quem escreve

Lucas Puerto

CEO da PallurSócio da Craft

Lucas Puerto

Eu gerencio negócios digitais há 10 anos. Antes de virar CEO eu tinha juntado R$3,3 milhões de prejuízo, e virei CEO dias depois de demitir um terço da equipe num dia só. Aprendi do jeito caro o que acontece quando toda decisão passa pelo dono.

Hoje sou CEO da Pallur, uma aceleradora com 16 empresas que, somadas, faturaram R$185 milhões no último ano. E toco a Craft com o meu sócio Vinhas. Em 2025 ela cresceu 111%. A meta era 87%.

Eu nunca programei na minha vida. Zero. Mesmo assim, hoje a maior parte do meu dia é colocar IA pra fazer o trabalho que antes passava por mim, pra empresa depender menos do dono. Foi assim que eu aprendi o que funciona de verdade e o que é só promessa. Os materiais desta página saem daí. A newsletter também.

Fora do trabalho: casado, 2.600 dias seguidos de meditação e 309 livros grifados. Uma parte do que eu leio acaba nas cartas.

onde eu publico

Toda quinta eu conto o que rodou aqui.

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materiais gratuitos

O que eu já uso
aqui dentro

Tudo aqui eu montei pra mim ou pra uma das empresas, e continua rodando. Prompt, tabela, passo a passo. Você abre, copia e testa hoje. Quando eu montar mais um que valha a pena, ele entra na lista.

prompt pronto·tabela·passo a passo· prompt pronto·tabela·passo a passo· prompt pronto·tabela·passo a passo· prompt pronto·tabela·passo a passo·
O que você leva
Tema

8 materiais

toda quinta

Material novo chega primeiro por e-mail.

Quando sobe mais um, eu aviso por lá. E junto vai a carta da semana: o que eu aprendi com IA, o que eu tô construindo e o que quebrou no caminho.

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Cartas de um Sócio · toda quinta

O que eu te contaria
se a gente fosse sócio

Toda quinta eu escrevo sobre o que eu aprendi com IA naquela semana, o que eu tô construindo com ela aqui dentro e o que deu errado no caminho. Escrevo eu mesmo, de dentro de 16 empresas que faturaram R$185 milhões no último ano. Dá pra ler no tempo de um café.

o que eu tô construindo·o que quebrou·quanto sobrou· o que eu tô construindo·o que quebrou·quanto sobrou· o que eu tô construindo·o que quebrou·quanto sobrou· o que eu tô construindo·o que quebrou·quanto sobrou·

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como é uma carta

01
Começa pelo que aconteceu

Pelo que rolou na semana aqui dentro, do jeito que eu contaria pra um sócio. A lição vem depois da história.

02
Tem número

Decisão no achômetro não entra. Toda decisão que eu conto vem junto com o número que me fez tomar ela.

03
Conta o que quebrou

A parte boa é fácil de contar. A carta conta o que eu errei, o que a IA ainda não dá conta e o que custou caro. É onde eu mais aprendo, e é a parte que eu mais gosto de escrever.

04
Termina com uma pergunta

Pra você. Responde se fizer sentido, eu leio. E quando sobe material novo, quem recebe a carta fica sabendo antes.

Eu passei muito tempo tomando decisão sozinho. Algumas deram muito certo. Outras custaram caro. E agora eu abro o jogo com você, do jeito que eu contaria pra um sócio.

Pode me contar
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prompt pronto

O Conselho

Como fazer a IA discordar de você antes de uma decisão cara.

Antes de tudo

Um teste de um minuto

Pega uma decisão que você está adiando. Preço, contratação, produto novo, qualquer uma. Abre o ChatGPT e pergunta: "devo subir o preço da minha mentoria?". Ele vai te dar bons motivos para subir. Agora abre um chat novo e pergunta: "subir o preço da minha mentoria seria uma má ideia?". Ele vai te dar bons motivos para não subir.

Mesma empresa. Mesma decisão. Duas respostas opostas, ditas com a mesma confiança.

A IA responde ao formato da sua pergunta. Ela percebe para onde você está inclinando e vai junto. Para escrever e-mail, isso serve. Para decisão de dono, é um risco: você sai da conversa mais confiante, e a decisão segue sem ter sido contestada por ninguém.

O que decidir sem contraditório já me custou

A gente fechou o que na época era o maior negócio do digital brasileiro: lançar o curso do maior youtuber do país. R$2 milhões pagos antecipadamente. A previsão mais pessimista que existia na mesa era vender 20 mil cursos. No primeiro dia, vendemos 846.

Vinte meses depois, o prejuízo acumulado tinha chegado a R$3,3 milhões, e eu desliguei 10 pessoas no mesmo dia, aos 28 anos, como CEO.

Repara no detalhe: a previsão pessimista era 20 mil. Será que o problema foi a aposta? Ou foi ninguém na mesa ter a função de procurar o furo da conta?

De onde vem a ideia

Andrej Karpathy é um dos pesquisadores de IA mais respeitados do mundo. Foi diretor de IA da Tesla e fez parte da fundação da OpenAI. Ele montou um sistema que chamou de LLM Council: em vez de perguntar para uma IA, ele pergunta para várias ao mesmo tempo, faz cada uma revisar as respostas das outras sem saber quem escreveu o quê, e uma última cruza tudo e entrega o veredito.

O que você está lendo é a adaptação disso para decisão de negócio. Roda dentro de um chat só, sem programar nada, com o prompt pronto logo abaixo. A gente chama de Conselho.

O método

Os cinco conselheiros

Cinco conselheiros olham para a mesma decisão, cada um com uma obsessão diferente.

1
O Contrário parte do princípio de que a sua decisão tem um furo grave, e o trabalho dele é achar esse furo. Se tudo parece sólido, ele cava mais fundo. É o papel do amigo que já te salvou de um contrato ruim fazendo a pergunta que você estava evitando.
2
O Zero ignora a pergunta do jeito que você fez e refaz do começo: que problema você está tentando resolver de verdade? Às vezes a resposta mais valiosa da rodada inteira é descobrir que a decisão era outra.
3
O Ambicioso procura o ganho que ninguém está medindo. O que acontece se der mais certo do que o esperado? Que oportunidade vizinha está passando despercebida? Risco é assunto do Contrário. O Ambicioso só olha para cima.
4
O De Fora não conhece você, o seu mercado nem o seu histórico. Responde só ao que está escrito. Parece o conselheiro mais fraco da mesa e costuma ser o mais valioso, porque quem passa anos dentro de um mercado perde a noção do que só faz sentido para quem está dentro.
5
O Executor quer saber duas coisas: se dá para fazer, e qual é o primeiro passo concreto na segunda-feira de manhã. Ideia brilhante sem primeiro passo claro não passa por ele.

Por que esses cinco? Porque eles brigam entre si. O Contrário puxa para o risco enquanto o Ambicioso puxa para o ganho. O Zero quer repensar tudo enquanto o Executor quer executar logo. E o De Fora mantém os quatro honestos.

O funcionamento

As quatro etapas

Etapa 1. A pergunta vira uma pergunta neutra. Antes de qualquer conselheiro responder, a sua pergunta é reescrita sem a sua inclinação embutida: a decisão, o contexto, o que está em jogo. Sem torcida.

Etapa 2. Os cinco respondem separados. Nenhum vê a resposta dos outros, e nenhum tenta ser equilibrado. Cada um defende o próprio ângulo com força. O equilíbrio vem depois, no cruzamento.

Etapa 3. Revisão cega. As cinco respostas são embaralhadas e renomeadas de A a E. Cada conselheiro aponta qual é a mais forte, qual tem o maior ponto cego, e o que todas as cinco deixaram passar. Essa última pergunta paga a rodada inteira: o que ninguém viu costuma ser a informação mais importante da mesa.

Etapa 4. O veredito do presidente. Um último agente recebe tudo e entrega: onde o conselho concorda, onde o conselho briga, o que só apareceu na revisão cega, a recomendação (uma resposta direta, sem "depende") e a primeira coisa a fazer. Uma só. E o presidente pode discordar da maioria, se o argumento do voto vencido for melhor.

A regra do contexto

Quanto mais concreto o que você escrever na hora de descrever a decisão, menos genérico o conselho. Faturamento, margem, tamanho do time, prazo, o que acontece se der errado. Contexto ruim é resultado ruim. Uma decisão descrita em duas linhas rende um conselho de duas linhas.

A ferramenta

O prompt pronto

Abra um chat novo no ChatGPT, no Claude ou no Gemini. Copie o bloco inteiro abaixo, preencha o colchete com a sua decisão e envie.

Você vai conduzir um CONSELHO com 5 conselheiros para me ajudar a tomar uma decisão de negócio. Siga as 4 etapas na ordem, sem pular nenhuma. MINHA DECISÃO: [descreva a decisão com contexto e números reais: o que você vende, faturamento mensal, margem se souber, tamanho do time, as opções na mesa e o que acontece se der errado] ETAPA 1: PERGUNTA NEUTRA Reescreva a minha decisão como uma pergunta neutra, sem a minha inclinação. Inclua: a decisão, o contexto essencial e o que está em jogo. Se o meu relato estiver vago demais para um conselho sério, me faça no máximo 2 perguntas antes de continuar. ETAPA 2: OS 5 CONSELHEIROS Responda como cada um dos 5 conselheiros abaixo, de forma independente (um não cita o outro). Cada um escreve entre 150 e 250 palavras, defendendo o próprio ângulo com força, sem tentar ser equilibrado. 1. O CONTRÁRIO: parte do princípio de que a decisão tem um furo grave e procura esse furo. O que está faltando? O que vai quebrar? Que pergunta estou evitando? 2. O ZERO: ignora a pergunta como foi feita e refaz do começo: que problema eu estou tentando resolver de verdade? A decisão certa pode ser outra. 3. O AMBICIOSO: procura o ganho que ninguém está medindo. E se der mais certo do que o esperado? Que oportunidade vizinha está escondida? Risco não é assunto dele. 4. O DE FORA: responde como alguém que não conhece o meu mercado nem o meu histórico, só o que está escrito acima. O que confunde? O que só faz sentido para quem já está dentro? 5. O EXECUTOR: só quer saber se dá para fazer e qual é o primeiro passo concreto de segunda-feira de manhã. Teoria não conta. Plano sem primeiro passo não passa. ETAPA 3: REVISÃO CEGA Renomeie as 5 respostas como Resposta A, B, C, D e E, em ordem aleatória, sem revelar qual conselheiro escreveu qual. Cada um dos 5 conselheiros então responde, em até 150 palavras: a) qual resposta é a mais forte, e por quê; b) qual resposta tem o maior ponto cego, e qual é ele; c) o que TODAS as cinco respostas deixaram passar. ETAPA 4: VEREDITO DO PRESIDENTE Revele quem escreveu o quê e, como presidente do conselho, entregue o veredito final nesta estrutura: ONDE O CONSELHO CONCORDA: os pontos em que vários conselheiros chegaram sozinhos à mesma conclusão. ONDE O CONSELHO BRIGA: as divergências reais, com os dois lados apresentados. O QUE SÓ APARECEU NA REVISÃO CEGA: os pontos cegos que nenhum conselheiro viu sozinho. A RECOMENDAÇÃO: uma resposta direta, com o raciocínio. "Depende" não é resposta. Você pode discordar da maioria se o argumento do voto vencido for melhor, explicando por quê. A PRIMEIRA COISA A FAZER: um único próximo passo concreto. Um só.

Funciona em qualquer IA de conversa. Guarde este link salvo em algum lugar à mão.

O uso

Quando convocar (e quando não)

Convoca quando errar sai caro: subir ou baixar preço, contratar ou cortar, matar um produto, abrir uma segunda oferta, trocar de agência, mudar o posicionamento. Uma conta de padaria resolve a dúvida (conta de padaria é a estimativa grosseira, boa o suficiente para decidir): se errar custa menos de um dia de trabalho, decide e segue. Se errar custa meses ou o equivalente a uma folha de pagamento, convoca o conselho.

Não convoca para tarefa de execução. Escrever um e-mail, resumir uma call, montar uma planilha. Isso é trabalho para uma IA só, sem cerimônia.

E a regra que mais importa: só rode o conselho se estiver disposto a ouvir o contrário do que você quer ouvir. Se a decisão já está tomada e você só quer companhia, o conselho vai te incomodar. Ele existe para isso.

O limite da ferramenta

O conselho melhora a decisão desta semana. Mas ele roda em cima do contexto que você escreve, e aí mora o limite: a IA só contesta o que você contou para ela. O número que você não acompanha, a margem que você não sabe dizer, o problema que dentro da sua empresa ainda aparece com outro nome. Isso nenhum conselheiro pega, porque nem você entregou.

Quantas decisões da sua empresa passam por algum conselho, e quantas passam só pela sua cabeça?

antes de fechar

Agora você tem cinco conselheiros. O problema é que eles só trabalham quando você lembra de chamar.

Eu montei esse conselho porque decidir sozinho cansa. Você olha em volta na hora de bater o martelo e não tem ninguém ali com a mesma pele no jogo que a sua.

Cartas de um Sócio · toda quinta

Toda quinta eu escrevo uma carta. É o que eu contaria pra um sócio no fim da semana. O que tá funcionando aqui, o que quebrou, e o que eu ainda não sei resolver.

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passo a passo

O Segundo Cérebro

O passo a passo e os prompts pra montar uma base que responde com fonte.

Antes de tudo

Você viu o vídeo. Agora é a sua vez.

Eu tenho 309 livros grifados, e o Claude conversa com todos eles. Reunião, artigo, gravação, anotação, tudo dentro de uma base que responde apontando de onde veio cada ideia. Esta página é o caminho pra você montar a sua, começando com uma fonte só.

Primeiro você coloca o conhecimento dentro da casa. Depois você organiza a casa.

Essa é a regra que segura tudo. Quem começa criando 15 pastas e 40 tags desiste antes de colocar o primeiro livro.

As duas ferramentas

Obsidian é onde a base mora. Ele guarda tudo em pastas e arquivos de texto simples no seu computador, o que importa aqui: o material é seu, fica com você e qualquer programa consegue ler. É gratuito, em obsidian.md.

Claude é quem trabalha na base. Ele lê as fontes, organiza a wiki e responde às perguntas citando de onde tirou. Você vai usar o Claude pra computador, em claude.ai/download.

Baixa os dois antes de continuar.

Passo 1

Crie a pasta Fontes brutas

Quando o Obsidian abrir pela primeira vez, ele pede pra criar um cofre (vault). Cofre é só uma pasta no seu computador. Cria com o nome que quiser.

Dentro dele, cria uma pasta chamada Fontes brutas. Livros grifados, artigos, transcrição de call, gravação, anotação sua. Tudo entra aqui, do jeito que estiver. Não organiza nada ainda.

Passo 2

Coloca a primeira fonte

No meu caso, comecei pelos livros. Os grifos do Kindle ficam em read.amazon.com/notebook: abre lá, copia os grifos de um livro e salva como um arquivo de texto dentro de Fontes brutas, um arquivo por livro.

Não tem Kindle? Serve qualquer coisa: a transcrição da sua última reunião (Meet e Zoom exportam), um artigo que marcou você, uma anotação solta. E eu já sei o que você está pensando. "Ah, Lucas, mas eu não tenho 309 livros." Beleza. Começa com um.

A base não nasce grande. Ela fica grande sendo usada.

Passo 3

Apresenta o Claude à casa

Abre o Claude pra computador e dá a ele acesso à pasta do seu cofre (ele pergunta em qual pasta você quer trabalhar). Se você usa o Claude Code, abre ele já dentro da pasta.

Não adianta jogar os arquivos e esperar que ele saiba o que fazer. Contexto ruim é resultado ruim. Então a primeira conversa é pra dar o contexto da base. Copia este prompt, preenchendo o colchete:

Você vai trabalhar comigo em uma base de conhecimento pessoal, o meu segundo cérebro. Antes de qualquer tarefa, leia e siga estas regras. O QUE É ESTA BASE: [descreva em 2 ou 3 linhas: quem é você, o que faz e pra que quer usar a base] AS PASTAS: - "Fontes brutas": o material original (livros grifados, artigos, transcrições, gravações, anotações). Nunca edite nem apague nada aqui. - "Wiki": o conhecimento organizado que você vai criar a partir das fontes. REGRAS: 1. A Wiki é interpretação. A fonte é o original. Todo texto da Wiki aponta para o arquivo de onde veio. 2. Toda resposta que você me der usando a base cita a fonte (o livro, a reunião ou o arquivo). Se a base não tiver a resposta, diga isso em vez de completar com conhecimento genérico. 3. Uma nota da Wiki por assunto, escrita simples, com links para as notas relacionadas. 4. Não invente conteúdo que não está nas fontes. Salve estas instruções em um arquivo chamado "contexto-da-base.md" na raiz do cofre e releia esse arquivo no início de cada sessão de trabalho.
Passo 4

Manda ele construir a Wiki

Agora o Claude vai transformar o material em conhecimento organizado. Copia este prompt:

Leia o contexto-da-base.md e depois leia tudo que está na pasta "Fontes brutas". Monte a pasta "Wiki" a partir desse material: 1. Liste os grandes assuntos que aparecem nas fontes. 2. Crie uma nota por assunto, resumindo o que as fontes dizem sobre ele, com as ideias mais importantes primeiro. 3. Em cada trecho, cite de qual fonte a ideia veio. 4. Quando duas fontes falarem do mesmo assunto, conecte as notas e aponte onde elas concordam e onde divergem. 5. No final, crie uma nota "MAPA.md" com o índice de tudo que a Wiki cobre. Comece me mostrando a lista de assuntos antes de criar as notas, para eu aprovar.

Você termina com duas pastas: Fontes brutas, onde está o material original, e Wiki, onde está o conhecimento organizado. E não apaga as fontes. A wiki é a interpretação daquele material. A fonte continua lá pra você conferir.

Passo 5

Faz a primeira pergunta

Aqui a base começa a pagar. Pergunta alguma coisa que você já estudou:

Leia o contexto-da-base.md. MINHA PERGUNTA: [sua pergunta] Responda usando só o que está na base (Wiki e Fontes brutas). Para cada parte da resposta, diga de qual fonte ela veio. Se a base não cobrir a pergunta, me diga o que falta em vez de responder com conhecimento genérico.

Quando eu pergunto "o que os livros que eu li falam sobre posicionamento?", a resposta não vem da internet. Vem do Obviously Awesome, da April Dunford, do Positioning, do Al Ries, e de uma call de mentoria que eu tive. Com o endereço de cada parte.

Essa é a regra que separa uma base de conhecimento de um chat qualquer: toda resposta aponta pra fonte. Essa ideia veio desse livro. Essa outra veio daquela reunião. Você clica e confere.

Passo 6

Coloca de volta

Quando você descobre algo novo, ou a base responde uma pergunta e você aprende com ela, isso volta pra dentro:

Aprendi uma coisa nova que quero guardar na base. O QUE É: [cole a ideia, a decisão ou o trecho] DE ONDE VEIO: [reunião de tal dia, livro X, conversa com tal pessoa] Salve na pasta certa, conecte com as notas da Wiki que tratam do mesmo assunto e me diga o que você atualizou.

O ciclo fica assim: você consome, coloca na base, a IA organiza, você pergunta, encontra a fonte, aprende algo novo, coloca de volta. A base vai ficando melhor com o uso.

O destino

Da sua cabeça pra sua empresa

Eu não colocaria só livro. Processo, reunião, decisão, gravação de call, pesquisa, critério de qualidade. Aquela explicação que você já deu cinco vezes? Coloca. O processo que só você sabe executar? Coloca.

Conhecimento que mora na cabeça de uma pessoa some quando ela sai de férias, muda de área ou pede demissão. Numa base, ele fica: responde a pergunta, mostra de onde veio a resposta e continua disponível quando você não está.

A camada que quase todo mundo pula

A lista das suas fontes

Aqui é onde não adianta copiar a minha. A minha base está ligada nas minhas reuniões, nos meus números, nos meus clientes. Se você pegar a estrutura e não ligar nas suas fontes, você montou uma enciclopédia bonita que não serve pra decidir nada.

Então, antes de continuar enchendo a pasta, para e escreve a lista: onde está hoje o que a sua empresa sabe. Não o que ela deveria saber, o que ela sabe. Costuma estar em seis lugares, e quase sempre em ordem inversa de importância:

1
A sua cabeça. O que você já explicou cinco vezes e nunca escreveu.
2
A cabeça de uma ou duas pessoas do time. O processo que só elas sabem executar.
3
Gravações de reunião e de call. O maior acervo da maioria das empresas, e o menos usado.
4
Conversas. WhatsApp, e-mail, o grupo onde as decisões são tomadas e ninguém registra.
5
Planilhas e painéis. Os números, que quase nunca estão junto do texto que explica o número.
6
O que já está escrito. Manual, contrato, roteiro de atendimento, material de treinamento.

"Reuniões" não é fonte. "As gravações das reuniões de segunda, no Drive, desde março" é fonte.

Este prompt monta o mapa e diz por onde começar:

Eu vou montar a base de conhecimento da minha empresa e preciso decidir de onde ela vai beber. Você vai me ajudar a mapear as fontes antes de eu colocar qualquer coisa dentro. O MEU NEGÓCIO: [o que você vende, tamanho do time, quanto tempo de casa] AS PERGUNTAS QUE O TIME MAIS ME FAZ: [liste de 5 a 10 perguntas que você responde toda semana, do jeito que elas chegam] ONDE EU ACHO QUE O CONHECIMENTO ESTÁ HOJE: [passe pelos seis lugares: sua cabeça, a cabeça de alguém do time, gravações, conversas, planilhas, o que já está escrito. Seja específico: onde fica, desde quando, quem tem acesso] Me devolva: 1. O MAPA: para cada pergunta que eu listei, onde está hoje a resposta e em que formato. Marque as que só existem na cabeça de alguém. 2. A FONTE QUE PAGA PRIMEIRO: qual fonte, se entrar na base agora, responde o maior número dessas perguntas. Uma só, com o motivo. 3. O QUE ENTRA E O QUE NÃO ENTRA: o que dessas fontes é material bruto pra base, e o que é privado, sensível ou de terceiro e não deveria entrar. Na dúvida, diga pra ficar de fora. 4. O BURACO: que pergunta importante do meu negócio não tem resposta em fonte nenhuma, nem na minha cabeça. É o que a minha empresa não sabe e ainda não descobriu que não sabe. 5. A ORDEM: as três primeiras fontes a colocar dentro, e por quê. Não sugira ferramenta. Eu quero saber de onde beber, não com que copo.

O item 4 é o que eu mais uso. A maioria das empresas só descobre o que não sabe quando dá problema, e essa pergunta antecipa isso em algumas semanas.

Uma trava antes de você sair alimentando: material de cliente, de reunião privada e de terceiro tem dono, e o dono não é a sua base. Fonte que você não pode citar depois não deveria entrar agora.

Comece pela primeira pergunta

Escolhe uma fonte. Um livro, uma gravação, uma reunião. Coloca no Fontes brutas, cria a Wiki e pergunta.

Não tenta construir o segundo cérebro perfeito. Constrói a primeira pergunta que ele consegue responder.

antes de fechar

Sua base tá de pé e tá vazia. Ela só responde sobre o que você colocar dentro dela.

Você montou ela porque cansou de ser o único lugar onde as coisas ficam guardadas. Eu montei a minha pelo mesmo motivo.

Cartas de um Sócio · toda quinta

Eu tenho 309 livros grifados. Só grifar não resolve nada. O que começou a servir foi escrever o que mudou aqui dentro depois de cada um. Toda quinta eu escrevo uma carta assim. Pra não esquecer, e porque você provavelmente tá no mesmo problema que eu.

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As Rotinas

As duas que eu deixo rodando aqui, escritas pra colar, e o prompt que escreve a terceira pra você.

Antes de tudo

Enquanto você tiver que pedir, ela é ferramenta

A maioria das pessoas usa IA do jeito mais caro possível: abre, pede uma coisa e fica esperando a resposta. Cada trabalho começa com você lembrando de pedir.

Rotina inverte isso. Você não abre nada, o trabalho chega.

Ela agenda o próprio trabalho e roda com o seu computador fechado. Esta página tem o mínimo pra ligar, as duas rotinas que rodam aqui já escritas, e o prompt que escreve a sua terceira.

A instalação

O mínimo pra ligar

Onde fica. Abre o aplicativo do Claude no computador, entra em código, e do lado esquerdo tem rotinas. Você pode pedir pra ela criar a rotina conversando, ou montar na mão colando o texto.
O botão que muda tudo. No canto de cima você marca pra rodar na nuvem. Se você não marcar isso, ela só roda com a máquina ligada, e aí você não ganhou nada: continua dependendo de você deixar o computador aberto. Leva dez segundos e é a primeira coisa a fazer.
A notificação, e essa não é opcional. Vai nas configurações e liga o aviso de quando a rotina termina. Chega por e-mail ou no celular.

Eu insisto nesse último item porque eu já paguei por ele. Montei automação bonita, deixei rodando e não olhei. Três semanas depois eu descobri que uma delas estava falhando em silêncio desde o começo. Automação sem aviso não é autonomia, é ponto cego.

Rotina 1

A caixa de entrada de manhã

Dias úteis · 6h

Ela não responde ninguém e não apaga nada. Ela lê e separa.

Toda manhã, leia os e-mails que chegaram desde ontem e me entregue um resumo único, sem responder nem apagar nada. O QUE EU FAÇO: [duas linhas: o que você vende e quem te escreve] O QUE É URGENTE PRA MIM: [o que não pode esperar 24 horas no seu negócio: cliente insatisfeito, proposta com prazo, fornecedor, pagamento, oportunidade] Organize a resposta assim: 1. PRECISA DE MIM HOJE: só o que eu, pessoalmente, tenho que decidir ou responder. Uma linha por item, com quem mandou, o que quer e qual é o prazo. Se não tiver nada aqui, escreva "nada" e siga. 2. ALGUÉM DO TIME RESOLVE: o que deveria ir pra outra pessoa, com a sugestão de quem. 3. VIROU TAREFA: o que chegou e virou trabalho pra alguma hora desta semana, ordenado por prazo. Cruze com o que já está na minha lista pra não duplicar. 4. RESPOSTA JÁ RASCUNHADA: para os até 3 e-mails mais importantes do grupo 1, escreva um rascunho de resposta na minha voz, curto e direto. Deixe salvo como rascunho. Você nunca envia, eu envio. 5. O RESTO: uma linha só dizendo quantos e-mails sobraram e de que tipo. Não liste um por um. REGRAS: não apague nem arquive nada. Não envie nada. Se algum e-mail parecer golpe, cobrança estranha ou pedido de dado sensível, coloque no topo com um aviso, separado de tudo.

Começa por esta. Organizar não quebra nada, então é a de menor risco pra testar a mecânica inteira.

Rotina 2

O domingo

Domingo · 18h

Essa não olha o que chegou, olha o que vem. Ela chega antes da segunda começar.

Todo domingo, monte a minha semana antes que ela comece. O QUE EU FAÇO: [duas linhas sobre o negócio] O QUE EU CONSIDERO UMA SEMANA BEM GASTA: [o que precisa avançar pra semana ter valido: o número que você persegue, o projeto que não pode parar, a conversa que você vem adiando] Olhe a minha agenda da semana que vem, o que ficou em aberto da semana que passou e a minha lista de tarefas. Me entregue: 1. A SEMANA EM UMA TELA: os compromissos por dia, com o tempo real de deslocamento entre eles quando houver endereço. Aponte onde eu marquei duas coisas em cima uma da outra ou deixei tempo curto demais. 2. AS TRÊS COISAS: as três entregas que, se acontecerem, fazem a semana ter valido. Três, não dez. E diga em qual dia e horário cada uma cabe de verdade dentro da agenda que eu já tenho. 3. O QUE NÃO CABE: o que está na minha lista e não cabe nesta semana. Diga na cara, não distribua em horário que não existe. 4. O QUE FICOU DA SEMANA PASSADA: o que eu disse que ia fazer e não fiz. Se algo aparecer arrastado pela terceira semana seguida, me avise que ele precisa ser feito, delegado ou morto. 5. A CONVERSA ADIADA: se aparecer alguma pendência com pessoa (retorno, cobrança, conversa difícil), coloque separado no fim. Essas somem sozinhas se não estiverem escritas. REGRAS: não marque, não cancele e não mova nada na agenda. Você me mostra, eu decido. Se faltar informação pra montar a semana, diga o que falta em vez de preencher com suposição.

O item 4 é o que mais me serve.

Coisa que arrasta três semanas é decisão que eu não tomei, e falta de tempo é o nome bonito disso. A rotina me obriga a olhar isso toda semana em vez de uma vez por trimestre.

A sua terceira

O prompt que escreve a instrução

Aqui trava muita gente, porque a pessoa abre a caixa em branco e não sabe o que pedir. Então usa a ferramenta pra resolver o problema de usar a ferramenta: abre outra conversa e pede pra própria IA escrever a instrução.

Eu quero criar uma rotina de IA que roda sozinha, em horário marcado, e me entrega o resultado pronto. Você vai escrever a instrução dessa rotina pra mim, pronta pra colar. O QUE EU QUERO QUE ACONTEÇA: [conte com as suas palavras, do jeito que você explicaria pra uma pessoa nova. Não tente escrever bonito] QUANDO: [que dia e horário faz sentido, e por quê] ONDE ELA VAI PRECISAR OLHAR: [e-mail, agenda, planilha, pasta, site] O QUE EU QUERO RECEBER NO FIM: [um resumo, uma lista, um rascunho, um alerta só quando algo acontecer] Escreva a instrução da rotina seguindo estas regras: - Comece pelo contexto do meu negócio, porque ela roda sem mim por perto. - Diga exatamente o formato da entrega, em blocos numerados. - Feche com uma linha de "o que você nunca faz": nada de enviar, apagar, publicar ou marcar compromisso sem mim. Ela prepara, eu fecho. - Mande ela dizer quando não encontrar informação, em vez de supor. - Escreva em português simples, sem jargão, pra eu conseguir editar depois sem depender de ninguém. Antes de escrever, me faça no máximo 2 perguntas se faltar alguma coisa importante. Depois da instrução, me diga em uma linha qual é o maior jeito dessa rotina dar errado.

Guarda a instrução que ela devolver num arquivo seu.

Rotina que você não consegue reeditar em seis meses vira caixa preta, e caixa preta você acaba desligando.

As três regras que valem pras três

Nenhuma envia, apaga ou publica. Todas preparam e param. O botão de fechar é seu.

Todas avisam quando terminam. Sem aviso, você criou uma coisa que roda no vazio e que você vai esquecer que existe em duas semanas.

Todas rodam na nuvem. Rotina que depende do seu computador ligado é lembrete com um passo a mais.

O lugar disso

Onde isso te coloca

Esse é o último degrau da Escada da Autonomia da IA.

1
Você conversa com ela.
2
Você dá habilidade.
3
Você dá contexto real, que é ela enxergar o que a sua empresa sabe.
4
Ela ganha rotina própria e vira Funcionário do Mês: uma IA que carrega responsabilidade sem alguém mandando.Você está aqui

Quando ela chega antes de você pedir, virou funcionário.

antes de fechar

A rotina resolve o que se repete. O que não se repete continua chegando na sua mesa, e é isso que ocupa a cabeça de dono.

Eu deixei uma automação falhando em silêncio por três semanas. O incômodo não foi o erro, foi perceber que eu tinha montado uma coisa e parado de olhar, exatamente o que eu cobro de quem trabalha comigo.

Cartas de um Sócio · toda quinta

Toda quinta eu escrevo uma carta. É o que eu contaria pra um sócio no fim da semana. O que tá funcionando aqui, o que quebrou, e o que eu ainda não sei resolver.

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A Folha de Encaixe

Como eu encaixo o time nos cinco papéis, o que fazer quando três caem no mesmo, e o exercício desconfortável de descobrir o seu.

Antes de tudo

Cargo diz onde a pessoa senta. Papel diz o que ela resolve.

A ideia dos cinco papéis não é minha. Ela apareceu numa fala pública de quem criou o Claude Code, sobre os cargos que a gente conhece, designer, engenheiro, gestor, derretendo em cinco funções novas. Eu peguei a ideia e virei folha, porque ideia sobre o futuro do trabalho não muda nada na sua segunda de manhã. Folha preenchida muda.

O que morreu primeiro não foi o cargo. Foi a relação entre diploma e função: o diploma parou de dizer o que a pessoa consegue entregar, e o que passou a dizer é como ela constrói com IA do lado.

Esta página tem três coisas: os cinco papéis com o sinal de reconhecimento de cada um, a folha pra você preencher com nome e sobrenome do seu time, e a leitura do resultado.

Os cinco

Como você reconhece cada um

Não leia isso como descrição de vaga. Leia pensando em gente que você já tem.

1
O prototipador. Joga ideia. Faz dez versões ruins na mesma tarde e não se apega a nenhuma.
Sinalé o que te manda áudio de três minutos no domingo.
Destrói valor quandovocê deixa ele terminar as coisas.
2
O construtor. Pega uma dessas ideias e põe em pé rápido. Não discute, entrega feio e funcionando.
Sinalquando você pergunta como está, já está pronto e mal acabado.
Destrói valor quandoninguém limpa o que ele deixou pra trás.
3
O simplificador. Limpa o que o construtor fez. É o que tira, não o que põe.
Sinalé o que faz a pergunta que ninguém quer ouvir na reunião, do tipo "por que a gente precisa disso mesmo?".
Destrói valor quandovocê pede pra ele criar em vez de podar.
É o mais raro dos cinco, e é o que ninguém valoriza na hora de contratar, porque no currículo o trabalho dele aparece como coisa que deixou de existir.
4
O crescedor. Pega o que já existe e faz as pessoas amarem. Cuida do que acontece depois que a coisa nasceu.
Sinalé o que fica olhando número de uso e falando com cliente sem ninguém pedir.
Destrói valor quandoele cresce uma coisa que ainda estava quebrada.
5
O mantenedor. Segura tudo de pé quando cresce. Chato, previsível.
Sinalé o primeiro que faz falta quando some, e o último que aparece na reunião de resultado.
Destrói valor quandovocê deixa ele decidir o que é experimento.
A ferramenta

A folha

Copia esta tabela e preenche com o nome de cada pessoa do time, você incluído. Uma pessoa por linha, um papel principal por pessoa. Sem empate, sem "ela é um pouco dos dois". O empate é justamente a informação que você está fugindo de olhar.

Nome Papel principal Papel que ela ocupa hoje A evidência (últimos 90 dias) O que trava se ela sair

A coluna da evidência é obrigatória. Se você não consegue escrever uma entrega concreta dos últimos 90 dias, você não encaixou a pessoa. Você chutou o que gostaria que ela fosse.

A terceira coluna é a que dói. Papel principal é o que a pessoa é boa. Papel que ela ocupa hoje é o que a sua operação obrigou ela a virar. Quando as duas colunas divergem, você achou uma pessoa que está entregando menos do que consegue, e não é culpa dela.

Você entra na folha. Última linha, mesmo critério, mesma evidência.

O diagnóstico

A leitura do resultado

Se três caírem no mesmo papel. Achou o gargalo que você não estava entendendo. Time com três construtores e nenhum simplificador entrega muita coisa e limpa nenhuma, e daqui a seis meses ninguém sabe mais como as coisas funcionam. Time com três prototipadores decide tudo duas vezes.

Se faltar um papel inteiro. Antes de abrir vaga, pergunta se aquele papel é semanal ou eventual. Se for eventual, ele cabe numa tarde por mês de alguém que você já tem, e não numa contratação. Se for semanal e ninguém ocupa, é ali que a sua empresa está sangrando.

Se uma pessoa tiver quatro linhas na última coluna. Isso deixou de ser papel e virou ponto único de falha. Não se resolve com organograma, se resolve tirando conhecimento da cabeça dela e colocando em algum lugar que outra pessoa leia.

E a leitura mais desconfortável, que é sobre você. Eu era prototipador e passei anos me cobrando por não ser mantenedor. Ficava bravo comigo por não ter disciplina de manter a coisa rodando, quando o problema era que eu estava tentando ser o papel errado.

Descobre qual é o seu e fica muito bom nele. Um só. O resto você contrata ou entrega pra IA.

O atalho

O prompt que preenche a folha com você

Se o time for grande, ou se você quiser um segundo olhar sobre o encaixe que você fez, copia isto:

Eu vou encaixar o meu time em cinco papéis. Os papéis são: 1. PROTOTIPADOR: joga ideia, faz muitas versões rápidas, não se apega. 2. CONSTRUTOR: põe em pé rápido, entrega feio e funcionando. 3. SIMPLIFICADOR: limpa e poda o que o construtor fez. Tira, não põe. 4. CRESCEDOR: pega o que existe e faz as pessoas amarem e usarem. 5. MANTENEDOR: segura de pé quando cresce. Previsível e constante. O MEU NEGÓCIO: [o que você vende, faturamento mensal se souber, e a fase em que a empresa está: criando coisa nova, arrumando o que existe, ou segurando volume] O TIME: para cada pessoa, escreva em uma linha: nome ou apelido, o que ela faz oficialmente, e duas ou três coisas concretas que ela entregou nos últimos 90 dias. Me inclua na lista. [...] Me devolva: A. A FOLHA: cada pessoa com o papel principal, o papel que ela ocupa hoje na prática, e a evidência que sustenta essa leitura. Onde os dois papéis divergirem, diga. B. A CONCENTRAÇÃO: quais papéis têm gente demais e quais estão vazios. C. O GARGALO: qual problema da minha operação é explicado por essa distribuição. Ligue ao que eu contei do negócio, não em tese. D. AS DUAS TROCAS: duas pessoas que renderiam mais trocando de responsabilidade entre si, sem contratar ninguém. E. O QUE VAI PRA IA: das tarefas que apareceram, quais são de papel que está vazio hoje e podem ser cobertas por IA em vez de contratação, e quais exigem gente. F. SE FOSSE CONTRATAR UM: qual papel, e a primeira pergunta que eu deveria fazer na entrevista pra saber se a pessoa é daquele papel. Onde a minha descrição não sustentar a conclusão, diga que não dá pra saber em vez de completar.

Roda ele antes de abrir vaga.

Duas das últimas contratações que eu vi acontecerem por aí eram troca de responsabilidade entre duas pessoas que já estavam na folha de pagamento.

Por que isso virou assunto agora

O problema hoje não é a IA tomar o cargo de ninguém. É a empresa que contratou o Einstein e botou o cara pra revisar carrossel. Eu chamo de Síndrome do Einstein Estagiário: você tem um gênio do lado e usa ele como estagiário, porque nunca definiu qual papel ele ocupa.

A folha resolve os dois de uma vez. Papel vazio no seu time é onde a IA entra sem tirar o lugar de ninguém, e papel ocupado por gente boa é onde ela não deveria encostar.

E máquina nenhuma ocupa cargo.

antes de fechar

A folha te mostra quem faz o quê. Ela não decide o que a empresa vai fazer no mês que vem.

Eu passei anos me cobrando por não ser um papel que eu nunca fui. Ninguém me disse. Não porque as pessoas não viam, mas porque quase ninguém tem intimidade pra dizer isso pro dono.

Cartas de um Sócio · toda quinta

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prompt pronto

O Padrão

Os prompts que fazem a IA estudar o seu próprio histórico, achar o que já funcionou com você e simular o que ainda não foi publicado.

Antes de tudo

Todo mundo aponta a IA pra fora

Pede análise de concorrente, pede tendência, pede o que está bombando no nicho. E aí produz conteúdo parecido com o de gente que tem outra audiência, outro histórico e outro rosto.

A pergunta que quase ninguém faz é a de dentro: o que já funcionou comigo?

Essa resposta existe, está publicada, e é sua. Ela só nunca foi lida junta. Esta página tem três prompts, nesta ordem: juntar o material, achar o padrão e simular antes de publicar. Dá pra rodar os três hoje, sem programar nada.

O que eu perdi decidindo no gosto

Eu já publiquei coisa que eu achava genial e morreu. E o custo não é o post. É a semana inteira de produção de uma equipe atrás de uma coisa que eu decidi sozinho, no escuro, porque eu gostei.

Uma semana de time atrás de uma pauta errada custa mais do que qualquer assinatura de IA que você vá pagar no ano. Foi essa conta que me fez parar de decidir pauta na conversa e começar a decidir contra o histórico.

Passo 1

Junta o material

A IA não consegue achar padrão no que ela não vê. Antes do prompt, o material precisa estar num lugar só.

O caminho manual, que serve pra começar hoje. Pega os seus vinte últimos posts e monta um arquivo de texto com uma entrada por post, neste formato:

POST 01 Data: Formato: (reels / carrossel / estático / story / vídeo longo) Gancho (a primeira frase falada ou escrita, literal): Texto completo ou transcrição: Assunto: Visualizações: Curtidas: Comentários: Salvamentos: Compartilhamentos: Seguidores ganhos, se você souber:

Repete esse bloco pra cada post, num arquivo de texto só.

Vinte é o mínimo pra o padrão parar de ser coincidência. Se você tiver cem, melhor, e aí compensa automatizar a coleta: existem raspadores prontos que baixam e transcrevem perfil inteiro sem programação, e o mais usado é o Apify. Para começar, vinte na mão resolve, e leva uma tarde.

A coluna que quase todo mundo esquece é o gancho literal. Anota a frase exata que abre, palavra por palavra, e não o assunto do post. É a variável que mais explica diferença de desempenho, e é a que some quando você anota "post sobre precificação".

Passo 2

O prompt do padrão

Com o arquivo pronto, copia isto:

Você vai analisar o meu histórico de conteúdo e achar o padrão do que funciona comigo. Não olhe pra fora, não me compare com ninguém, não me traga boas práticas de mercado. Só o que está neste material. QUEM EU SOU E PRA QUEM EU FALO: [duas linhas: o que você vende e quem é a pessoa do outro lado] O QUE EU CONSIDERO SUCESSO: [escolha um: alcance, salvamento, comentário, seguidor novo ou lead. Um só, e diga por quê] O MATERIAL: [cole aqui os posts, no formato acima] Me devolva, nesta ordem: 1. A LINHA DE CORTE: separe os posts em três grupos (acima da média, na média, abaixo da média) pela métrica que eu escolhi. Diga qual é a minha média real, não a do mercado. 2. O QUE SE REPETE NO QUE FOI BEM: analise separadamente a) o gancho: estrutura da primeira frase, tamanho, se abre pergunta, número, promessa ou tensão; b) o assunto; c) o formato; d) o tamanho do texto; e) se tem número concreto, história pessoal ou passo a passo; f) o tom (conta um erro meu, ensina, opina, mostra bastidor). Para cada item, diga em quantos dos meus posts bons ele aparece e em quantos dos ruins. Sem contagem, vira palpite. 3. O QUE SE REPETE NO QUE FOI MAL: o mesmo recorte, no outro grupo. 4. A COISA DESCONFORTÁVEL: qual tipo de conteúdo eu gosto de fazer (aparece muito no meu histórico) e não performa. Seja direto, não amenize. 5. O QUE EU NÃO TESTEI: que combinação de gancho, formato e assunto o meu histórico sugere que funcionaria e nunca apareceu. 6. AS TRÊS REGRAS: escreva no máximo três regras de produção, em uma linha cada, que eu deveria seguir a partir de agora, baseadas só nesse material. Onde a amostra for pequena demais pra sustentar a conclusão, diga isso em vez de afirmar. Eu prefiro "não dá pra saber" a padrão inventado.

Guarda o resultado num arquivo: ele vira a base do passo 3 e vale reescrever a cada trinta posts novos.

Aviso de expectativa: ela vai te mostrar que aquele conteúdo que você adora fazer é o que menos engaja. Ela não tem carinho pelo seu trabalho. É pra isso que ela serve.

Passo 3

Simular antes de mandar pra produção

Aqui o valor deixa de ser acertar mais e passa a ser matar antes o que ia sair ruim.

Você já analisou o meu histórico e escreveu as regras abaixo. O QUE EU JÁ SEI SOBRE O MEU CONTEÚDO: [cole aqui o resultado do prompt anterior, principalmente os padrões e as três regras] O QUE EU PENSEI EM PUBLICAR: [descreva a ideia: gancho literal, formato, assunto e o que a pessoa leva no fim] Me responda: A. O PARECER: essa ideia se parece mais com os meus posts que foram bem ou com os que foram mal? Diga com quais posts específicos do meu histórico ela se parece, e por quê. B. A NOTA: de 0 a 10, e o que está segurando a nota. A nota sozinha não serve, o que segura ela é a informação. C. O GANCHO: reescreva a minha primeira frase de três jeitos, cada um usando uma estrutura de gancho que já funcionou comigo, apontando qual post do histórico inspirou cada versão. D. O CORTE: o que dessa ideia eu deveria tirar. Sempre tem alguma coisa. E. MATAR OU MANDAR: se fosse você, mandaria essa pra produção ou deixaria na gaveta? Responda uma coisa ou outra. Se a ideia for parecida demais com algo que eu já publiquei nos últimos 90 dias, me avise antes de qualquer outra coisa.

Leva cinco minutos e economiza uma semana.

A régua

Antes de mandar pra produção, roda contra o seu próprio histórico. Não pra pedir permissão, pra saber o que você está apostando.

A IA não vai te dar ideia melhor que a sua. Ela vai te dizer quais das suas já funcionaram.

O limite disso

Isso te diz o que funcionou. Não te diz o que você deveria estar defendendo.

Histórico é ótimo conselheiro e péssimo estrategista: seguido à risca, ele te faz repetir para sempre o assunto que já pegou, e conteúdo que só repete o que deu certo para de crescer em uns seis meses. O padrão decide o formato e o gancho. A tese continua sendo sua.

antes de fechar

Agora você sabe o que funcionou. Continua faltando saber o que você quer defender.

Eu produzo conteúdo há tempo suficiente pra saber que o pior post não é o que morre. É o que vai bem e não me representa, porque aí você repete ele por seis meses e vira outra pessoa sem perceber.

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passo a passo

Empresa de Uma Pessoa Só

Os três caminhos detalhados: o que cada um pede, quem já sai na frente, e o primeiro passo de segunda de manhã.

Antes de tudo

Duas linhas honestas

Isso não é renda passiva e não é fácil. Dá trabalho, e nos três caminhos o trabalho aparece antes do dinheiro.

O que mudou não foi a dificuldade. Foi a barreira: hoje dá pra construir os três sem saber programar, com uma assinatura de IA que, em conta de padaria, sai por umas centenas de reais por mês. Conta de padaria é a estimativa grosseira, boa o suficiente pra decidir.

E vale dizer de onde eu falo: eu não fiz nenhum dos três sozinho. Eu construí empresa com time, aprendendo na marra, e é exatamente por isso que eu enxergo onde cada um desses caminhos quebra. Os três quebram no mesmo lugar, e eu mostro no fim.

O mapa

Os três caminhos abertos

Cada um pede uma coisa diferente de você. Lê os três antes de escolher: o terceiro é o que eu acho mais inteligente pra quem já tem empresa, e o segundo é o que paga mais rápido.

1

O produto próprio

A aposta mais ousada
O que é
Você constrói uma ferramenta de IA e vende ela. Assinatura, licença, acesso.
Por que é a mais ousada
O dinheiro vem depois de tudo: depois de construir, depois de achar o primeiro cliente, depois de descobrir que metade do que você construiu ninguém usa.
A armadilha
Não faz mais um assistente genérico. O mundo já está cheio, e você vai competir com empresa que tem time e dinheiro pra queimar. Pega uma dor específica de um nicho específico, daquele que você já conhece porque já trabalhou nele, e resolve só ela.
Quem sai na frente
Você, se já tem empresa. A maioria que tenta isso não sabe onde dói, e passa seis meses descobrindo o que você já sabe de cor. A sua vantagem está no diagnóstico, e aqui ela vale mais que a técnica.
O primeiro cliente
É alguém que já te conhece e já te paga por outra coisa. Se ninguém da sua lista atual comprar, o problema está no produto, e nenhum tráfego conserta isso.
Como você sabe que está dando errado
As pessoas elogiam e não usam. Elogio é educação. Uso é resposta.
Segunda de manhã
Escreve numa folha as cinco reclamações que você mais ouviu no seu mercado nos últimos dois anos. Circula a que aparece toda semana e é sempre resolvida na mão. É por ali.
2

A automação pra fora

O caixa mais rápido
O que é
Você monta sistema de IA pra empresa pequena que tem problema, tem dinheiro e não faz ideia de como fazer isso.
Por que é o caixa mais rápido
O cliente já existe, já tem orçamento e já sente a dor. Você não precisa criar demanda, precisa aparecer.
A armadilha
Aceitar tudo que aparecer. Se cada cliente pede uma coisa diferente, você virou consultoria de um homem só, e consultoria de um homem só tem teto no seu calendário. Escolhe um tipo de empresa e um tipo de problema, e repete.
Quem sai na frente
Quem já tem rede. Você não precisa de portfólio, precisa de três conversas com gente que já confia em você.
O primeiro cliente
Cobra desde o primeiro. De graça você recebe favor, e favor não te diz se o preço para de pé.
Como você sabe que está dando errado
Todo projeto é do zero. Se você não está reaproveitando pelo menos metade do que montou no cliente anterior, você não tem um negócio, você tem uma agenda cheia.
Segunda de manhã
Lista dez empresas que você conhece pelo nome do dono. Manda uma mensagem pra três perguntando qual é a tarefa repetitiva que mais come tempo do time. Não oferece nada ainda. Só pergunta.
3

O portfólio de coisas pequenas

O que eu acho mais inteligente pra quem já tem empresa
O que é
Em vez de apostar tudo num produto só, você lança vários pequenos e deixa os que dão certo sustentarem o resto.
Por que eu prefiro este
Eu falo com conhecimento de causa, porque eu fiz o contrário durante muito tempo. Eu botava tudo numa aposta só e ficava seis meses defendendo ela, porque admitir que não ia dar era pior do que insistir. Isso me custou caro mais de uma vez.
A armadilha
Achar que portfólio é fazer cinco coisas ao mesmo tempo. É fazer uma de cada vez, rápido, e ter a disciplina de matar a que não respondeu. O portfólio se faz de enterro. Quem só lança acumula.
Quem sai na frente
Quem tem audiência ou lista, mesmo pequena. Cada teste custa quase nada quando você já tem pra quem mostrar.
O primeiro cliente
É o mesmo pros cinco. Você testa cinco ofertas na mesma base e deixa a base escolher.
Como você sabe que está dando errado
Você tem quatro coisas vivas e nenhuma crescendo. Portfólio sem poda vira bagunça com nome bonito.
Segunda de manhã
Escreve as três coisas menores que você poderia colocar de pé em duas semanas cada. Marca no calendário a data em que você vai matar a primeira se ela não responder. A data vem antes do lançamento, não depois.
A escolha

O prompt pra escolher o seu

Os três funcionam. O que decide é qual deles combina com o que você já tem na mão hoje.

Eu quero decidir entre três caminhos pra construir um negócio que funciona com pouca ou nenhuma gente, usando IA: 1. PRODUTO PRÓPRIO: construir uma ferramenta de IA e vender assinatura. 2. AUTOMAÇÃO PRA FORA: montar sistemas de IA pra empresas pequenas. 3. PORTFÓLIO: lançar várias coisas pequenas e manter as que pegarem. O QUE EU TENHO HOJE: - O que eu vendo e há quanto tempo: [...] - Faturamento mensal e margem, se souber: [...] - Tamanho do time: [...] - Tamanho da minha lista ou audiência: [...] - Quantas horas por semana eu consigo dar pra isso, de verdade: [...] - Quanto tempo eu aguento sem esse projeto dar retorno: [...] - O mercado que eu conheço melhor do que a média das pessoas: [...] Me responda nesta ordem: A. O CAMINHO: qual dos três, com o raciocínio. Uma resposta direta. "Depende" não é resposta. B. POR QUE NÃO OS OUTROS DOIS: o motivo específico, ligado ao que eu escrevi acima, não ao caminho em tese. C. A MINHA VANTAGEM INJUSTA: o que eu tenho que a maioria de quem tenta esse caminho não tem. D. ONDE EU VOU QUEBRAR: o ponto em que gente com o meu perfil desiste nesse caminho, e o sinal que aparece antes. E. AS DUAS PRIMEIRAS SEMANAS: o que eu faço, dia a dia, sem construir nada ainda. Quero validação, não produto. F. A DATA DE MATAR: em quanto tempo, e com qual sinal, eu deveria parar esse caminho e testar outro. Seja específico ao que eu escrevi. Se o meu relato estiver vago demais pra uma recomendação séria, me faça no máximo 2 perguntas antes.

Funciona em qualquer IA de conversa.

O item F é o que quase ninguém escreve, e é o que teria me poupado uns dois anos. Data de morte definida antes do começo não é pessimismo. É a única coisa que te deixa apostar de verdade, porque você sabe onde para.

Onde os três quebram, e é no mesmo lugar

Repara o que os três têm em comum: nenhum deles é você trabalhando mais.

Os três são você montando um Funcionário do Mês, que é uma IA que ficou boa numa função e passou a carregar responsabilidade de verdade, enquanto você decide o que vem depois. E os três quebram no dia em que você vira o motoboy de contexto da sua própria operação, buscando informação de um lado, copiando e colando do outro, porque a IA nunca soube nada da sua empresa e depende de você pra saber.

Empresa de uma pessoa não é empresa pequena. É empresa em que o dono parou de ser o gargalo.

antes de fechar

Escolher o caminho é a decisão desta semana. Semana que vem tem outra.

Eu passei seis meses defendendo uma aposta que já tinha me respondido não. Não foi falta de informação. Foi não ter ninguém por perto com a mesma pele no jogo pra me dizer isso na cara.

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tabela

Workflow ou Agente

A tabela que eu uso pra decidir, antes de montar, o que vira passo fixo e o que vira objetivo solto.

Antes de tudo

A pergunta que decide

Antes de montar qualquer coisa com IA, eu faço uma pergunta só: essa tarefa precisa acontecer sempre na mesma ordem?

Se você consegue sentar e escrever passo um, passo dois, passo três, e quer que aconteça nessa ordem toda vez, você não precisa de agente. Você precisa de workflow.

Workflow é o passo fixo: você desenha o caminho e ele repete. Agente é o objetivo solto: você entrega a meta e as ferramentas, e ele acha o caminho, porque o passo seguinte depende do que aconteceu no anterior.

Agente é mais poderoso, sim. E é menos previsível no resultado final.

Quem promete agente que faz tudo e nunca erra está vendendo alguma coisa.

Onde eu errei

Eu montei um agente pra uma tarefa que eram três passos fixos, e passei duas semanas ajustando ele pra fazer o que uma lista de tarefa fazia. Virei gerente de caos da minha própria automação, dando ordem de sopetão e esperando organização do outro lado.

O erro não foi técnico. Eu escolhi agente porque agente era mais bonito de falar em reunião. A tabela abaixo existe pra essa escolha parar de passar pelo meu gosto.

A ferramenta

A tabela

Lê linha a linha pensando na tarefa que você quer montar. A coluna onde cair a maioria das respostas é a sua resposta.

A perguntaÉ workflowÉ agente
Você consegue escrever os passos numa folha?Sim, e eles são sempre os mesmosNão, depende do que aparecer no caminho
A ordem muda de execução pra execução?Nunca mudaMuda, e a mudança é o trabalho
O que entra é sempre do mesmo tipo?Sim: mesma planilha, mesmo formato, mesma fonteNão, entra qualquer coisa e ele decide o que fazer com aquilo
O que sai tem um formato certo?Sim, e eu sei reconhecer quando saiu erradoSai texto, análise ou decisão, e cada vez sai diferente
Quantas ferramentas ela precisa consultar?Uma ou duas, sempre as mesmasVárias, e ele escolhe quais na hora
Se rodar duas vezes com a mesma entrada, sai igual?Tem que sair igualPode sair diferente, e tudo bem
Alguém revisa antes de usar o resultado?Não precisaPrecisa, sempre
Quanto custa se ele errar sozinho?Barato, dá pra rodar de novoCaro, porque ele já agiu em cima do erro
Quantas vezes por mês isso acontece?Muitas, e sempre igualPoucas, e cada uma é um caso
Você treinaria uma pessoa nova lendo um roteiro?SimNão, a pessoa precisaria de julgamento

Como ler o resultado. Sete ou mais na coluna do meio: monta workflow e não discute. Sete ou mais na da direita: agente, e com revisão humana no fim. Empate no meio, que é o caso mais comum: quebra a tarefa em duas. A parte repetitiva vira workflow, e só o pedaço que exige julgamento vira agente.

Quase toda tarefa que parece pedir agente é um workflow com um miolo de decisão dentro.

Na sua lista

O prompt que aplica a tabela

Você não precisa rodar a tabela na mão pra cada tarefa. Copia isto com a sua lista dentro:

Eu vou classificar tarefas da minha empresa entre WORKFLOW (passo fixo, mesma ordem toda vez, resultado previsível) e AGENTE (objetivo solto, o passo seguinte depende do anterior, precisa de julgamento). O MEU NEGÓCIO: [o que você vende, tamanho do time, o que você mesmo ainda faz na mão] AS TAREFAS: [liste de 5 a 15 tarefas que hoje tomam o seu tempo ou o do time, uma por linha, do jeito que você falaria] Para cada tarefa, me devolva: 1. WORKFLOW ou AGENTE, com uma linha de justificativa. 2. Se for mista, mostre onde ela se parte: qual pedaço vira workflow e qual pedaço fica com julgamento humano ou com agente. 3. O custo do erro se ela rodar sozinha e sair errada, em uma linha. Depois da lista, me dê: - A ORDEM DE CONSTRUÇÃO: as 3 primeiras que eu deveria montar, da que paga mais rápido pra que paga menos. Considere frequência e tempo gasto hoje, não sofisticação. - A QUE EU NÃO DEVERIA AUTOMATIZAR AINDA: uma tarefa da minha lista que é cedo demais pra sair da minha mão, e por quê. Não sugira ferramenta nenhuma. Eu quero a decisão, não o catálogo.

Funciona em qualquer IA de conversa.

O último bloco é o que eu mais uso. Ele existe pra segurar a vontade de automatizar a empresa inteira de uma vez, que é o jeito mais rápido de terminar o mês com seis coisas pela metade.

A régua curta

Se você consegue escrever a ordem, escreve a ordem. Só chama agente quando a ordem não existe.

O lugar disso

Onde entra na Escada da Autonomia

A Escada da Autonomia da IA tem quatro degraus, e eles vêm nesta ordem:

1
Você conversa com ela.
2
Você dá habilidade, que é justamente o workflow.Você está aqui
3
Você dá contexto real, que é ela enxergar o que a sua empresa sabe.
4
Ela ganha rotina própria e começa o trabalho sem você pedir.

Quem pula degrau não acelera, quem pula degrau volta pro começo, porque agente sem contexto real da sua empresa é um funcionário esperto que nunca foi apresentado a ninguém.

A IA não fica autônoma porque você deu liberdade. Ela fica autônoma quando você deu ordem suficiente pra ela não precisar de você.

antes de fechar

A tabela decide o que construir. Ela não decide o que a sua empresa deveria estar fazendo enquanto você constrói.

Eu montei essa régua depois de duas semanas ajustando um agente pra fazer o trabalho de uma lista de tarefa. O que me irritou não foi o tempo, foi ter escolhido o caminho difícil porque ele soava melhor na reunião.

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Toda quinta eu escrevo uma carta. É o que eu contaria pra um sócio no fim da semana. O que tá funcionando aqui, o que quebrou, e o que eu ainda não sei resolver.

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prompt pronto

A Lista do Não

As cinco linhas que eu escrevo antes de conectar qualquer ferramenta na IA, e o prompt que levanta os limites de uma que eu nunca usei.

Antes de tudo

Você conectou. E depois?

Quase todo mundo que liga a IA no e-mail, na agenda ou no financeiro escreve a mesma coisa: o que ela deve fazer. Poucos escrevem a outra metade, que é o que ela nunca faz sozinha.

Enquanto você não diz até onde ela vai, a decisão de até onde ir fica com ela.

Você não deu liberdade, você deu a caneta. Esta página tem duas coisas prontas pra usar hoje: a lista que eu escrevo aqui dentro, e o prompt que eu rodo quando a ferramenta é nova e eu ainda não sei o que ela consegue quebrar.

A conta que eu já paguei

Eu pedi pra ela organizar uma pasta de arquivos, e recebi exatamente isso: uma pasta organizada. O problema é que o que ela entendeu por organizar não era o que eu entendia, e eu passei a tarde procurando arquivo que eu mesmo tinha mandado mover.

Foi barato. Custou uma tarde. Só que o mecanismo do erro caro é o mesmo do erro barato: eu tinha dito o que fazer e não tinha dito o que não fazer. Da próxima vez o objeto podia ser um e-mail com um preço de tabela que eu já não pratico, indo pra um cliente antigo. Aí não tem desfazer, e você escolhe entre honrar o preço errado ou desdizer o que saiu com o seu nome.

A lista abaixo nasceu dessa tarde.

As cinco linhas

A minha lista do não

Cada uma vale pra qualquer ferramenta que eu conecte, e nenhuma delas depende de a IA ser boa ou ruim.

1
Ela rascunha, quem envia sou eu. Vale pra e-mail, mensagem, resposta de cliente e proposta. Ela pode escrever inteiro, pode escrever melhor do que eu, pode deixar pronto. O botão de enviar é meu.
2
Ela nunca apaga nada. Nem e-mail, nem arquivo, nem linha de planilha. Ela pode marcar, separar e sugerir o que deletar. Deletar quem faz é gente, porque apagar é a única operação que não tem volta.
3
Ela nunca decide preço. Pode montar a proposta, pode calcular, pode comparar com o histórico. O número final é decisão de dono, e preço é percepção: quem define percepção da minha empresa sou eu.
4
Ela nunca cuida de relação humana complicada. Cliente irritado, sócio em desacordo, pessoa do time em conversa difícil. Ela me ajuda a preparar a conversa. Ela não tem a conversa.
5
Ela nunca publica nada com o meu nome sem eu ler. Post, comentário, resposta pública. O que sai assinado passa pelos meus olhos, sempre.

Repara o que essas cinco têm em comum: nenhuma proíbe a IA de trabalhar. Todas proíbem ela de fechar. É trabalho liberado com assinatura reservada.

A instalação

Como a lista vira regra que ela lê

Lista que fica no seu caderno não vale nada, porque a IA não lê o seu caderno. Ela precisa estar escrita onde a ferramenta enxerga. Copia este bloco pro começo do seu projeto, do seu assistente ou da sua conversa fixa:

Antes de qualquer tarefa, leia e siga estas regras. Elas valem pra todas as ferramentas que eu conectar aqui e não são negociáveis dentro de uma conversa. O QUE VOCÊ NUNCA FAZ SEM MIM: 1. Enviar e-mail, mensagem ou proposta. Você rascunha, eu envio. 2. Apagar qualquer coisa (e-mail, arquivo, linha de planilha). Você pode marcar, separar e sugerir o que deletar. Apagar é comigo. 3. Definir preço, desconto ou condição de pagamento. Você calcula e compara. O número final é meu. 4. Escrever direto pra pessoa em conversa difícil (cliente irritado, sócio em desacordo, conversa dura com o time). Você me ajuda a preparar. Você não conduz. 5. Publicar qualquer coisa assinada com o meu nome sem eu ler antes. [acrescente aqui as suas, se tiver] COMO VOCÊ SE COMPORTA NA DÚVIDA: - Se a tarefa que eu pedir esbarrar em alguma dessas cinco, execute tudo que dá até o limite, pare ali e me mostre o que ficou pronto esperando a minha decisão. Não peça permissão no meio, faça o trabalho e trave no fim. - Se eu insistir dentro da conversa, me lembre da regra em vez de obedecer. Só vale se eu editar esta lista. Salve estas regras como instrução permanente deste espaço de trabalho e releia no início de cada sessão.

Guarda esse texto num arquivo seu: você vai colar ele em toda ferramenta nova.

E uma nota de uso: as cinco de cima são as minhas. Se você tem uma operação com nota fiscal, contrato ou dado de paciente, você tem uma sexta e uma sétima, e elas são mais importantes que as minhas.

A ferramenta nova

O prompt dos limites

As cinco regras eu sei de cor porque e-mail eu uso todo dia e sei o que quebra. Quando chega uma ferramenta que eu nunca usei, o problema muda de lugar: eu não sei nem o que perguntar.

Então eu faço o contrário. Antes de conectar, eu peço pra própria IA me listar o que aquela ferramenta consegue fazer sem volta. Ela conhece aquele sistema melhor do que eu no primeiro dia.

Eu vou conectar você a uma ferramenta nova e quero escrever os limites antes de ligar, não depois. A FERRAMENTA: [nome da ferramenta e o que ela faz] O QUE EU PRETENDO QUE VOCÊ FAÇA NELA: [em duas ou três linhas] O MEU NEGÓCIO: [o que você vende, tamanho do time, o que estaria exposto se algo saísse errado ali dentro] Me devolva quatro blocos: 1. SEM VOLTA: tudo que essa ferramenta permite fazer que não tem desfazer (envio, exclusão, cobrança, alteração de permissão, mudança visível pra terceiros). Liste o pior caso concreto de cada item, não o risco em tese. 2. PARECE SEGURO E NÃO É: as ações que parecem inofensivas nessa ferramenta e podem virar problema (mover em massa, renomear, sincronizar, arquivar, sobrescrever). Explique por quê. 3. O QUE EU DEVERIA ESCREVER: uma lista pronta de 5 a 8 regras de "você nunca faz isso sem mim", escritas nas minhas palavras, já no formato de instrução pra colar. Ordene da mais cara pra mais barata se for descumprida. 4. O QUE PODE SOLTAR: o que dessa ferramenta é seguro deixar você fazer sozinho desde o primeiro dia, pra eu não travar o que não precisa de trava. Depois dos quatro blocos, me faça no máximo 2 perguntas sobre o meu negócio que mudariam a sua resposta.

Leva dois minutos e você faz uma vez por ferramenta, não toda vez.

O bloco 4 é o que impede a lista de virar burocracia: soltar o que é seguro é tão importante quanto travar o que não é.

A régua de quando parar

Uma conta de padaria resolve, e conta de padaria é a estimativa grosseira, boa o suficiente pra decidir. A pergunta é uma só: se essa ação sair errada, dá pra desfazer até o fim do dia?

Se dá, solta. Se não dá, ela rascunha e você fecha.

O que a lista não resolve

Ela protege o que sai. Ela não melhora o que entra.

A IA vai continuar respondendo bem sobre o mundo e mal sobre a sua empresa, porque ela sabe do mercado e não sabe do seu número, do seu cliente e do que já deu errado aí dentro. Contexto ruim é resultado ruim, e limite também é contexto: você acabou de escrever a primeira metade.

Quanto do que a sua empresa sabe está escrito em algum lugar que a IA consegue ler, e quanto está só na sua cabeça?

antes de fechar

Agora você tem a lista. Ela protege a ferramenta. Ela não decide nada por você.

Eu escrevi a minha depois de passar uma tarde procurando arquivo que eu mesmo mandei mover. E o que me incomodou não foi a tarde perdida, foi perceber quanta coisa aqui dentro roda sem ninguém ter combinado nada.

Cartas de um Sócio · toda quinta

Toda quinta eu escrevo uma carta. É o que eu contaria pra um sócio no fim da semana. O que tá funcionando aqui, o que quebrou, e o que eu ainda não sei resolver.

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