e o dono não é a sua base. Fonte que você não pode citar depois não deveria entrar agora.
Escolhe uma fonte, um livro ou uma gravação ou uma reunião, coloca no Fontes brutas, cria a Wiki e pergunta.
Não tenta construir o segundo cérebro perfeito. Constrói a primeira pergunta que ele consegue responder.
antes de fechar
Sua base tá de pé e tá vazia. Ela só responde sobre o que você colocar dentro dela.
Você montou ela porque cansou de ser o único lugar onde as coisas ficam guardadas. Eu montei a minha pelo mesmo motivo.
As duas que eu deixo rodando aqui, escritas pra colar, e o prompt que escreve a terceira pra você.
A maioria das pessoas usa IA do jeito mais caro possível: abre, pede uma coisa e fica esperando a resposta. Cada trabalho começa com você lembrando de pedir.
A rotina inverte isso: você não abre nada, o trabalho chega.
Ela agenda o próprio trabalho e roda com o seu computador fechado. Esta página tem o mínimo pra ligar, as duas rotinas que rodam aqui já escritas, e o prompt que escreve a sua terceira.
Eu insisto nesse último item porque eu já paguei por ele. Montei uma automação bonita, deixei rodando e não olhei. Três semanas depois eu descobri que uma delas estava falhando em silêncio desde o começo. Automação sem aviso vira ponto cego.
Ela olha os canais de quem disputa a mesma atenção que você, e chega antes de você decidir o que gravar na semana.
Começa por esta. Ela só lê e compara, não mexe em nada seu.
Eu passei muito tempo escolhendo pauta pelo que me parecia interessante na segunda de manhã. Isso é chute com cara de estratégia. Ela não decide por mim: chega com o que já performou na frente do mesmo público, e a escolha passa a ser sobre alguma coisa.
Essa lê o que foi falado nas reuniões de hoje e devolve o que ficou decidido, antes do dia virar.
O item 4 é o que me fez montar essa.
Promessa feita em reunião é a que mais some. Ninguém anota, cada um sai lembrando da própria versão, e a conta chega três semanas depois. Isso já me pegou mais de uma vez. Agora chega escrito às 18h, enquanto ainda dá pra consertar no mesmo dia.
Aqui trava muita gente, porque a pessoa abre a caixa em branco e não sabe o que pedir. Então usa a ferramenta pra resolver o problema de usar a ferramenta: abre outra conversa e pede pra própria IA escrever a instrução.
Guarda a instrução que ela devolver num arquivo seu.
Uma rotina que você não consegue reeditar em seis meses vira caixa preta, e caixa preta você acaba desligando.
Nenhuma envia, apaga ou publica. Todas preparam e param, e o botão de fechar continua sendo seu.
Todas avisam quando terminam. Sem aviso, você criou uma coisa que roda no vazio e que você vai esquecer que existe em duas semanas.
Todas rodam na nuvem. Uma rotina que depende do seu computador ligado é um lembrete com um passo a mais.
Esse é o último degrau da Escada da Autonomia da IA.
Quando ela chega antes de você pedir, virou funcionário.
antes de fechar
A rotina resolve o que se repete. O que não se repete continua chegando na sua mesa, e é isso que ocupa a cabeça de dono.
Eu deixei uma automação falhando em silêncio por três semanas. O incômodo veio depois: eu tinha montado uma coisa e parado de olhar, exatamente o que eu cobro de quem trabalha comigo.
Como eu encaixo o time nos cinco papéis, o que fazer quando três caem no mesmo, e o exercício desconfortável de descobrir o seu.
A ideia dos cinco papéis não é minha. Ela apareceu numa fala pública de quem criou o Claude Code, sobre os cargos que a gente conhece, designer, copy, gestor de tráfego, virando cinco funções novas. Eu peguei a ideia e virei folha, porque ideia sobre o futuro do trabalho não muda nada na sua segunda de manhã. Uma folha preenchida muda.
O que morreu primeiro foi a relação entre diploma e função: o diploma parou de dizer o que a pessoa consegue entregar, e o que passou a dizer é como ela constrói com IA do lado.
Esta página tem três coisas: os cinco papéis com o sinal de reconhecimento de cada um, a folha pra você preencher com nome e sobrenome do seu time, e a leitura do resultado.
Não leia isso como descrição de vaga. Leia pensando em gente que você já tem.
Copia esta tabela e preenche com o nome de cada pessoa do time, você incluído. Uma pessoa por linha, um papel principal por pessoa. Sem empate, sem "ela é um pouco dos dois". O empate é justamente a informação que você está fugindo de olhar.
| Nome | Papel principal | Papel que ela ocupa hoje | A evidência (últimos 90 dias) | O que trava se ela sair |
|---|---|---|---|---|
A coluna da evidência é obrigatória. Se você não consegue escrever uma entrega concreta dos últimos 90 dias, você não encaixou a pessoa. Você chutou o que gostaria que ela fosse.
A terceira coluna é a que dói. Papel principal é o que a pessoa é boa. Papel que ela ocupa hoje é o que a sua operação obrigou ela a virar. Quando as duas colunas divergem, você achou uma pessoa que está entregando menos do que consegue, e não é culpa dela.
Você entra na folha também, na última linha, com o mesmo critério e a mesma evidência.
Se três caírem no mesmo papel. Achou o gargalo que você não estava entendendo. Um time com três construtores e nenhum simplificador entrega muita coisa e limpa nenhuma, e daqui a seis meses ninguém sabe mais como as coisas funcionam. Um time com três prototipadores decide tudo duas vezes.
Se faltar um papel inteiro. Antes de abrir vaga, pergunta se aquele papel é semanal ou eventual. Se for eventual, ele cabe numa tarde por mês de alguém que você já tem, e não numa contratação. Se for semanal e ninguém ocupa, é ali que a sua empresa está sangrando.
Se uma pessoa tiver quatro linhas na última coluna. Isso deixou de ser papel e virou ponto único de falha. Não se resolve com organograma, se resolve tirando o conhecimento da cabeça dela e colocando em algum lugar que outra pessoa leia.
E a leitura mais desconfortável, que é sobre você. Eu era prototipador e passei anos me cobrando por não ser mantenedor. Ficava bravo comigo por não ter disciplina de manter a coisa rodando, quando o problema era que eu estava tentando ser o papel errado.
Descobre qual é o seu e fica bom nele, um só; o resto você contrata ou entrega pra IA.
Se o time for grande, ou se você quiser um segundo olhar sobre o encaixe que você fez, copia isto:
Roda ele antes de abrir vaga.
Duas das últimas contratações que eu vi acontecerem por aí eram troca de responsabilidade entre duas pessoas que já estavam na folha de pagamento.
O problema hoje é outro, e é bem mais bobo do que parece: a empresa que contratou o Einstein e botou o cara pra revisar carrossel. Eu chamo de Síndrome do Einstein Estagiário: você tem um gênio do lado e usa ele como estagiário, porque nunca definiu qual papel ele ocupa.
A folha resolve os dois de uma vez. Papel vazio no seu time é onde a IA entra sem tirar o lugar de ninguém, e papel ocupado por gente boa é onde ela não deveria encostar.
E máquina nenhuma ocupa cargo.
antes de fechar
A folha te mostra quem faz o quê. Ela não decide o que a empresa vai fazer no mês que vem.
Eu passei anos me cobrando por não ser um papel que eu nunca fui. Ninguém me disse, e não porque as pessoas não viam: quase ninguém tem intimidade pra dizer isso pro dono.
Os prompts que fazem a IA estudar o seu próprio histórico, achar o que já funcionou com você e simular o que ainda não foi publicado.
Pede análise de concorrente, pede tendência, pede o que está bombando no nicho. E aí produz conteúdo parecido com o de gente que tem outra audiência, outro histórico e outro rosto.
A pergunta que quase ninguém faz é a de dentro: o que já funcionou comigo?
Essa resposta existe, está publicada, e é sua; ela só nunca foi lida junta. Esta página tem três prompts, nesta ordem: juntar o material, achar o padrão e simular antes de publicar. Dá pra rodar os três hoje, sem programar nada.
Eu já publiquei coisa que eu achava genial e morreu. E o custo não para no post: é a semana inteira de produção de uma equipe atrás de uma coisa que eu decidi sozinho, no escuro, porque eu gostei.
Uma semana de time atrás de uma pauta errada custa mais do que qualquer assinatura de IA que você vá pagar no ano. Foi essa conta que me fez parar de decidir pauta na conversa e começar a decidir contra o histórico.
A IA não consegue achar padrão no que ela não vê. Antes do prompt, o material precisa estar num lugar só.
O caminho manual, que serve pra começar hoje. Pega os seus vinte últimos posts e monta um arquivo de texto com uma entrada por post, neste formato:
Repete esse bloco pra cada post, num arquivo de texto só.
Vinte é o mínimo pra o padrão parar de ser coincidência. Se você tiver cem, melhor, e aí compensa automatizar a coleta: existem raspadores prontos que baixam e transcrevem o perfil inteiro sem programação, e o mais usado é o Apify. Para começar, vinte na mão resolve, e leva uma tarde.
A coluna que quase todo mundo esquece é o gancho literal. Anota a frase exata que abre, palavra por palavra, e não o assunto do post. É a variável que mais explica diferença de desempenho, e é a que some quando você anota "post sobre precificação".
Com o arquivo pronto, copia isto:
Guarda o resultado num arquivo: ele vira a base do passo 3 e vale reescrever a cada trinta posts novos.
Aviso de expectativa: ela vai te mostrar que aquele conteúdo que você adora fazer é o que menos engaja. Ela não tem carinho pelo seu trabalho, e é pra isso que ela serve.
Aqui o valor deixa de ser acertar mais e passa a ser matar antes o que ia sair ruim.
Leva cinco minutos e economiza uma semana.
Antes de mandar pra produção, roda contra o seu próprio histórico. Não pra pedir permissão, pra saber o que você está apostando.
A IA não vai te dar ideia melhor que a sua. Ela vai te dizer quais das suas já funcionaram.
Isso te diz o que funcionou. Não te diz o que você deveria estar defendendo.
Histórico é ótimo conselheiro e péssimo estrategista: seguido à risca, ele te faz repetir para sempre o assunto que já pegou, e conteúdo que só repete o que deu certo para de crescer em uns seis meses. O padrão decide o formato e o gancho; a tese continua sendo sua.
antes de fechar
Agora você sabe o que funcionou. Continua faltando saber o que você quer defender.
Eu produzo conteúdo há tempo suficiente pra saber que o pior post é o que vai bem e não me representa, porque aí você repete ele por seis meses e vira outra pessoa sem perceber.
Os três caminhos detalhados: o que cada um pede, quem já sai na frente, e o primeiro passo de segunda de manhã.
Isso não é renda passiva e não é fácil; dá trabalho, e nos três caminhos o trabalho aparece antes do dinheiro.
O que mudou foi a barreira: hoje dá pra construir os três sem saber programar, com uma assinatura de IA que, em conta de padaria, sai por umas centenas de reais por mês. Conta de padaria é a estimativa grosseira, boa o suficiente pra decidir.
E vale dizer de onde eu falo: eu não fiz nenhum dos três sozinho. Eu passei dez anos gerenciando negócio digital com time do lado, aprendendo na marra, e é exatamente por isso que eu enxergo onde cada um desses caminhos quebra. Os três quebram no mesmo lugar, e eu mostro no fim.
Cada um pede uma coisa diferente de você. Lê os três antes de escolher: o terceiro é o que eu acho mais inteligente pra quem já tem empresa, e o segundo é o que paga mais rápido.
Os três funcionam, e o que decide é qual deles combina com o que você já tem na mão hoje.
Quanto mais concreto o que você escrever nos colchetes, menos genérica a resposta.
O item F é o que quase ninguém escreve, e é o que teria me poupado uns dois anos. Data de morte definida antes do começo é a única coisa que te deixa apostar de verdade, porque você sabe onde para.
Repara o que os três têm em comum: nenhum deles é você trabalhando mais.
Os três são você montando um Funcionário do Mês, que é uma IA que ficou boa numa função e passou a carregar responsabilidade de verdade, enquanto você decide o que vem depois. E os três quebram no dia em que você vira o motoboy de contexto da sua própria operação, buscando informação de um lado, copiando e colando do outro, porque a IA nunca soube nada da sua empresa e depende de você pra saber.
O tamanho da empresa nunca foi o ponto. O gargalo era o dono.
antes de fechar
Escolher o caminho é a decisão desta semana, e semana que vem tem outra.
Eu passei seis meses defendendo uma aposta que já tinha me respondido não. Faltou alguém por perto com a mesma pele no jogo pra me dizer isso na cara.
A tabela que eu uso pra decidir, antes de montar, o que vira passo fixo e o que vira objetivo solto.
Antes de montar qualquer coisa com IA, eu faço uma pergunta só: essa tarefa precisa acontecer sempre na mesma ordem?
Se você consegue sentar e escrever passo um, passo dois, passo três, e quer que aconteça nessa ordem toda vez, você não precisa de agente; você precisa de workflow.
Workflow é o passo fixo: você desenha o caminho e ele repete. Agente é o objetivo solto: você entrega a meta e as ferramentas, e ele acha o caminho, porque o passo seguinte depende do que aconteceu no anterior.
Agente é mais poderoso, sim, e menos previsível no resultado final.
Quem promete agente que faz tudo e nunca erra está vendendo alguma coisa.
Eu montei um agente pra uma tarefa que eram três passos fixos, e passei duas semanas ajustando ele pra fazer o que uma lista de tarefas fazia. Virei gerente de caos da minha própria automação, dando ordem de sopetão e esperando organização do outro lado.
O erro não foi técnico: eu escolhi agente porque agente era mais bonito de falar em reunião. A tabela abaixo existe pra essa escolha parar de passar pelo meu gosto.
Lê linha a linha pensando na tarefa que você quer montar; a coluna onde cair a maioria das respostas é a sua resposta.
| A pergunta | É workflow | É agente |
|---|---|---|
| Você consegue escrever os passos numa folha? | Sim, e eles são sempre os mesmos | Não, depende do que aparecer no caminho |
| A ordem muda de execução pra execução? | Nunca muda | Muda, e a mudança é o trabalho |
| O que entra é sempre do mesmo tipo? | Sim: mesma planilha, mesmo formato, mesma fonte | Não, entra qualquer coisa e ele decide o que fazer com aquilo |
| O que sai tem um formato certo? | Sim, e eu sei reconhecer quando saiu errado | Sai texto, análise ou decisão, e cada vez sai diferente |
| Quantas ferramentas ela precisa consultar? | Uma ou duas, sempre as mesmas | Várias, e ele escolhe quais na hora |
| Se rodar duas vezes com a mesma entrada, sai igual? | Tem que sair igual | Pode sair diferente, e tudo bem |
| Alguém revisa antes de usar o resultado? | Não precisa | Precisa, sempre |
| Quanto custa se ele errar sozinho? | Barato, dá pra rodar de novo | Caro, porque ele já agiu em cima do erro |
| Quantas vezes por mês isso acontece? | Muitas, e sempre igual | Poucas, e cada uma é um caso |
| Você treinaria uma pessoa nova lendo um roteiro? | Sim | Não, a pessoa precisaria de julgamento |
Como ler o resultado. Sete ou mais na coluna do meio: monta workflow e não discute. Sete ou mais na da direita: agente, e com revisão humana no fim. Empate no meio, que é o caso mais comum: quebra a tarefa em duas. A parte repetitiva vira workflow, e só o pedaço que exige julgamento vira agente.
Quase toda tarefa que parece pedir agente é um workflow com um miolo de decisão dentro.
Você não precisa rodar a tabela na mão pra cada tarefa. Copia isto com a sua lista dentro:
Funciona em qualquer IA de conversa.
O último bloco é o que eu mais uso. Ele existe pra segurar a vontade de automatizar a empresa inteira de uma vez, que é o jeito mais rápido de terminar o mês com seis coisas pela metade.
Se você consegue escrever a ordem, escreve a ordem. Só chama agente quando a ordem não existe.
A Escada da Autonomia da IA tem quatro degraus, e eles vêm nesta ordem:
Quem pula degrau não acelera, quem pula degrau volta pro começo, porque agente sem contexto real da sua empresa é um funcionário esperto que nunca foi apresentado a ninguém.
A IA não fica autônoma porque você deu liberdade. Ela fica autônoma quando você deu ordem suficiente pra ela não precisar de você.
antes de fechar
A tabela decide o que construir. Ela não decide o que a sua empresa deveria estar fazendo enquanto você constrói.
Eu montei essa régua depois de duas semanas ajustando um agente pra fazer o trabalho de uma lista de tarefas. O que me irritou foi ter escolhido o caminho difícil porque ele soava melhor na reunião.
As cinco linhas que eu escrevo antes de conectar qualquer ferramenta na IA, e o prompt que levanta os limites de uma que eu nunca usei.
Quase todo mundo que liga a IA no e-mail, na agenda ou no financeiro escreve a mesma coisa: o que ela deve fazer. Poucos escrevem a outra metade, que é o que ela nunca faz sozinha.
Enquanto você não diz até onde ela vai, a decisão de até onde ir fica com ela.
Você não deu liberdade, você deu a caneta. Esta página tem duas coisas prontas pra usar hoje: a lista que eu escrevo aqui dentro, e o prompt que eu rodo quando a ferramenta é nova e eu ainda não sei o que ela consegue quebrar.
Eu pedi pra ela organizar uma pasta de arquivos, e recebi exatamente isso: uma pasta organizada. O problema é que o que ela entendeu por organizar não era o que eu entendia, e eu passei a tarde procurando um arquivo que eu mesmo tinha mandado mover.
Foi barato: custou uma tarde. Só que o mecanismo do erro caro é o mesmo do erro barato: eu tinha dito o que fazer e não tinha dito o que não fazer. Da próxima vez o objeto podia ser um e-mail com um preço de tabela que eu já não pratico, indo pra um cliente antigo. Aí não tem desfazer, e você escolhe entre honrar o preço errado ou desdizer o que saiu com o seu nome.
A lista abaixo nasceu dessa tarde.
Cada uma vale pra qualquer ferramenta que eu conecte, e nenhuma delas depende de a IA ser boa ou ruim.
Essas cinco têm uma coisa em comum: nenhuma proíbe a IA de trabalhar, todas proíbem ela de fechar. É trabalho liberado com assinatura reservada.
Uma lista que fica no seu caderno não vale nada, porque a IA não lê o seu caderno. Ela precisa estar escrita onde a ferramenta enxerga. Copia este bloco pro começo do seu projeto, do seu assistente ou da sua conversa fixa:
Guarda esse texto num arquivo seu: você vai colar ele em toda ferramenta nova.
E uma nota de uso: as cinco de cima são as minhas. Se você tem uma operação com nota fiscal, contrato ou dado de paciente, você tem uma sexta e uma sétima, e elas são mais importantes que as minhas.
A lista escrita funciona na maior parte das vezes. Só que a IA pode perder a regra numa conversa longa, entender a regra de outro jeito ou seguir uma instrução que apareceu no meio do caminho. Pra linha que custa caro se falhar uma vez só, a trava tem que estar no acesso que a IA recebe, porque o que ela não consegue fazer ela não faz por engano.
Das cinco linhas, três viram trava de acesso:
As linhas 3 e 4 continuam na regra escrita, porque preço e conversa difícil são julgamento, e julgamento não tem botão de permissão.
Dá vontade de conectar tudo de uma vez, porque a ferramenta deixa. Se o trabalho da IA é responder cliente no WhatsApp, ela recebe a pasta com as respostas que você já deu e a sua política de atendimento, e fica sem o seu e-mail, sem a sua planilha de faturamento e sem o seu Drive inteiro. O que você não deu, ela não tem.
E tem o que nunca entra na pasta: senha, dado bancário, contrato de sócio e dado de cliente que você não tem autorização pra usar. Nada disso entra na pasta da IA, nem "só pra ela entender o contexto". A pergunta que decide é a mesma da régua de baixo: se esse dado vazar, dá pra desfazer até o fim do dia?
As cinco regras eu sei de cor porque e-mail eu uso todo dia e sei o que quebra. Quando chega uma ferramenta que eu nunca usei, o problema muda de lugar: eu não sei nem o que perguntar.
Então eu faço o contrário. Antes de conectar, eu peço pra própria IA me listar o que aquela ferramenta consegue fazer sem volta. Ela conhece aquele sistema melhor do que eu no primeiro dia.
Leva dois minutos e você faz uma vez por ferramenta, não toda vez.
O bloco 4 é o que impede a lista de virar burocracia: soltar o que é seguro é tão importante quanto travar o que não é.
Uma conta de padaria resolve, daquelas grosseiras que você faz de cabeça e já dão pra decidir. A pergunta é uma só: se essa ação sair errada, dá pra desfazer até o fim do dia?
Se dá, solta; se não dá, ela rascunha e você fecha.
Ela protege o que sai; não melhora o que entra.
A IA vai continuar respondendo bem sobre o mundo e mal sobre a sua empresa, porque ela sabe do mercado e não sabe do seu número, do seu cliente e do que já deu errado aí dentro. Contexto ruim é resultado ruim, e limite também é contexto: você acabou de escrever a primeira metade.
Quanto do que a sua empresa sabe está escrito em algum lugar que a IA consegue ler, e quanto está só na sua cabeça?
antes de fechar
Agora você tem a lista, e ela protege a ferramenta sem decidir nada por você.
Eu escrevi a minha depois de passar uma tarde procurando um arquivo que eu mesmo mandei mover. A tarde perdida foi o de menos; o que me incomodou foi perceber quanta coisa aqui dentro roda sem ninguém ter combinado nada.
As cinco linhas que eu escrevi pra poder deixar a IA com mais autonomia, e a ordem do que soltar primeiro.
Eu trabalhei mais depois da IA do que antes. Cheguei a ter uns 50 contextos abertos ao mesmo tempo e virei o motoboy de contexto da minha própria operação, o cara que passa o dia levando informação de uma janela pra outra. Ferramenta eu tinha de sobra. Escrito, eu não tinha nada.
O que me tirou disso foram cinco linhas, e elas estão inteiras aqui embaixo, com o bloco pronto pra colar e a ordem do que soltar primeiro.
Um consultor de relações públicas de 43 anos, que nunca escreveu uma linha de código, montou em 36 horas um sistema que toca o dia dele. Seis da manhã, ele dormindo, duas automações rodam. A primeira pega a agenda, checa no Maps quanto tempo ele leva pra chegar em cada lugar e monta o dia em cima disso. A segunda varre a caixa de entrada, separa o que virou tarefa e ordena por prazo. Nenhuma das duas pediu autorização pra nada. Só organizaram.
Aí ele acorda e aperta um botão. O Claude puxa a agenda e as transcrições das reuniões e classifica tudo em quatro categorias. Ele olha, fala "vai", e seis agentes disparam ao mesmo tempo: um escreve e-mail, um marca reunião, um pesquisa.
Repara onde fica ele nessa história. Entre a classificação e o "vai". E a regra que ele não quebra é a mesma primeira linha da minha lista: a IA nunca envia o e-mail, ela rascunha e ele revisa. A lista que ele sentou pra escrever foi a lista do não.
Escrever o que ela nunca faz é a mesma cordinha que você usa com gente do time: vai bem, você solta; pisa fora da linha, você puxa. Com a IA muda uma coisa só, e é a que importa aqui: a linha precisa estar escrita, porque ela não olha pra sua cara pra saber que passou do ponto.
E eu já sei o que você está pensando. "Ah, Lucas, mas as minhas não são essas." Beleza. Copia, corta o que não é seu e escreve as que faltaram. Uma conta de padaria resolve cada linha (conta de padaria é a estimativa grosseira, boa o suficiente pra decidir): se essa ação sair errada, dá pra desfazer até o fim do dia? Se dá, solta. Se não dá, vira linha.
São dois minutos, e é escrever as suas que faz você lembrar da lista quando a ferramenta nova chegar.
No seu caderno ela não vale nada, porque a IA não lê o seu caderno. Ela vale escrita onde a ferramenta enxerga: no começo do projeto, nas instruções do assistente ou na conversa fixa que você usa todo dia. Copia o bloco:
Cola onde a ferramenta lê, não no seu bloco de notas.
Repara no segundo bloco, que é o que resolve o que mais irrita no dia a dia: a IA parando no meio de tudo pra pedir permissão. Com ele escrito, ela faz o trabalho inteiro e trava no fim, com o que ficou pronto esperando você.
Com a lista colada, a pergunta muda. O que dá pra deixar rodando sem você? A ordem é do que não quebra nada pro que fecha:
Se você for testar uma coisa essa semana, testa a primeira: bota alguma coisa que só organiza pra rodar sozinha.
As cinco linhas eu sei de cor porque e-mail eu uso todo dia e sei o que quebra. Quando chega uma ferramenta que eu nunca usei, o problema muda de lugar: eu não sei nem o que perguntar.
Então eu faço o contrário. Antes de conectar, eu peço pra própria IA me listar o que aquela ferramenta consegue fazer sem volta. Ela conhece aquele sistema melhor do que eu no primeiro dia.
Leva dois minutos e você faz uma vez por ferramenta, não toda vez.
O bloco 4 é o que impede a lista de virar burocracia: soltar o que é seguro é tão importante quanto travar o que não é.
O sistema inteiro do consultor custa a assinatura da ferramenta: 100 dólares por mês, no lugar dos mil que a assistente dele custava. Quem olha isso e vê economia de assistente está vendo a menor parte.
O que ele montou foi um Funcionário do Mês: uma IA que carrega responsabilidade de verdade porque tem uma lista clara do que não encosta. Com gente a gente já sabe disso faz tempo, e a responsabilidade se entrega junto com o limite do cargo. Ninguém contrata um financeiro e fala "faz o que achar melhor com o dinheiro da empresa".
E vale dizer o que as cinco linhas não resolvem. Elas dizem onde a IA para, não dizem o que ela começa: com a lista escrita, ela trabalha bem em tudo que você pedir, e continua esperando você pedir. As duas automações que rodam às seis da manhã, com o consultor dormindo, só puderam ser ligadas porque ele escreveu antes o que elas nunca fazem. Fica a pergunta de quanto do seu dia ainda depende de você lembrar de pedir.
A IA te devolve tempo no dia em que você senta e decide o que ela não faz.
antes de fechar
Escreve as suas antes de conectar a próxima ferramenta. Essa parte ninguém faz por você.
Eu levei tempo demais pra sentar e escrever as minhas. Nesse tempo eu tinha ferramenta ligada em tudo quanto é canto e nenhuma decisão tomada sobre nenhuma delas. A conta não chegou como um erro grande, chegou como dia cheio, que é o jeito mais caro de pagar por qualquer coisa.
As cinco que eu tenho instaladas, o que cada uma faz e o link de onde pegar.
Skill é um arquivo que você instala no Claude. Dentro dele vão o método, os passos e as ferramentas de um trabalho específico, e é por isso que ela executa do mesmo jeito toda vez, coisa que um prompt reescrito de memória não consegue.
Esta página tem só cinco porque o filtro foi simples: estão instaladas na minha máquina e continuam em uso. Ao lado de cada uma deixei o link de onde pegar e o primeiro pedido que eu faria.
Todas são públicas e gratuitas, hospedadas no GitHub, e o caminho de instalação muda de uma pra outra. Três delas têm comando próprio, que eu deixei escrito junto de cada uma aqui embaixo. As outras duas você baixa e coloca na pasta onde o Claude procura as skills: no Claude Code, a pasta é ~/.claude/skills/, uma pasta por skill; no Claude para computador e no site, a skill entra pelas configurações, na parte de capacidades.
Quando a skill vier com uma pasta de apoio ao lado do arquivo, leva a pasta inteira. Só o SKILL.md já funciona, mas a skill trabalha pela metade, porque as referências dela ficaram pra trás.
Uma trava antes de sair instalando: uma skill de terceiro executa passos dentro das suas ferramentas. Lê o arquivo SKILL.md antes, que é onde as regras dela estão escritas, e testa a primeira rodada em um material que não é crítico. Se a sua Lista do Não já estiver escrita, ela vale aqui inteira.
Revisa o texto atrás dos cacoetes de escrita de IA, 32 padrões mapeados na versão que eu uso, e reescreve. Não acrescenta fato, número nem citação: mexe no jeito de dizer, não no que você disse.
Instalar: github.com/blader/humanizer. O SKILL.md está na raiz do repositório. Se preferir não baixar nada, um comando resolve: npx skills add blader/humanizer --global
O primeiro pedido que eu faria:
O que sai: o mesmo texto, sem cara de IA.
A skill da própria Anthropic que obriga o Claude a tomar decisão de design, tipografia, cor, hierarquia, em vez de entregar a interface genérica de sempre. A página, o painel e a ferramenta interna saem com cara de produto.
Instalar: github.com/anthropics/skills · frontend-design. O link já abre na pasta certa, dentro de um repositório que tem várias: o SKILL.md que você quer é o que está ali.
O que sai: uma tela com decisão, em vez de mais uma tela genérica.
A skill oficial da Remotion, a ferramenta que faz vídeo em código. Você descreve o vídeo e o Claude escreve, anima, legenda e renderiza o arquivo final, sem ninguém abrir o editor.
Instalar: github.com/remotion-dev/skills · pasta skills. Abrindo esse link você vê doze pastas, porque a Remotion separou o trabalho em partes (criar, legendar, renderizar). Um comando instala o conjunto: npx skills add remotion-dev/skills
O que sai: o vídeo renderizado, sem editor no caminho.
Um sistema de trabalho pro Claude Code: discute o que você quer, transforma em especificação, executa cada fase num contexto limpo e verifica no final. É o que segura um projeto grande sem a IA se perder no meio do caminho. O projeto nasceu em outro repositório, que hoje está sem manutenção; quem toca o trabalho agora é a comunidade, no Open GSD, e é pra lá que eu aponto.
Instalar: github.com/open-gsd/gsd-core. Nesse aqui você não vai achar um arquivo de skill pra baixar: a GSD chega como um conjunto de comandos, e quem põe tudo no lugar é o instalador abaixo.
Ela guia dali em diante: você descreve o projeto, ela devolve o plano por fases e executa fase a fase, cada uma com o contexto zerado.
O que sai: o projeto inteiro andando por fases, com o contexto sempre limpo.
A meta-skill da lista: observa a sessão de trabalho, captura as correções que você faz e as decisões que você toma, e transforma isso em melhoria escrita nas suas outras skills, inclusive nela mesma.
Instalar: github.com/rebelytics/one-skill-to-rule-them-all. O SKILL.md está na raiz, com a pasta references/ ao lado. Essa é a que pede a pasta inteira: leva as duas coisas juntas.
O que sai: as suas skills melhorando enquanto você trabalha.
Uma por vez, começando pelo problema desta semana: o texto saindo com cara de IA é a Humanizer, a tela feia é a Frontend Design, o vídeo parado esperando o editor é a Remotion, o projeto que a IA larga no meio é a GSD.
A quinta instala junto com qualquer uma das outras, porque o trabalho dela é melhorar as demais enquanto você usa.
antes de fechar
Nenhuma dessas cinco conhece a sua empresa no dia em que você instala. Elas ficam boas do mesmo jeito que um funcionário fica: usando, corrigindo e escrevendo o que aprendeu.
O método em quatro passos que faz a IA pensar antes de executar, escrito pra quem não programa.
Pega uma tarefa grande que você ia pedir hoje. Abre o Claude e pede do jeito que você pediria, sem pensar muito.
Ele quase sempre começa a produzir já na primeira resposta, antes de saber pra quem é aquilo, o que já foi tentado antes e o que você considera um bom resultado.
Uma decisão errada no começo contamina tudo que vem depois.
O caminho contrário tem quatro passos, e cada um deles é um prompt pra colar na conversa que você já usa.
Esse método não é meu. Ele está dentro de uma skill chamada Superpowers, do Jesse Vincent, que é gratuita e instala essa sequência no Claude Code: pensar, planejar, executar e revisar.
Só que a Superpowers foi escrita pra trabalho de software, e fala de teste, versão e revisão de código. O que está aqui é a mesma ordem, traduzida pro trabalho que a sua empresa faz todo dia.
Em vez de explicar tudo de uma vez, você deixa a IA perguntar. Ela pergunta melhor do que você explica, porque ela sabe o que está faltando pra ela.
Sem a última linha, ela ouve as suas respostas e já emenda na entrega, no mesmo fôlego.
Com a entrevista feita, o plano sai em uma resposta. Você lê, corta o que não quer e libera. É o único momento em que você precisa estar inteiro na conversa.
O item 4 é onde costuma aparecer a pergunta que eu deveria ter respondido antes de pedir.
Com o plano aprovado, o trabalho sai por partes, e cada uma passa por conferência antes da próxima começar.
Parece mais lento, e é mais lento na primeira parte. Da segunda em diante, você para de reler tudo procurando onde a coisa saiu do trilho.
No fim, a IA revisa duas vezes, por dois critérios diferentes: primeiro se ela fez o que foi pedido, depois se o que ela fez está bom.
O estágio 2 é o que pega o trabalho que cumpre o combinado e mesmo assim está ruim. E ela é boa nisso, desde que você separe as duas perguntas.
Entrevista, plano aprovado, execução em partes, revisão em dois estágios. Quatro passos, quatro prompts, e nenhum deles pede instalação.
Em vez de uma IA mais inteligente, uma IA que segue processo.
E eu já sei o que você está pensando, porque eu pensei a mesma coisa: "isso não é trabalho demais pra pedir uma coisa simples?" É. Pra pedir uma legenda, não use nada disso. Isso aqui é pra tarefa que ia ocupar a sua tarde, e que hoje volta errada no fim dela.
O método arruma a ordem do trabalho, e a ordem não sabe nada sobre a sua empresa. Se a IA não conhece os seus números, os seus clientes e o que já deu errado aí dentro, ela vai planejar bem em cima de contexto pobre.
Por isso o passo 1 vale mais que os outros três: é a única parte em que a informação entra. Se você responder a entrevista com pressa, o plano sai bonito e vazio.
As quatro perguntas que eu faço antes de aprovar um roteiro, com os prompts que rodam o teste e consertam o que voltou.
A IA escreve em segundos, e o texto sai fluido. Fluido é o suficiente pra você ler, achar razoável e mandar gravar.
Aí o vídeo sai, não acontece nada, e você não sabe dizer o que estava errado. Sem régua, a conversa vira gosto: você acha que faltou alguma coisa, quem escreveu acha que ficou bom, e ninguém consegue apontar onde.
São quatro perguntas. Se falhar em uma, o roteiro volta.
O teste reprova menos quando a primeira versão já nasce perto do que você gravaria. E isso se decide antes de a IA escrever uma linha: você diz sobre o que é o vídeo, pra quem ele é e qual problema ele resolve, e entrega pra IA o que você já sabe sobre os seus roteiros.
Um roteiro seu, colado na conversa, ensina mais do que qualquer descrição de como você escreve.
Lê só a primeira frase, em voz alta, e para. Se ela funciona sozinha, passou.
O que reprova: abrir contextualizando ("hoje em dia todo mundo fala de IA"), anunciar o que vem ("hoje eu vou te mostrar três coisas") ou começar pela sua credencial. Os três gastam o único segundo que você tinha.
O conserto: a primeira frase precisa abrir uma lacuna, e a mais barata é o número que dói ou a imagem estranha. Se a informação mais forte do roteiro está na linha 4, ela sobe pra linha 1.
Escreve numa linha qual é a ideia do roteiro. Se você precisar de duas linhas, ele tem duas ideias, e nenhuma vai chegar inteira.
O que reprova: três assuntos pela metade, ou o roteiro que começa falando de uma coisa e termina em outra sem ninguém perceber a virada.
O conserto: escolhe uma e joga o resto num arquivo de pautas. O que sobrou vira o próximo roteiro, e você acabou de ganhar dois vídeos em vez de um ruim.
Procura no texto um número, um caso com nome, um print ou uma cena que aconteceu. Se não achar nenhum dos quatro, o roteiro é opinião com voz firme.
O que reprova: "isso funciona muito bem", "os resultados são impressionantes", "todo mundo que aplica sente a diferença". São frases que passam batido na leitura e não sustentam nada.
O conserto: troca o adjetivo pelo dado. Se o dado não existe, conta o caso: o que você tentou, o que deu errado e o que mudou depois. História própria sustenta tão bem quanto um número, e ninguém copia a sua.
Lê o fim e conta quantas coisas estão sendo pedidas. Mais de uma, reprova.
O que reprova: "curte, comenta, salva e me segue" no mesmo fecho. Quem recebe quatro pedidos costuma não fazer nenhum.
O conserto: decide o que aquele vídeo precisa gerar antes de escrever o fim, e pede só isso. O resto você pede em outro vídeo.
Os quatro testes você aplica lendo. Quando o volume aperta, a própria IA roda em cima do que ela escreveu:
Sem a última linha, ela aprova o próprio trabalho, porque puxa pro elogio quando não tem critério.
Com as reprovações na mão, você conserta uma por vez, sem deixar ela reescrever o roteiro inteiro:
Reescrever o roteiro inteiro por causa de um gancho fraco joga fora o que já estava bom.
Ele mede a construção do roteiro, e não o assunto. Um roteiro pode passar nos quatro e ainda assim falar de uma coisa que não interessa pra quem você quer atrair.
Essa parte continua com você: a escrita pode sair da sua mesa, o julgamento editorial não.
Os seis vídeos por onde eu começaria em IA hoje, na ordem de assistir e com o que tirar de cada um.
Esses seis vídeos são por onde eu começaria se fosse aprender IA do zero hoje, e você pode assistir os seis neste fim de semana e voltar na segunda exatamente onde estava. O problema é assistir, assistir, assistir, e na segunda-feira a mesma tarefa continuar voltando pra sua mesa.
Os seis vídeos são de graça; a tarde que você vai gastar com eles, não.
Por isso a trilha tem uma regra antes do primeiro play: escolhe uma função da sua empresa, uma só, e assiste os seis com ela na cabeça. Não escolhe a mais importante; a mais importante costuma ser a mais cheia de exceção, a mais política e a que mais dói se sair errada. Escolhe a que volta toda semana, que tem jeito certo de fazer, e que você bate o olho na entrega e sabe em segundos se está boa.
Com uma função na cabeça, cada vídeo vira uma pergunta sobre a sua operação. Sem ela, os seis viram opinião interessante de gente inteligente, e opinião interessante não segura uma semana.
A ordem é a mesma que eu uso pra pensar autonomia de IA: primeiro o que você traz pra conversa, depois o processo em volta dela, depois o seu material dentro dela, e por último a empresa inteira rodando assim. Não é a ordem de importância; é a ordem em que as ideias empilham sem faltar chão.
Os seis são em inglês, e a legenda automática do YouTube dá conta. Nenhum deles pede que você escreva uma linha de código.
Ele é professor de Wharton, e o vídeo é uma conversa com o Simon Sinek chamada The AI Skills Nobody is Teaching (And Everyone Needs). A tese que interessa aqui é que gente nova não é nativa de IA coisa nenhuma: quem tem experiência na função é quem consegue olhar uma entrega e dizer se ela presta. Abre a trilha porque mexe na parte mais barata de mexer, que é o que você traz pra conversa.
assistirThe AI Skills Nobody is TeachingGravado no palco da Sequoia Capital, no AI Ascent de 2024, com o nome What’s next for AI agentic workflows. Ele mostra quatro padrões de fluxo, que são reflexão, uso de ferramenta, planejamento e vários agentes conversando entre si, e mostra um número que encerra a discussão de qual IA é a melhor. No teste de código HumanEval, o GPT-3.5 sozinho acertava 48,1% e o GPT-4 sozinho acertava 67,0%; o mesmo GPT-3.5, colocado dentro de um fluxo desses, chegou a 95,1%. O modelo velho com processo passou o modelo novo sem processo.
assistirWhat’s next for AI agentic workflowsChama Engineering practices that make coding agents work, é uma conversa do Pragmatic Summit, e é a mais técnica das seis, porque fala de código o tempo todo. Mesmo assim, ela está aqui pela prática que atravessa pro seu lado inteira: ele começa toda tarefa dizendo pro agente como testar o próprio trabalho, e só depois pede o trabalho. Um agente que consegue conferir o que fez corrige sozinho; um que não consegue entrega errado com a mesma cara de entrega certa.
assistirEngineering practices that make coding agents workO presidente da Y Combinator, em 42 minutos de Startup School, num vídeo chamado Own Your Intelligence. A distinção dele: o modelo todo mundo aluga por vinte dólares, e ele fica mais barato a cada ano; o que é seu é o contexto, os seus e-mails, as suas notas, os seus procedimentos escritos em arquivo de texto simples. A régua que ele dá pra saber o que a IA consegue assumir: se um estagiário inteligente segue a instrução escrita, um agente roda.
assistirOwn Your IntelligenceÉ o Dispatch from the Future: building an AI-native Company, palestra sobre a Every, a empresa dele: 15 pessoas tocando seis unidades de negócio e quatro produtos. O mecanismo que sustenta isso ele chama de codificar: cada trabalho feito vira prompt e documento reaproveitável, e é por isso que a empresa anda mais rápido a cada mês em vez de só andar. Serve pra você ver por dentro o lugar onde essa trilha termina.
assistirDispatch from the Future: building an AI-native CompanyO mesmo cara, agora sobre previsão, em AI predictions: Job markets, Codex beats Claude, and the death of org charts. O argumento sobre o organograma: a hierarquia existe porque informação era escassa e precisava de camadas de gerência pra circular; quando um agente entrega a informação de qualquer área pra qualquer pessoa na hora, essas camadas perdem a função. E ele não é pessimista com gente: a aposta dele é que automação cria mais trabalho humano, só que outro trabalho. É o último da trilha porque é o único sobre o que vem depois, e futuro sem os cinco anteriores é só especulação boa de ouvir.
assistirAI predictions: the death of org chartsNo fim dos seis você tem o mapa: o que a IA faz render, o que o processo muda, o que o seu material vale e como fica uma empresa montada assim. Mapa é matéria-prima boa, e ainda não é ninguém trabalhando no seu lugar.
A parte que falta não dá pra aprender assistindo, porque ela é de gestão: pegar aquela função que você escolheu antes do play, escrever como ela funciona, dar pra IA, cobrar a entrega, corrigir o que voltou torto e ir soltando a cordinha até ela parar de voltar pra sua mesa.
antes de fechar
Se essa semana só couber um dos seis, vê o do Andrew Ng. O número dele é o chão dos outros cinco: se processo faz um modelo velho passar um modelo novo, o resto da trilha é sobre montar esse processo na sua empresa.
A estrutura das subpastas, os três arquivos preenchidos e os prompts que montam cada um.
Eu passei um bom tempo abrindo o Claude e explicando a mesma coisa. Quem é o cliente, o que a empresa faz, como eu escrevo, no que a gente está mexendo essa semana. Ele entregava, eu fechava a aba, e no dia seguinte eu explicava tudo de novo.
Isso tem nome. Motoboy de contexto é a pessoa que passa o dia carregando informação de um lado pro outro, e eu tinha virado o do meu próprio Claude.
Inteligência ela já tem. O que falta é autonomia.
Esta página é o caminho pra tirar esse cargo de você. Uma pasta, três arquivos dentro e os prompts que montam cada um. Dá pra fazer hoje, sem programar nada, e leva menos de uma hora.
Cria uma pasta no seu computador chamada Claude Cowork. Dentro dela, três subpastas:
Os nomes ficam em inglês, e não traduz: a leitura automática depende deles.
Abre o Cowork e aponta ele pra essa pasta. Isso você faz uma vez, e nunca mais.
Você conhece o seu trabalho bem demais pra conseguir descrever ele. O que é óbvio pra você não entra no texto, e é justamente o óbvio que o Claude não tem. Por isso quem escreve este arquivo é ele, te entrevistando.
Responde falando, não digitando. Digitando você resume, corta o exemplo e entrega a versão apresentável; falando você entrega o que não teria paciência de escrever, que é exatamente a parte que faz o arquivo servir.
Se você travou pra explicar o que faz uma entrega ficar boa, esse travamento é a resposta.
Em vez de uma lista de estilo, uma lista de proibição. A diferença é o que decide se funciona: "escreva de forma clara e natural" ele concorda e ignora, "nunca use travessão" ele cumpre. Instrução que não dá pra desobedecer por engano é a única que pega.
Acrescenta as suas na mão, e não tem problema começar com poucas. O meu tem 59 hoje, e começou com quatro: zero travessão; nada de "alavancar", "mindset" e "jornada"; nada de "espero que esteja tudo bem"; e nenhuma pergunta retórica respondida com uma palavra só.
Toda vez que você ler uma entrega dele e pensar "isso eu nunca escreveria", abre o arquivo e escreve a proibição. O arquivo cresce pelo uso, e é assim que ele fica bom.
Os dois primeiros arquivos ensinam quem você é e como você fala. Este decide no que ele trabalha, e sem ele você recebe coisa bem-feita a semana inteira sem que nada mude na empresa.
Aquela última linha é a que mais me devolveu tempo. Ela transforma o arquivo de descrição em critério, e de vez em quando ele me responde que o que eu pedi não serve pra nada do que eu disse que era prioridade. Ele está certo quase sempre.
A manutenção do sistema inteiro são cinco minutos toda segunda, atualizando as três prioridades. O resto da semana ele trabalha apontado pra elas.
Com a pasta montada, para de caçar o prompt perfeito. Um formato resolve o resto:
Duas partes fazem o trabalho aqui.
O "pra que" é o que separa tarefa de critério. "Escreve um e-mail pro cliente" ele executa e você revisa; "escreve um e-mail pro cliente pra que ele confirme a reunião de quinta sem eu precisar cobrar de novo" ele consegue julgar sozinho se acertou.
O AskUserQuestion é a ferramenta que faz ele te devolver opções clicáveis antes de produzir. Em vez de adivinhar o que você quis dizer e gastar a sua manhã, ele pergunta e você responde em dois cliques.
Aqui a pasta para de ser arquivo e vira rotina. Agenda duas sessões que rodam sozinhas, e é o quarto degrau da Escada da Autonomia: conversa, habilidade, contexto real, rotina.
A última linha não é detalhe. Rotina que roda sozinha e manda mensagem em nome de alguém é o tipo de coisa que você só descobre que era má ideia depois que já foi.
O arquivo que ele fecha às 17h é o briefing que ele abre às 7h. O que ficou pendente na terça aparece na quarta sem você lembrar dele, e cada dia começa em cima do anterior.
Repara no que saiu do seu dia. Não foi a execução, que já era dele. Foi o carregamento: parar de explicar quem você é, o que a empresa faz e como você escreve, toda manhã, pra alguém que já devia saber.
Você tem uma empresa ou construiu um emprego muito sofisticado pra você mesmo?
Se a resposta te incomodou, o problema quase nunca é a ferramenta. É que o que a empresa sabe fazer continua morando na sua cabeça, e alguém tem que tirar isso de lá toda manhã. Esse alguém é você.
antes de fechar
A sua pasta está de pé e está vazia. Ela só responde sobre o que você colocar dentro dela.
Você montou ela porque cansou de ser o lugar por onde tudo tem que passar. Eu montei a minha pelo mesmo motivo, e continuo mexendo nela toda semana.
Como dividir o trabalho entre as sessões do Claude e fazer uma avisar a outra sem você no meio.
Eu fazia isso o dia inteiro. Abria a sessão que tinha pesquisado o concorrente, lia o relatório, copiava o pedaço que importava e colava na sessão que estava escrevendo o roteiro, pra segunda entender o que a primeira já sabia, que é trabalho de entregador. E quem entregava era eu.
Enquanto você for o único lugar por onde a informação passa, você não delegou. Você virou o gargalo mais caro da sua empresa.
O Claude passou a deixar uma sessão mandar mensagem pra outra, e ela mesma escreve o resumo do que a outra precisa saber. Esta página é o mapa que eu montei pra decidir quem fala com quem aqui dentro, e ele leva uns quarenta minutos pra montar.
O erro que eu cometi foi abrir sessão por curiosidade e depois tentar organizar, e sessão se decide antes disso, com uma pergunta só: quais trabalhos aqui dentro têm começo, meio e fim próprios? Só esses viram sessão.
Aqui são três, e não porque três é um número bonito: é o número de trabalhos que aqui dentro rodam sem depender um do outro. Nem um a mais.
| A sessão | O trabalho dela | O que ela precisa saber |
|---|---|---|
| Vigia | Toda segunda ela puxa o que os concorrentes publicaram no canal do YouTube e devolve o que se repete. | Quem são os concorrentes e o que eu já considero batido. |
| Crivo | Recebe roteiro pronto e reprova por quatro motivos, os mesmos que eu cobraria de um copywriter. | Os quatro motivos, e o que mudou lá fora essa semana. |
| Casa | Escreve o que sai daqui: legenda, e-mail, descrição. | O que foi reprovado e por quê, pra não repetir. |
Repara na terceira coluna, que é a que resolve o problema. Ela não descreve a sessão, ela descreve o que chega de fora, e é isso que decide se aquela sessão consegue trabalhar sem você no meio. Sem ela, você continua carteiro.
Cada seta é uma permissão: quem avisa quem, e em que situação. Duas ou três bastam. Se você desenhar todas as combinações possíveis, elas vão conversar o dia inteiro e você vai ter criado uma reunião permanente entre robôs.
Escreve as suas em uma frase cada, no formato "quando acontecer X, a sessão A avisa a sessão B", e se você não conseguir nomear o X, aquela seta não existe. Risca ela.
Isto aqui vai no começo de cada uma, e é o que dá endereço pra ela: o que é dela, o que não é, e pra quem ela fala. Nada além disso.
O último bloco é o que impede a bagunça. Sessão que pode reescrever a regra de outra sessão parece autonomia e é perda de controle, e você só descobre uma semana depois, quando não entende mais por que a Casa começou a escrever daquele jeito.
Na primeira semana deixa o "me mostre o aviso" ligado. Você vai ver o que elas escolhem contar uma pra outra, e é aí que aparece o defeito: a Vigia mandando o relatório inteiro em vez do que mudou, o Crivo mandando o roteiro reprovado sem dizer qual dos quatro motivos pegou.
Conserta no texto de abertura e não na conversa, porque tudo que você conserta conversando some no minuto em que a sessão fecha. Some inteiro.
Depois da segunda semana você tira o "me mostre" e deixa passar direto, que foi quando eu parei de abrir o computador de manhã pra descobrir o que uma tinha achado na segunda. Elas já sabiam.
Elas dividem trabalho e passam recado, e é só isso. Nenhuma delas decide o que a empresa deveria estar fazendo, e nenhuma percebe quando o trabalho inteiro deixou de fazer sentido. Isso continua sendo seu.
E vale a comparação, porque é a mesma coisa que acontece com gente: se todo mundo precisa passar em você pra conseguir trabalhar, você não tem um time autônomo. Você tem dez fios ligados na mesma tomada.
antes de fechar
Se você montar só uma seta essa semana, monta a que te tira do meio de dois trabalhos que você já sabe que se atrasam esperando você. Uma seta.
A habilidade que lê os comentários dos seus clientes e as avaliações no Reclame Aqui, e devolve a reclamação que mais se repete já escrita como anúncio.
Ela está num comentário que ninguém da sua empresa leu, embaixo de um post seu de dois meses atrás, ou numa avaliação de uma estrela que alguém deixou pro seu concorrente, escrita com as palavras que o cliente usa quando ninguém está vendendo nada pra ele. De graça.
Eu já queimei verba testando anúncio pra chegar em argumento que estava escrito ali de graça, num comentário que ninguém tinha aberto, e o criativo não morreu por falta de ideia: morreu porque a ideia era minha. Hoje eu leio antes.
Ninguém descreve o seu produto melhor que quem pagou por ele e ficou puto com alguma coisa.
Esta página monta essa leitura em quatro passos. Nos três primeiros você roda uma vez, hoje, e leva uns vinte minutos; no quarto você escreve a habilidade dentro de um arquivo, e a partir dali ela trabalha sem você montar nada de novo.
A referência que me fez montar isso usava Reddit, que é onde o americano reclama, e aqui a conversa mora em outro lugar. São cinco:
Copia e cola tudo num arquivo de texto, sem organizar e sem escolher, porque escolher aqui é você editando o cliente, que é exatamente o problema que a habilidade resolve. Sem filtro.
Cola isto no Claude, junto com o arquivo que você acabou de juntar. O pedido proíbe inventar, e sem essa proibição escrita o Claude completa o que faltou com o que costuma aparecer em texto de venda, e você recebe o seu próprio achismo de volta com cara de pesquisa.
O bloco 3 é o que você quer, e o bloco 2 é o que dói. Ele põe lado a lado a palavra que o cliente usa e a palavra que a sua empresa usa pra mesma coisa, e quase sempre elas são diferentes. Raramente batem.
Quando isso acontece, o anúncio estava escrito em outra língua, e não existe verba de tráfego que conserte tradução errada. Nenhuma.
Sai mais barato ler do que adivinhar.
Você acabou de fazer isso na mão, e na semana que vem chega comentário novo. Aí é juntar os cinco lugares outra vez e dizer outra vez o que você vende e pra quem: a primeira rodada custa vinte minutos, e a segunda é a que ninguém faz.
Construir habilidade é esse mesmo pedido escrito uma vez, dentro de um arquivo, com o que a IA precisa saber antes de começar. Você para de repetir o pedido e ela para de depender de você lembrar.
Cola isto no Claude. A análise fica pra depois; agora ele só escreve.
O arquivo volta pronto. No Claude Code ele salva sozinho, se você pedir, e a pasta é ~/.claude/skills/, uma pasta por habilidade. No Claude para computador e no site, a habilidade entra pelas configurações, na parte de capacidades.
O teste é rodar de novo, com o mesmo material do passo 2. Se o Claude te perguntar alguma coisa que já está no arquivo, uma das cinco partes ficou vazia, e você volta e completa. Enquanto ele perguntar, você continua sendo motoboy de contexto, buscando e colando toda semana a mesma informação.
antes de fechar
Faz uma coisa hoje: pega os últimos cinquenta comentários do seu perfil e roda só o bloco 1, porque a reclamação que mais se repete ali é o seu próximo anúncio. Ela já estava escrita.
Os quatro degraus escritos, com o teste de descobrir em qual você está hoje.
Se a IA te deu mais uma coisa pra gerenciar, você parou no primeiro degrau. Não é que ela seja burra, porque inteligência ela já tem de sobra; o que falta é autonomia, e autonomia se constrói em ordem, um degrau de cada vez. Não tem atalho.
São quatro degraus, e eu chamo esse desenho de Escada da Autonomia: cada degrau que a IA sobe, você vai saindo um pouco do caminho.
Se você precisa lembrar a IA todo dia do que ela tem que fazer, você não delegou. Só arrumou mais uma coisa pra gerenciar.
Responde pensando na semana passada, e não na semana que você pretende ter, porque o degrau é o mais alto em que você respondeu sim. O mais alto.
| Degrau | A pergunta | Como você sabe que parou aí |
|---|---|---|
| 1 · Conversa | Você abre, pede, ela entrega, você revisa e você publica? | Fechou a aba e não sobrou nada. Amanhã você explica tudo de novo. |
| 2 · Habilidade | Existe uma função em que ela ficou boa e que ela faz do mesmo jeito toda vez? | Você para de escrever como se faz, e passa a escrever o que quer. |
| 3 · Contexto real | Ela lê os seus documentos, as suas reuniões e os seus números sem você colar nada? | Ela parou de te perguntar quem é o cliente. |
| 4 · Rotina | Alguma coisa acontece sem você abrir o computador? | O trabalho aparece pronto, e você não lembrou dele em nenhum momento. |
Aqui ela é uma ferramenta boa, que escreve rápido, resume e organiza, e mesmo assim não tirou nada da sua mesa, porque cada entrega ainda depende de você abrir, pedir e conferir. Toda entrega.
Pra subir: escolhe uma função só, e não escolhe a mais importante da empresa, que costuma ser a mais cheia de exceção e a que mais dói se sair errada. Escolhe a que volta toda semana, que tem jeito certo de fazer, e que você bate o olho e sabe em segundos se ficou boa.
É aqui que ela deixa de responder e começa a executar. A minha pega roteiro pronto e reprova por quatro motivos, os mesmos que eu cobraria de um copywriter, e eu não escrevo o roteiro com ela. Eu recebo a reprovação.
Pra subir: escreve como você explicaria essa tarefa pra alguém que entra na sua empresa na segunda-feira, feio e corrido, em tópicos, do jeito que sair. Se você travar na hora de escrever o que faz uma entrega ficar boa, esse travamento é a resposta, e é ali que estava o trabalho.
Ela para de começar do zero, e o que entra aí é material seu de verdade. A minha lê os trezentos e nove livros que eu grifei, as transcrições das minhas reuniões e os meus números, e deixou de me perguntar quem é o cliente. Ela já sabe.
Este é o degrau chato, e é exatamente por isso que ele fica vazio na maioria das empresas que eu vejo: não tem prompt esperto aqui, tem material sendo juntado. É trabalho.
Pra subir: escreve a lista das suas fontes antes de qualquer coisa. Onde mora o que a sua empresa sabe hoje: reunião, planilha, WhatsApp, e a cabeça de quem, porque base bonita sem fonte ligada é enciclopédia. E enciclopédia não decide.
Contexto ruim é resultado ruim.
Uma das minhas puxa o que os concorrentes publicaram no YouTube e me manda toda segunda, e outra lê as transcrições das reuniões do dia e me manda um relatório à noite. Computador fechado.
Pra subir: pega o que já funciona no degrau 3 e responde uma pergunta: o que deveria acontecer mesmo que eu nunca abra o Claude essa semana? Só isso vira rotina. Rotina de coisa que ainda não está boa é erro automatizado.
A cada degrau a IA faz mais, e uma coisa não sobe junto: o seu critério. No degrau 1 você revisa tudo que a IA entrega. No degrau 2 você escreve o que faz uma entrega ficar boa, e a IA passa a seguir esse texto. No degrau 3 a IA lê o seu material e para de te perguntar quem é o cliente. No degrau 4 o trabalho chega pronto, e você ainda bate o olho antes de ele valer.
O dono que pula essa parte deixa a IA escrever, postar e responder cliente sem ler nada, e daqui a um ano não sabe mais dizer se o que sai da empresa dele está bom. A escrita pode sair da sua mesa. O julgamento editorial não.
Dá vontade de ir direto pro quarto, porque o quarto é o que impressiona. Rotina montada em cima de uma função que ela ainda não faz bem entrega errado com pontualidade, e você descobre tarde, porque agora ninguém está olhando.
A escada também não diz o que a sua empresa deveria estar fazendo, e o que ela diz é o quanto de você ainda está preso no caminho. Nada além.
antes de fechar
Escreve num papel em qual degrau você está hoje, e escreve a função que vai subir um. Uma só. Eu levei meses pra entender que o degrau 3 era o que faltava, e ele era o menos bonito de mostrar.
O que sai do seu arquivo de instruções, o que fica, e as três trocas que põem critério no lugar de mais uma regra.
Em 24 de julho eles publicaram o que mudou no jeito de instruir os modelos novos. Tiraram mais de oitenta por cento do texto que o Claude Code carregava antes de qualquer conversa começar, e não perderam nada nas avaliações de código, e a explicação deles é que regra demais amarra o modelo em vez de guiar. Amarra mesmo.
E você faz exatamente isso todo dia, sem perceber. Ela erra, você escreve mais uma regra pra ela não errar de novo. O arquivo cresce, e a cada regra nova ela gasta mais raciocínio decidindo qual instrução ganha antes de começar o trabalho.
Regra você escreve pra quem não confia. Critério você dá pra quem vai decidir sem você na sala.
Esta página é a lista do que tirar do seu arquivo, o que fica no lugar, e as três trocas que fazem diferença de verdade na hora em que ela lê. Leva uma tarde.
Abre o seu arquivo de instruções e passa linha por linha com esta tabela do lado. Onde a linha cair na coluna da esquerda, ela sai inteira. Reescrever a linha mantém o defeito.
| Sai | Fica |
|---|---|
| A proibição que nasceu de um erro só, num dia ruim. | A proibição que valeria pra qualquer pessoa nova entrando no seu time. |
| A regra que contradiz outra regra três parágrafos acima. | Uma das duas, escolhida por você, com a outra apagada. |
| Explicação de por que a regra existe. | A regra. |
| Instrução de estilo com adjetivo: seja claro, seja natural, seja profissional. | Instrução que não dá pra desobedecer por engano: nunca use travessão. |
| Cinco exemplos do mesmo caso. | Um material de verdade que você aprovou. |
| Contexto de projeto que acabou. | Nada. Isso vai pro arquivo do projeto. |
| Tudo que só vale numa tarefa específica. | Um arquivo separado, que carrega quando aquela tarefa aparece. |
Se você cortar metade e ficar com medo, roda a semana assim e olha as entregas, porque o medo some ou a regra volta, e nos dois casos você descobriu uma coisa que não sabia. Sai ganhando.
Sai o "nunca faz isso, nunca faz aquilo" e entra "entrega no padrão que a gente já entrega aqui". A diferença aparece no caso que você não previu, que é justamente onde a lista de proibições falha: ela não tem linha pra situação nova, então a IA escolhe sozinha e sem critério.
Vale a comparação com gente, e ela é direta: aquele manual ninguém do seu time leu inteiro, e o que eles seguem é o padrão que viram funcionar. Viram, não leram.
O arquivo que abre em toda conversa leva o que vale pra qualquer trabalho e nada mais, e todo o resto entra depois, quando aquele assunto aparece. Só quando aparece.
Esta é a que a maioria entende errado, e eu entendi errado por um tempo. Não é dar exemplo, porque exemplo demais amarra do mesmo jeito que regra demais. É dar a coisa de verdade: um material que você aprovou, um documento que já circulou, o relatório do mês passado.
Uma referência real carrega o que você não consegue escrever, e é justamente a parte que você não consegue escrever que faz a entrega ficar boa. É essa parte.
A última pergunta é a que dá a resposta mais útil de todas, e ela nunca aparece sozinha, porque nenhum modelo abre a boca pra reclamar do arquivo que você escreveu. Você tem que perguntar.
Podar melhora o que ela já faz. Se a função que você entregou pra ela é a mais política e mais cheia de exceção da empresa, o arquivo enxuto vai só deixar o problema mais rápido de aparecer. Mais rápido, e só.
antes de fechar
Corta a primeira linha hoje, e que seja uma contradição. Toda vez que eu achei duas regras brigando aqui dentro, elas estavam brigando havia meses e eu culpava a IA. Culpava ela.
As cinco que eu pago todo mês e o trabalho que cada uma faz aqui dentro.
Eu sou sócio de dezesseis empresas e nunca programei na vida, testei muita coisa que não ficou, e o que sobrou foram cinco assinaturas. Cinco. Não são as melhores do mercado; são as cinco que continuam sendo pagas aqui depois de meses, o que é uma régua diferente e mais honesta.
Ferramenta que você usou duas vezes, achou incrível e nunca mais abriu não entra em lista nenhuma, porque entusiasmo de semana passada não conta como uso. Entra a que você abriria hoje de manhã.
É onde mora o trabalho, e não onde eu tiro dúvida: ele lê os meus arquivos, reprova roteiro pelos quatro motivos que eu cobraria de um copywriter, e roda as rotinas que me mandam relatório. Sem eu pedir.
Quando eu abro: quando o trabalho tem contexto meu dentro, porque se a tarefa não precisa saber nada sobre a minha empresa, ela também não precisa dele. Qualquer um resolve.
Uso ele pelo motivo exatamente oposto ao do Claude: é o que eu abro quando quero uma segunda cabeça que não sabe nada daqui, e que por isso não concorda comigo por hábito. Nem por educação.
Quando eu abro: pesquisa solta, primeira volta de uma ideia, e quando eu desconfio que o Claude está me dando razão rápido demais.
É o que sai da minha casa e traz coisa de fora: o que os concorrentes publicaram, transcrição de vídeo, o que está no ar em uma conta, porque sem ele a IA fica boa em opinar sobre o material que eu mesmo dou. Só o meu.
Quando eu abro: nunca sozinho. Ele é o braço que sai e busca, e quem lê o que veio continua sendo o Claude, com o meu contexto do lado. Sozinho ele não serve.
Ele fica dentro do lugar onde a empresa já escreve, e a diferença dele pros outros dois está no endereço: ele responde de dentro do lugar onde a informação já mora, sem ninguém copiar nada pra fora. Nada sai.
Quando eu abro: quando a pergunta é sobre uma coisa que o time já documentou e ninguém lembra onde. E sempre tem uma.
Ele transcreve todas as minhas reuniões, sem eu apertar nada. É a assinatura mais fácil de justificar e a que eu levaria se pudesse manter uma só, porque ela alimenta o resto: sem transcrição, a IA não tem acesso ao que a empresa combinou, e você segue sendo a única memória da operação.
Quando eu abro: não abro. Ele grava sozinho, e à noite um agente lê as transcrições do dia e me manda o que ficou pendente.
Contexto ruim é resultado ruim.
Faz a conta de padaria antes de cada uma: quantas horas por mês essa assinatura precisa devolver pra se pagar, e de quem são essas horas. Se as horas forem suas e você não sabe quanto vale a sua hora, esse é o problema anterior.
Eu vivo de conteúdo, de reunião e de decisão. Se o seu negócio é operação com estoque, atendimento em volume ou obra, três dessas cinco não fazem sentido pra você, e o dinheiro estaria melhor numa que eu nem testei. Provavelmente estaria.
O que transfere é a régua, e ela é curta: continua pagando o que você abriria de novo hoje de manhã. Só isso transfere.
antes de fechar
Abre a fatura do cartão da empresa e marca as assinaturas de IA que você não abriu nos últimos trinta dias, porque essa é a lista que interessa. E ela não é a minha.
Qual das duas abrir pra cada tarefa: o Cowork quando o trabalho vive no Outlook e no Teams, o ChatGPT Work quando é automação e ferramenta interna.
E vou te dizer pra não ser fiel a ele. Em julho a OpenAI lançou o ChatGPT Work no mesmo dia em que a Anthropic soltou o Cowork pra todo mundo, e desde então só me perguntam qual é o melhor. É a pergunta errada.
Fidelidade é o que sobra pra quem não tem repertório.
Eu já avaliei duzentos álbuns num ano. Quem faz isso não tem uma banda favorita pra tudo; tem o disco certo pra cada hora, e esta página é a tabela que eu uso pra decidir qual dos dois abrir. Tarefa por tarefa.
Essa é a novidade que os dois trouxeram junto, e ela importa mais que a comparação. Antes você mandava uma pergunta de cada vez e ia costurando as respostas na mão, e agora você diz onde quer chegar, ele mexe nos seus arquivos e volta com a coisa pronta. Pronta mesmo.
Um pedido de resultado tem esta cara: olha os números do trimestre passado e me traz as três maiores oportunidades, e repara que não tem nenhum passo escrito ali. É de propósito.
| A tarefa | Qual eu abro | Por quê |
|---|---|---|
| Escrever qualquer coisa que sai com o seu nome | Cowork | Ele pergunta antes de decidir e mostra o que está fazendo. Em texto, essa pausa é o que salva. |
| Trabalho que vive no Outlook, no SharePoint ou no Teams | Cowork | Ele escreve dentro dessas ferramentas, sem exportar nada. |
| Montar automação ou ferramenta interna | ChatGPT Work | Você define o resultado e ele já sai executando. Aqui a pressa ajuda. |
| Planilha grande, cálculo, cruzamento de dado | ChatGPT Work | Ele atravessa o volume sem pedir confirmação a cada passo. |
| Decisão que você vai defender numa reunião | Cowork | Você precisa ver o caminho, e não só o resultado. |
| Tarefa repetida, com o jeito certo já escrito | ChatGPT Work | Onde o critério já está definido, quem executa mais rápido ganha. |
| Coisa nova, que você ainda não sabe formular | Cowork | Ele te faz pergunta, e a pergunta é o que estava faltando. |
A linha que mais muda o dia é a última, e é a que a gente mais ignora: quando você não sabe o que quer, ferramenta rápida entrega rápido a coisa errada. E entrega bem feita.
Trocar de ferramenta no meio do trabalho só compensa se o contexto não ficar preso na anterior, e duas coisas resolvem isso. Só duas:
Quem está ganhando com IA hoje é quem troca de ferramenta no meio do trabalho, na frase seguinte, e não perde nada na troca. Isso é repertório.
A tabela é de agosto de 2026, e a corrida está rápida demais pra ela durar um ano. O que dura é o método: escolhe pela tarefa, guarda o contexto fora da conversa, e refaz a tabela quando alguma coisa grande mudar.
Duas assinaturas também são duas contas no fim do mês. Se o seu volume não justifica as duas, fica com a que resolve as tarefas que mais se repetem na sua semana, e não com a que ganha no comparativo. Comparativo não paga conta.
antes de fechar
Pega as cinco tarefas que mais se repetem na sua semana e escreve a sua tabela, com as suas linhas, porque ela vale mais que a minha. A semana é sua.
Os sete lugares onde uma instrução pode morar no Claude, o que vai em cada um e em que momento ele é lido.
O problema quase nunca está na regra; está em onde você escreveu ela. No Claude existem sete lugares onde uma instrução pode morar, e a maioria das pessoas usa um só, o que é a mesma coisa que entregar o manual da empresa inteira pra quem veio trocar uma lâmpada.
Instrução no endereço errado é instrução que ela ignora. E aí você culpa a IA.
Esta página é os sete, com o que vai em cada um e em que momento cada um é lido, e você não precisa usar todos eles. Precisa parar de usar um.
| Onde | Quando ela lê | O que vai aí |
|---|---|---|
| CLAUDE.md | Em toda sessão, sempre. | Só o que vale pra qualquer trabalho: quem você é, o que a empresa vende, como você escreve. |
| Regras | Quando ela encosta em determinado tipo de arquivo. | O que pode e o que não pode naquele tipo de coisa. Curto e sem explicação. |
| Habilidades | Quando aquela tarefa aparece. | O passo a passo de uma tarefa só, do começo ao fim. |
| Sub-agentes | Quando você manda abrir um. | Um trabalho paralelo que volta só com o resultado, sem sujar a sua conversa. |
| Hooks | Sozinhos, quando um evento acontece. | O que dispara sem ninguém pedir: terminou, ele te avisa no celular. |
| Estilo de saída | Enquanto você deixar ligado. | O papel que ela ocupa, de programadora pra assistente. |
| Acréscimo no prompt | Só naquela conversa. | Instrução rápida de tom ou de formato, que morre quando você fecha. |
Repara na coluna do meio, porque é ela que decide tudo: instrução que só vale numa tarefa, escrita no arquivo que abre sempre, atrapalha todas as outras tarefas do dia. Todas.
Foi assim o meu arquivo por uns bons meses. Toda vez que ela errava, eu voltava no CLAUDE.md e escrevia mais uma linha. Ele virou um documento de regra de tudo, e a consequência não é ela ficar mais obediente: é ela gastar raciocínio decidindo qual instrução ganha antes de começar o trabalho.
Pega o seu arquivo e passa três perguntas em cada linha, uma de cada vez, sem pular nenhuma. São estas:
O grupo 7 costuma ser o maior, e é o que mais melhora a entrega, porque boa parte do que a gente escreve como regra é explicação de por que a regra existe. E explicação não instrui.
Se a linha for "seja mais estratégico", ela vai ser ignorada nos sete lugares, porque endereço resolve quando a instrução aparece e não resolve o que ela diz. Isso é com você.
E os sete não precisam ser preenchidos de uma vez, nem nunca: comece por dois, o que abre sempre e a habilidade da tarefa que mais se repete. Dois bastam.
antes de fechar
Escolhe hoje uma linha do seu arquivo que só vale numa tarefa, tira ela de lá e transforma em habilidade, que é uma mudança de dez minutos. Você sente na mesma tarde.
Os cinco comandos que eu uso todo dia e a hora de chamar cada um.
Esperar ela terminar pra mandar a próxima coisa parece capricho, e não é. É você fazendo à mão o que cinco comandos resolvem. Você digita barra e o nome, e liga uma função: é atalho, não é programação, e nenhum deles exige que você saiba código.
Esta página é a lista dos cinco que eu uso, o que cada um faz e a hora de chamar cada um. Cinco, e só.
Fecha o que ficou pra trás num resumo e segue na mesma conversa. Você não recomeça e não reexplica.
A hora de chamar: quando ela erra uma coisa que já tinha acertado.
Abre o que aconteceu por baixo: o que ela chamou, o que voltou de lá e onde o caminho quebrou. O erro quase nunca está no texto dela, está três passos antes.
A hora de chamar: quando você pediu de novo, com mais cuidado, e deu errado de novo.
Resolve o defeito mais chato dele, e é um defeito de verdade: o Claude quer começar cedo demais. Você dá uma tarefa longa, ele entende metade do contexto e já sai produzindo, e uma decisão errada no começo contamina tudo que vem depois.
No modo plano ele escreve o passo a passo antes de encostar em qualquer coisa, e você lê, corrige o passo 2 e só então libera. Aí ele executa.
A hora de chamar: em qualquer tarefa que você não conseguiria refazer em cinco minutos se saísse errada.
Uma decisão errada no começo contamina tudo que vem depois.
Volta a conversa pra antes de ela quebrar alguma coisa, e desfaz junto tudo que aconteceu depois daquele ponto, sem você reconstruir nada. É o desfazer que você achou que não existia.
A hora de chamar: no minuto em que você percebe que uma mudança estragou o que estava funcionando, e antes de tentar consertar por cima, que é o que a gente faz. E é o que piora.
Este é o que eu mais uso dos cinco. Você diz onde quer chegar e ela trabalha até chegar lá, sozinha, sem te devolver a bola a cada passo. É o comando que tira você da cadeira de babá.
A hora de chamar: tarefa de muitas etapas em que o critério de pronto é claro. Se você não consegue escrever em uma frase como saberia que acabou, não é caso de goal: é caso de plan primeiro.
Plan e goal resolvem problemas opostos, e é por isso que eles combinam tão bem no mesmo trabalho. O plan te devolve o controle no começo, quando ele é barato; o goal devolve o trabalho pra ela no meio, quando ficar olhando não acrescenta nada. Nada mesmo.
Os cinco mudam como você conduz, e nenhum deles decide o que vale a pena fazer. O goal executa com a mesma disciplina o trabalho certo e o trabalho inútil, e a diferença entre os dois continua sendo sua.
antes de fechar
Roda uma tarefa hoje começando pelo plan, porque ler o passo a passo antes é a única coisa dessa lista que muda o resultado da mesma tarde. Da mesma tarde.
Os três passos pra ela assistir os vídeos que você escolher e sair sabendo fazer, com a chave do Gemini que deixa ela ver a imagem e não só ler a transcrição.
Com gente isso é óbvio e ninguém discute. Chega alguém cru, você senta junto, mostra como se faz aqui, corrige duas semanas e a pessoa começa a performar. A gente chama isso de rampar, e ninguém acha estranho.
Com IA a gente esperava que ela já viesse sabendo, e quando não vinha, trocava de ferramenta. Só que dá pra treinar, e o material de treino está de graça no YouTube. De graça.
Você treina, e agora dá pra treinar com o material que já está de graça na internet.
São três passos, e o segundo é o que muda o resultado, além de ser o que quase ninguém faz. Quase ninguém.
O Claude não assiste nada por padrão. Você instala a habilidade de YouTube, que é gratuita, e a partir dali ele lê a transcrição inteira do vídeo: cada palavra que foi dita, na ordem em que foi dita.
Já com isso ele analisa conteúdo e extrai o que o vídeo ensina, o que é suficiente pra assunto que vive em palavra, como argumento de venda ou estrutura de e-mail. Palavra basta.
Aqui está o pulo que muda o resultado. Você pega uma chave de API do Gemini, que é a IA do Google, e liga ela no Claude. O Gemini entende vídeo do YouTube nativamente, porque o Google é dono dos dois, e ele não lê só a transcrição: ele olha a imagem e escuta o áudio.
A diferença aparece em tudo que não está na fala. Corte, enquadramento, o momento em que a pessoa muda de tom, o que apareceu na tela enquanto ela falava outra coisa. Sem esse passo, você treinou alguém que leu a apostila e nunca viu ninguém trabalhando.
Aqui vira gente. Você não manda ela assistir sobre IA em geral; você escolhe um ofício e junta os dez melhores vídeos daquele ofício, seja edição de vídeo, anúncio que converte ou prospecção fria. Um assunto, dez vídeos, e ela assiste todos.
Do outro lado sai alguém que faz aquilo do jeito dos melhores, e a rampa que com uma pessoa levaria dois meses aqui dura uma tarde. Uma tarde.
O bloco 2 é o que separa treino de cópia. Quando dez vídeos discordam, alguém tem que decidir, e quem decide é você, porque é ali que a sua régua entra na habilidade dela. Você decide.
Se os dez vídeos repetem a mesma bobagem, ela vai repetir com convicção, e ela não tem como saber que é bobagem, então escolher mal os dez é contratar dez pessoas ruins. De uma vez só.
Escolhe por resultado que dá pra ver, e não por quem explica melhor, porque vídeo bom de assistir e ofício bem feito são duas coisas diferentes. Bem diferentes.
antes de fechar
Antes dos dez, faz um teste com dois: manda ela assistir os dois melhores de um trabalho que você mesmo sabe fazer. Se o que ela devolver contradiz o que você sabe, o problema está na escolha dos vídeos, e você descobriu isso barato. Bem barato.
O documento que eu colo no Claude pra tirar a cara de IA do texto, com os tiques que ele corrige um a um antes de qualquer coisa sair daqui.
E elas não estão procurando. Não é que o texto de IA seja ruim; é que ele tem tiques, e o leitor sente o tique antes de conseguir explicar qual é. Aí a sua marca paga o preço de parecer automática numa hora em que ela precisava parecer gente.
Tem um documento só que resolve isso, e ele é uma lista de proibição que fica ligada em tudo que sai daqui, em vez de um prompt esperto. Uma lista.
Lembrar da regra não é ter a regra. Se depende de alguém lembrar, uma hora ninguém lembra.
Repara que nenhum dos três é vocabulário, e é por isso que trocar a palavra chique pela simples melhora tão pouco: o que denuncia é a forma. Sempre foi.
Ela sai de dois lugares. O primeiro é o artigo da Wikipedia chamado Sinais de Escrita de IA, mantido por gente que passa o dia limpando texto de máquina de dentro da enciclopédia, o que faz dela a lista mais testada que existe. Eles apanham disso todo dia.
O segundo é um estudo que separou texto humano de texto de máquina olhando só a estrutura, sem usar nenhuma característica de estilo, e acertou 93,2%. Depois eles pegaram esse mesmo texto de máquina, passaram por uma reescrita profissional que tira clichê e frase roxa, e a detecção caiu 1,6 ponto, que é quase nada.
Mexer nas palavras quase não muda o resultado, e o que denuncia é o esqueleto.
Cola isto num arquivo e aponta ele como regra da casa, e não como habilidade que você chama quando lembra de chamar. A diferença é essa.
O documento começa com sete blocos e depois é você que alimenta. Toda vez que você ler uma entrega e pensar "isso eu nunca escreveria", abre o arquivo e escreve a proibição naquele minuto. Não depois.
O meu tem cinquenta e nove proibições hoje e começou com quatro, e as melhores não vieram de lista pronta nenhuma: vieram de coisa que me irritou numa terça. Uma de cada vez.
O documento faz o texto parar de parecer máquina. Ele não faz o texto parecer você, porque isso depende do que só você sabe: o número que você viu, o caso que você viveu, a opinião que você tem e a máquina não tem. Nada disso está nele.
A régua final não é "está bom". É: sem o seu nome em cima, qualquer um do seu mercado teria escrito isso? Se teria, ainda não é seu.
antes de fechar
Pega o último texto que a IA escreveu pra você e procura só o artigo cortado, uma coisa só, do começo ao fim. Você vai achar, e não desvê mais.
As seis linhas que eu colo no começo da conversa, uma pra cada cargo que eu preciso que ela ocupe.
Com gente isso é automático e ninguém precisa pensar. Você muda o jeito de perguntar dependendo de quem está do outro lado, e nem percebe que está fazendo isso. Com IA a gente vinha pedindo tudo igual, e recebia sempre a mesma resposta educada.
A maioria das pessoas manda a IA fazer alguma coisa. Quem tira resultado ensina ela a pensar antes de responder, e isso é uma linha só, colada no começo da conversa. Uma linha.
São seis linhas aqui, uma por modo, e cada uma é um cargo diferente que você escolhe dependendo do problema que está na sua frente. Um cargo por vez.
Pra quando você está apaixonado demais pela própria ideia, que costuma ser exatamente quando você menos quer ouvir: ele não te ajuda a melhorar. Ele procura onde quebra.
Pra quando você nem sabe direito o que perguntar. Ele para de responder e passa a perguntar, até a pergunta certa aparecer.
Pra quando você está afogado em detalhe e não consegue mais enxergar o que decide alguma coisa: ele corta a conversa e te devolve uma ou duas decisões. As que importam.
Pra quando o seguro e o óbvio já não resolvem. Ele vai no ousado, e você fica com a parte de decidir o que é ousado demais.
Pra qualquer coisa que você está aprendendo do zero. Ele para de exibir conhecimento e passa a checar se você entendeu.
Pro problema complicado, que tem partes demais e que você já adiou umas duas vezes: ele pensa como estrategista e te devolve um plano com ordem e prazo. Com prazo.
Repara que nenhum deles muda o que a IA sabe: muda o cargo que ela ocupa naquela conversa, e o cargo certo depende de onde você está quando abre o chat. Não do assunto.
| Se você está assim | Chama |
|---|---|
| Convencido de uma ideia | contra |
| Sem saber o que perguntar | entrevista |
| Cheio de informação e sem decisão | sócio |
| Repetindo o que já fez | criativo |
| Perdido num assunto novo | professor |
| Com um problema de partes demais | consultor |
A linha certa vale mais que o prompt comprido.
Trocar de modo no meio da mesma conversa embaralha, porque ela carrega o que já foi dito. Modo novo pede conversa nova.
E o modo contra é ao mesmo tempo o mais útil e o mais desconfortável dos seis, o que costuma ser a mesma coisa. Se você nunca chama ele, é por isso.
antes de fechar
Pega a decisão que você está mais convencido essa semana e roda ela no modo contra, porque é a que mais precisa e a que você menos vai querer rodar. As duas coisas.
As sete tarefas que você ainda paga, o passo a passo de cada uma no Claude, e a conta que eu faço antes de cancelar uma assinatura.
A maior economia que a IA me trouxe apareceu em software, e não em gente. A conta apareceu num lugar que ninguém olha: as assinaturas pequenas, as que passam no cartão da empresa há dois anos e que ninguém lembra de ter contratado.
São sete aqui, com o passo a passo de cada uma, e tem uma conta no fim que você faz antes de cancelar qualquer coisa, porque cancelar rápido demais sai mais caro que continuar pagando. Bem mais caro.
Você joga a gravação e ele devolve a ata com decisão, responsável e prazo. O ganho está na ata: ela sai no formato que a sua empresa usa, com a coluna de responsável preenchida. Transcrever, muita coisa já faz.
Como pedir: mande a gravação junto com uma ata antiga que você aprovou, e peça a nova no mesmo formato. Referência pronta vale mais que explicação.
Você joga a planilha exportada do Gerenciador e ele te diz qual anúncio desligar hoje. Não é o gráfico bonito; é a decisão nomeada.
Como pedir: junto com a planilha, escreva a sua régua. Custo por resultado aceitável, período mínimo antes de julgar, e o que você nunca desliga. Sem a régua, ele te devolve descrição em vez de decisão.
Ele lê tudo que os seus concorrentes publicaram no mês e devolve o que se repete, e o que era assinatura de ferramenta de monitoramento vira uma rotina. Roda toda segunda.
Como pedir: nomeie os concorrentes e diga o que você já considera batido. Sem isso ele te traz de novo o que você já sabe.
Um criativo que já funcionou vira dez versões pra testar, com o mesmo argumento por trás e a forma mudando. O argumento fica.
Como pedir: mande o criativo que funcionou e diga por que você acha que ele funcionou. Se você não disser, ele varia a parte errada e você testa dez vezes a mesma coisa.
Ele confere o texto contra as suas regras e devolve só o que ficou fora, que é o trabalho de revisor que a maioria das empresas não faz. Não tem quem faça.
Como pedir: a lista de regras precisa existir em arquivo. Revisão contra "bom senso" devolve elogio.
Você explica a tarefa falando e ele devolve o passo a passo pra outra pessoa executar sem você, que é a tarefa que todo mundo adia há dois anos. E ninguém paga por ela.
Como pedir: fale, não digite. Digitando você resume e entrega a versão apresentável; falando sai o detalhe que faz o processo servir.
O "semana que vem eu sento e documento isso" está na sua lista há uns dois anos.
Ele monta o painel que você ia pagar um desenvolvedor pra fazer, e eu nunca programei na minha vida: o meu primeiro foi um placar de pontuação. Construído numa tarde.
Como pedir: comece por um número só, o que você olha toda segunda. Painel com indicador demais ninguém abre, nem quando é de graça.
Não sai cancelando tudo amanhã de manhã. Já vi caso de empresa trocar uma ferramenta cara por uma coisa construída em casa e gastar mais no fim, porque agora alguém precisava manter aquilo de pé.
Faz a conta de padaria em três linhas, antes de mexer em qualquer assinatura, e ela leva cinco minutos. São estas:
E tem um caso em que a conta nem precisa ser feita: quando você está pagando por dez por cento do que a ferramenta faz, e os outros noventa nunca foram abertos por ninguém do seu time. Aí a conta já está feita.
Cobrança, contrato, folha, o que tem obrigação legal em cima. Ali o que você paga é alguém sendo responsável quando der errado, e não a função em si, e responsabilidade a sua construção caseira não te dá. Nem por procuração.
antes de fechar
Abre a fatura do cartão da empresa e marca as assinaturas que ninguém abriu nos últimos trinta dias, e roda a conta de padaria só na mais cara delas. Uma por mês já muda o ano.
Os cinco funcionários, um pra cada função que o seu negócio já tem, e a regra de quem confere o trabalho de quem.
Dá pra montar um time de cinco funcionários de IA que roda o seu negócio, e não precisa saber programar pra isso. Eu nunca programei.
A lógica é uma só, e ela é de gestão: um funcionário pra cada função que o seu negócio já tem. Você não está inventando cargo; está olhando o que já existe e perguntando o que aqui pode parar de depender de você.
São cinco funcionários, e tem uma regra no fim, uma só, que decide se isso vira operação ou vira bagunça. Só uma regra.
Varre as suas fontes toda manhã e deixa o primeiro contato escrito esperando você aprovar, e ele não manda nada. O botão de enviar é do dono.
O que ele precisa saber: quem é cliente bom pra você, quem não é, e o que já foi conversado com quem.
Escreve o que sai da empresa, dentro das suas regras. É o que eu já tenho rodando aqui, e foi por onde eu comecei, porque é a função em que eu bato o olho e sei em segundos se ficou boa.
O que ele precisa saber: como você escreve, o que já foi publicado, e o que foi reprovado antes.
Responde de hora em hora pra negociação não esfriar enquanto você está em reunião, porque o custo de uma resposta que demora seis horas não aparece em relatório nenhum. E é caro.
O que ele precisa saber: preço, condição, o que dá pra negociar, e a partir de onde ele para e te chama.
Passa uma vez por dia em tudo que está na mão de cliente e te diz o que travou, e ele não resolve nada. Ele aponta antes do cliente.
O que ele precisa saber: qual é o prazo de cada coisa e o que conta como atraso na sua empresa.
Nota, custo, e quanto sobra no fim do mês. É o leva pra casa, que é o quanto sobra pra você realmente botar no bolso, e é o indicador que quase ninguém acompanha de perto.
O que ele precisa saber: onde estão os números e qual é a conta que você usa hoje, mesmo que seja no papel.
Esta é a parte que faz o time não virar bagunça, e ela é regra de gestão, não de IA. Toda entrega passa por um segundo funcionário, que recebe a ordem de assumir que aquilo já está errado e procurar onde.
Sem isso você monta cinco funcionários que se elogiam; com isso você monta cinco que se conferem, e essa é a diferença entre um time e uma claque. Só isso.
Confie, mas verifique. Vale pra gente e vale pra máquina.
E toda reprovação vira regra escrita, no arquivo da função, porque sem isso o mesmo erro volta toda semana e você acha que é azar. Não é azar.
Tráfego é o caso mais claro. A Ellen Salomão, minha sócia, tem o gestor de tráfego dela rodando como um sistema de IA que ela chama de Bella, e a Bella é vários funcionários dentro de uma função só. Um funcionário mexe na verba de madrugada e pausa o criativo que caiu, outro escreve criativo novo, e outro monta a variação da página. Nenhum desses funcionários sobe nada pro ar sem a Ellen aprovar.
A lógica é a mesma dos cinco funcionários de cima, só que um andar abaixo: quando uma função tem pedaços que pedem critérios diferentes, cada pedaço ganha o próprio funcionário, com o próprio documento. E a regra do segundo funcionário vale do mesmo jeito. No caso da Bella, quem confere é a Ellen.
Montar os cinco de uma vez é a forma mais rápida de não ter nenhum. Escolhe um, e não escolhe pela importância: a função mais importante costuma ser a mais cheia de exceção, a mais política e a que mais dói se sair errada.
Escreve como você explicaria essa função pra alguém que entra na sua empresa na segunda-feira, feio e corrido, em tópicos, do jeito que sair. Esse texto é o funcionário.
Eles executam função, e nenhum deles decide qual função deveria existir, nenhum percebe quando o mercado mudou, e nenhum vai te dizer que o negócio inteiro precisa mudar de rumo.
O seu papel continua sendo o de alocador de recursos: pessoas, dinheiro, tempo e a sua própria atenção. O time de cinco muda o que você aloca. Não muda quem aloca.
antes de fechar
Escolhe a função hoje e escreve o documento dela ainda essa semana, mesmo feio, porque o primeiro funcionário sai do documento, e o documento é a parte que a gente adia. Sempre adia.
As três peças que transformam o vídeo que você salvou em habilidade da sua IA.
A pasta de salvos é a lista de coisas que você pretendia aprender. Ela cresce toda semana, ninguém volta nela, e a culpa é do formato: salvar é um clique e executar é uma tarde, então o clique ganha sempre. Ganha todo dia.
Conteúdo salvo é intenção guardada numa pasta. Vira conhecimento quando alguém executa.
Aqui a pasta virou ferramenta: eu mando o reel pro Claude e ele me devolve uma habilidade pronta, que faz aquilo que o vídeo ensinava. Em vez de anotação, um botão.
São três peças, e a terceira é a que quase ninguém conhece, além de ser a que fecha o circuito. Sem ela não fecha.
Um programa de linha de comando que pega o vídeo pra fora do Instagram, e você manda o Claude instalar. Não precisa entender o que ele faz por dentro; precisa que ele exista, porque nada acontece enquanto o vídeo estiver preso lá dentro.
Do Instagram até o Claude vai só o link. Abre o reel salvo, toca no ícone de compartilhar e em "Copiar link". Como o baixador roda no computador e a sua pasta de salvos está no celular, manda esse link pra você mesmo por WhatsApp ou e-mail, abre a conversa com o Claude lá e cola. Você entrega o endereço; o baixador busca o vídeo.
O que pedir: peça pro Claude instalar o baixador e testar com um link seu antes de qualquer outra coisa. Se o teste falhar, para aqui: as outras duas peças dependem desta.
Transforma o que foi dito em texto, com as instruções na ordem em que apareceram, e é aqui que o vídeo deixa de ser vídeo. Vira material.
O que pedir: peça a transcrição junto com a legenda do post. A legenda costuma trazer o link, o nome da ferramenta e o passo que a pessoa não falou em voz alta.
O Claude tem uma habilidade cuja função é escrever outras habilidades. Você entrega a transcrição e ela devolve a ferramenta pronta, com o passo a passo dentro, no formato que ele sabe usar depois.
É a peça que muda o resultado, porque sem ela você tem um resumo do vídeo, que é exatamente o que você já tinha quando salvou. Um resumo.
A pergunta 1 é o filtro, e ela reprova bastante coisa: metade do que a gente salva é vídeo de opinião com cara de tutorial, e essa metade não vira ferramenta. Nenhuma.
Antes você salvava pra ver depois, ou mandava pro amigo que também não ia ver. Agora você manda pro seu Claude e ele estuda, e a próxima vez que aquele trabalho aparecer, a habilidade já está lá. Esperando.
E a pasta velha não precisa ser resolvida de uma vez. Pega os cinco últimos que você salvou e roda só neles. Se três virarem habilidade e dois forem reprovados na pergunta 1, o processo está funcionando.
O vídeo ensina como aquela pessoa faz, com o negócio dela e os clientes dela. A habilidade que sai dali entra aqui como rascunho: você lê, corta o que não vale pra sua operação e acrescenta a sua régua. Sempre nessa ordem.
Habilidade importada e nunca revisada é você deixando alguém que não conhece a sua empresa escrever o processo dela. Alguém de fora.
antes de fechar
Faz com um só hoje, e escolhe um que você salvou faz tempo, porque se ele passar na pergunta 1 você acabou de recuperar uma coisa que já estava perdida. Na sua pasta.
Os quatro arquivos prontos pra colar, o que cada linha faz, e a ordem em que eu mexeria nas cinco.
Você abre o Claude Code e ele já está pronto pra receber ordem, o que parece bom e é o problema: nesse momento ele não conhece o seu projeto, não sabe o que você considera entrega boa e não sabe quais arquivos são proibidos. Ele começa no padrão de fábrica.
São cinco configurações, e é o que eu mexo antes de pedir a primeira coisa. Nenhuma delas é programação, todas moram em arquivo de texto, e os quatro arquivos estão aqui embaixo prontos pra colar, porque duas delas dividem o mesmo settings.json. Leva vinte minutos.
Aquele texto que você cola cinco vezes por dia pra pedir sempre a mesma coisa não precisa ser colado nunca mais, e ele vira um comando com o nome que você quiser. Cria a pasta e o arquivo abaixo, e a partir daí você digita só a barra e o nome.
Escreve uma vez e roda pra sempre, e o nome da pasta é o nome do comando, então uma pasta chamada revisar vira o comando /revisar. Uma vez só.
Ninguém revisa bem o próprio trabalho, e com ele é igual, porque a mesma conversa que escreveu carrega todos os motivos de achar que aquilo ficou bom. Um arquivo na pasta de agentes resolve isso, e o revisor abre numa conversa nova, sem nada do que já foi dito.
Confie, mas verifique. Vale pra gente e vale pra máquina.
Você está gastando o modelo caro em trabalho braçal, e isso não é questão de gosto: raspar dado e arrumar documento pede o modelo rápido, e decisão difícil pede o caro. Um arquivo de configuração dentro de cada projeto resolve, dizendo qual modelo aquela pasta usa.
E aqui tem uma coisa que quase todo mundo escreve errado, inclusive eu, até conferir na documentação. Em Pro, Max e Team o uso já está incluído na assinatura, e a própria Anthropic avisa que o valor em dólar que o Claude Code mostra não vale pra cobrança. Você não paga a mais por usar o modelo caro. Você chega no limite mais cedo.
E tem um detalhe que muda a decisão de quem já está batendo no teto: o limite da janela de cinco horas e o limite semanal são compartilhados entre todos os modelos, então trocar de modelo não salva quem já bateu neles. O que se contorna trocando é o limite específico do Opus.
Antes de soltar a mão, escreve o que fica proibido, e proibido de verdade: apagar em massa, rodar como administrador, abrir o arquivo onde moram as suas senhas, porque é a única lista que vale em qualquer modo, inclusive naquele que aprova tudo sozinho. Em qualquer um.
Ela também não se desfaz por baixo. As regras de permissão se somam entre os níveis, e uma liberação escrita num arquivo mais específico não derruba uma proibição escrita acima. Proibiu, ficou proibido.
Se você quiser a lista pensada por escrito, antes de conectar qualquer ferramenta nova, ela está em A Lista do Não. Esta é a que ele lê.
Um CLAUDE.md na raiz do projeto é lido no começo de toda conversa, antes de você pedir qualquer coisa, e é ali que mora o que você explicaria pra alguém que entra na empresa na segunda-feira. O comando /init escreve um primeiro rascunho lendo o seu projeto, e depois você corta e acrescenta. Corta bastante.
Preenche os colchetes falando, não digitando, porque digitando você entrega a versão apresentável e falando sai o detalhe que faz o arquivo servir. E se ele erra a mesma coisa toda semana e ninguém mudou este arquivo, o problema parou de ser dele.
O modelo do ajuste 03 e a lista do ajuste 04 ficam os dois no settings.json, e é este arquivo aqui. O de cima vai dentro do projeto, em .claude/settings.json, e vale só naquela pasta; o de baixo vai em ~/.claude/settings.json, na sua pasta de usuário, e vale em tudo.
O que cada linha faz, já que o arquivo não pode dizer sozinho:
| A linha | O que ela resolve |
|---|---|
| model, com o Haiku | A pasta de trabalho braçal roda no modelo rápido. Troca por claude-sonnet-5 no projeto do dia a dia e por claude-opus-5 no de decisão difícil. |
| Bash(rm -rf:*) | Apagar em massa. É a que não tem desfazer, e é por isso que ela é a primeira. |
| Bash(sudo:*) | Rodar como administrador da máquina. |
| Read(./.env) | O arquivo onde ficam as senhas e as chaves do projeto. |
| Read(./**/*.pem) | Certificado e chave privada, em qualquer subpasta. |
Uma coisa que vai te economizar meia hora: este arquivo é JSON puro e não aceita comentário. Se você colar uma linha de explicação dentro dele, com barra ou com cerquilha, o Claude Code não carrega o arquivo e não avisa direito. Por isso a explicação está na tabela e não no arquivo. O pedido pra aceitar comentário existe, está aberto no repositório desde fevereiro, e até hoje não entrou. Segue aberto.
Instrução no endereço errado é instrução que ela ignora.
As outras três rendem mais depois que essas duas estão de pé, e não antes, porque comando próprio sem CLAUDE.md é atalho pra uma entrega que ainda vai voltar. Volta sempre.
As cinco mudam como ele trabalha, o quanto ele acerta de primeira e o tamanho do estrago quando erra. Nenhuma delas decide o que vale a pena ele estar fazendo, e esse continua sendo o seu problema. Também é o mais caro.
antes de fechar
Faz a lista do não hoje, mesmo com três linhas, porque é a única das cinco que você vai desejar ter feito antes, e vai ser num dia ruim. Num dia ruim.
O pedido que lê o seu extrato e lista toda cobrança que se repete, e a planilha com as 6 perguntas que eu faço antes de pagar mais um software.
Aqui na empresa a gente paga uns R$ 4 mil por mês numa ferramenta de gestão de projetos, uns R$ 50 mil por ano, e a conta sobe a cada pessoa que entra no time.
Software pequeno é o pior, porque cada um parece barato sozinho. Somados, viram um ralo que ninguém da empresa enxerga, porque cada cobrança mora num lugar diferente do extrato.
Este material tem duas partes: o pedido que acha as cobranças que se repetem, e a planilha que decide o que fica.
Baixe o extrato do banco e a fatura do cartão da empresa dos últimos 3 meses, em PDF ou planilha. Três meses é o mínimo pra uma cobrança mensal aparecer repetida.
Se preferir, apague o número da conta e o CPF antes de enviar. O pedido abaixo só precisa das datas, das descrições e dos valores.
Abra uma conversa nova no Claude, anexe os extratos e cole o pedido:
Funciona no Claude do site ou do aplicativo, no plano que você já tem.
Com a lista na mão, faço 6 perguntas pra cada cobrança. As três primeiras são sobre o trabalho, e as outras três sobre o dinheiro e o time. Cole este segundo pedido na mesma conversa:
Nem todo software vale trocar. Aqui o Zoom fica, e o Linktree de R$ 19,90 fica: a conta não fecha pra construir uma coisa que custa isso.
Se ninguém da empresa vai ficar responsável quando aquilo quebrar, não constrói.
Se você vende acessório pra pet, não abre uma empresa de software dentro da sua. Use a planilha pra cortar o que sobra e pra achar a uma ou duas ferramentas que valem virar sistema próprio.
Como ensinar o seu jeito de escrever pra IA: a pasta de exemplos, o pedido que escreve as suas regras e o hábito que mantém as regras vivas.
O rascunho dos meus roteiros é da IA, e texto com cara de IA a gente reconhece na primeira linha: "obviamente", "uma frase que mudou tudo", "não é sobre X, é sobre Y". Ninguém fala assim, e o cliente percebe antes de saber explicar o porquê.
A IA não adivinha o seu jeito. Ela segue o que está escrito, e se o seu padrão não está escrito em lugar nenhum, pra IA ele não existe.
Separe 10 textos seus que você aprovaria hoje sem mexer: post, e-mail, mensagem pra cliente. Separe também 3 ou 4 textos que você reprovou ou reescreveu, de preferência com a versão antes e a depois.
Os aprovados mostram o que fazer. Os reprovados mostram o que a IA precisa evitar, e são eles que mais ensinam.
Numa conversa nova, cole os exemplos e este pedido:
Revise o documento, corte o que não é seu, e salve nas instruções do projeto no Claude, ou num arquivo que você anexa toda vez que pede um texto. O ponto é a IA ler as regras antes de escrever, e não depois.
As minhas, pra você ter uma ideia do tamanho de cada regra:
Esta é a parte que mantém o padrão vivo. Toda vez que eu corrijo um texto da IA, a correção vira uma linha nova nas regras, e o próximo texto já nasce com ela. Quando corrigir, cole este pedido:
Se não tiver escrito, pra IA não existe.