Eu gerencio negócios digitais há 10 anos. Antes de virar CEO eu tinha juntado R$3,3 milhões de prejuízo, e virei CEO dias depois de demitir um terço da equipe num dia só. Aprendi do jeito caro o que acontece quando toda decisão passa pelo dono.
Hoje sou CEO da Pallur, uma aceleradora com 16 empresas que, somadas, faturaram R$185 milhões no último ano. E toco a Craft com o meu sócio Vinhas. Em 2025 ela cresceu 111%. A meta era 87%.
Eu nunca programei na minha vida. Zero. Mesmo assim, hoje a maior parte do meu dia é colocar IA pra fazer o trabalho que antes passava por mim, pra empresa depender menos do dono. Foi assim que eu aprendi o que funciona de verdade e o que é só promessa. Os materiais desta página saem daí. A newsletter também.
Fora do trabalho: casado, 2.600 dias seguidos de meditação e 309 livros grifados. Uma parte do que eu leio acaba nas cartas.
onde eu publico
Toda quinta eu conto o que rodou aqui.
Receber as cartas8 materiais
Como fazer a IA discordar de você antes de uma decisão cara.
Abrir passo a passoO passo a passo e os prompts pra montar uma base que responde com fonte.
Abrir prompt prontoAs duas que eu deixo rodando aqui, escritas pra colar, e o prompt que escreve a terceira pra você.
Abrir tabelaComo eu encaixo o time nos cinco papéis, o que fazer quando três caem no mesmo, e o exercício desconfortável de descobrir o seu.
Abrir prompt prontoOs prompts que fazem a IA estudar o seu próprio histórico, achar o que já funcionou com você e simular o que ainda não foi publicado.
Abrir passo a passoOs três caminhos detalhados: o que cada um pede, quem já sai na frente, e o primeiro passo de segunda de manhã.
Abrir tabelaA tabela que eu uso pra decidir, antes de montar, o que vira passo fixo e o que vira objetivo solto.
Abrir prompt prontoAs cinco linhas que eu escrevo antes de conectar qualquer ferramenta na IA, e o prompt que levanta os limites de uma que eu nunca usei.
AbrirAinda não tem material nesse cruzamento. Tira um filtro.
Como fazer a IA discordar de você antes de uma decisão cara.
Pega uma decisão que você está adiando. Preço, contratação, produto novo, qualquer uma. Abre o ChatGPT e pergunta: "devo subir o preço da minha mentoria?". Ele vai te dar bons motivos para subir. Agora abre um chat novo e pergunta: "subir o preço da minha mentoria seria uma má ideia?". Ele vai te dar bons motivos para não subir.
Mesma empresa. Mesma decisão. Duas respostas opostas, ditas com a mesma confiança.
A IA responde ao formato da sua pergunta. Ela percebe para onde você está inclinando e vai junto. Para escrever e-mail, isso serve. Para decisão de dono, é um risco: você sai da conversa mais confiante, e a decisão segue sem ter sido contestada por ninguém.
A gente fechou o que na época era o maior negócio do digital brasileiro: lançar o curso do maior youtuber do país. R$2 milhões pagos antecipadamente. A previsão mais pessimista que existia na mesa era vender 20 mil cursos. No primeiro dia, vendemos 846.
Vinte meses depois, o prejuízo acumulado tinha chegado a R$3,3 milhões, e eu desliguei 10 pessoas no mesmo dia, aos 28 anos, como CEO.
Repara no detalhe: a previsão pessimista era 20 mil. Será que o problema foi a aposta? Ou foi ninguém na mesa ter a função de procurar o furo da conta?
Andrej Karpathy é um dos pesquisadores de IA mais respeitados do mundo. Foi diretor de IA da Tesla e fez parte da fundação da OpenAI. Ele montou um sistema que chamou de LLM Council: em vez de perguntar para uma IA, ele pergunta para várias ao mesmo tempo, faz cada uma revisar as respostas das outras sem saber quem escreveu o quê, e uma última cruza tudo e entrega o veredito.
O que você está lendo é a adaptação disso para decisão de negócio. Roda dentro de um chat só, sem programar nada, com o prompt pronto logo abaixo. A gente chama de Conselho.
Cinco conselheiros olham para a mesma decisão, cada um com uma obsessão diferente.
Por que esses cinco? Porque eles brigam entre si. O Contrário puxa para o risco enquanto o Ambicioso puxa para o ganho. O Zero quer repensar tudo enquanto o Executor quer executar logo. E o De Fora mantém os quatro honestos.
Etapa 1. A pergunta vira uma pergunta neutra. Antes de qualquer conselheiro responder, a sua pergunta é reescrita sem a sua inclinação embutida: a decisão, o contexto, o que está em jogo. Sem torcida.
Etapa 2. Os cinco respondem separados. Nenhum vê a resposta dos outros, e nenhum tenta ser equilibrado. Cada um defende o próprio ângulo com força. O equilíbrio vem depois, no cruzamento.
Etapa 3. Revisão cega. As cinco respostas são embaralhadas e renomeadas de A a E. Cada conselheiro aponta qual é a mais forte, qual tem o maior ponto cego, e o que todas as cinco deixaram passar. Essa última pergunta paga a rodada inteira: o que ninguém viu costuma ser a informação mais importante da mesa.
Etapa 4. O veredito do presidente. Um último agente recebe tudo e entrega: onde o conselho concorda, onde o conselho briga, o que só apareceu na revisão cega, a recomendação (uma resposta direta, sem "depende") e a primeira coisa a fazer. Uma só. E o presidente pode discordar da maioria, se o argumento do voto vencido for melhor.
Quanto mais concreto o que você escrever na hora de descrever a decisão, menos genérico o conselho. Faturamento, margem, tamanho do time, prazo, o que acontece se der errado. Contexto ruim é resultado ruim. Uma decisão descrita em duas linhas rende um conselho de duas linhas.
Abra um chat novo no ChatGPT, no Claude ou no Gemini. Copie o bloco inteiro abaixo, preencha o colchete com a sua decisão e envie.
Funciona em qualquer IA de conversa. Guarde este link salvo em algum lugar à mão.
Convoca quando errar sai caro: subir ou baixar preço, contratar ou cortar, matar um produto, abrir uma segunda oferta, trocar de agência, mudar o posicionamento. Uma conta de padaria resolve a dúvida (conta de padaria é a estimativa grosseira, boa o suficiente para decidir): se errar custa menos de um dia de trabalho, decide e segue. Se errar custa meses ou o equivalente a uma folha de pagamento, convoca o conselho.
Não convoca para tarefa de execução. Escrever um e-mail, resumir uma call, montar uma planilha. Isso é trabalho para uma IA só, sem cerimônia.
E a regra que mais importa: só rode o conselho se estiver disposto a ouvir o contrário do que você quer ouvir. Se a decisão já está tomada e você só quer companhia, o conselho vai te incomodar. Ele existe para isso.
O conselho melhora a decisão desta semana. Mas ele roda em cima do contexto que você escreve, e aí mora o limite: a IA só contesta o que você contou para ela. O número que você não acompanha, a margem que você não sabe dizer, o problema que dentro da sua empresa ainda aparece com outro nome. Isso nenhum conselheiro pega, porque nem você entregou.
Quantas decisões da sua empresa passam por algum conselho, e quantas passam só pela sua cabeça?
antes de fechar
Agora você tem cinco conselheiros. O problema é que eles só trabalham quando você lembra de chamar.
Eu montei esse conselho porque decidir sozinho cansa. Você olha em volta na hora de bater o martelo e não tem ninguém ali com a mesma pele no jogo que a sua.
O passo a passo e os prompts pra montar uma base que responde com fonte.
Eu tenho 309 livros grifados, e o Claude conversa com todos eles. Reunião, artigo, gravação, anotação, tudo dentro de uma base que responde apontando de onde veio cada ideia. Esta página é o caminho pra você montar a sua, começando com uma fonte só.
Primeiro você coloca o conhecimento dentro da casa. Depois você organiza a casa.
Essa é a regra que segura tudo. Quem começa criando 15 pastas e 40 tags desiste antes de colocar o primeiro livro.
Obsidian é onde a base mora. Ele guarda tudo em pastas e arquivos de texto simples no seu computador, o que importa aqui: o material é seu, fica com você e qualquer programa consegue ler. É gratuito, em obsidian.md.
Claude é quem trabalha na base. Ele lê as fontes, organiza a wiki e responde às perguntas citando de onde tirou. Você vai usar o Claude pra computador, em claude.ai/download.
Baixa os dois antes de continuar.
Quando o Obsidian abrir pela primeira vez, ele pede pra criar um cofre (vault). Cofre é só uma pasta no seu computador. Cria com o nome que quiser.
Dentro dele, cria uma pasta chamada Fontes brutas. Livros grifados, artigos, transcrição de call, gravação, anotação sua. Tudo entra aqui, do jeito que estiver. Não organiza nada ainda.
No meu caso, comecei pelos livros. Os grifos do Kindle ficam em read.amazon.com/notebook: abre lá, copia os grifos de um livro e salva como um arquivo de texto dentro de Fontes brutas, um arquivo por livro.
Não tem Kindle? Serve qualquer coisa: a transcrição da sua última reunião (Meet e Zoom exportam), um artigo que marcou você, uma anotação solta. E eu já sei o que você está pensando. "Ah, Lucas, mas eu não tenho 309 livros." Beleza. Começa com um.
A base não nasce grande. Ela fica grande sendo usada.
Abre o Claude pra computador e dá a ele acesso à pasta do seu cofre (ele pergunta em qual pasta você quer trabalhar). Se você usa o Claude Code, abre ele já dentro da pasta.
Não adianta jogar os arquivos e esperar que ele saiba o que fazer. Contexto ruim é resultado ruim. Então a primeira conversa é pra dar o contexto da base. Copia este prompt, preenchendo o colchete:
Agora o Claude vai transformar o material em conhecimento organizado. Copia este prompt:
Você termina com duas pastas: Fontes brutas, onde está o material original, e Wiki, onde está o conhecimento organizado. E não apaga as fontes. A wiki é a interpretação daquele material. A fonte continua lá pra você conferir.
Aqui a base começa a pagar. Pergunta alguma coisa que você já estudou:
Quando eu pergunto "o que os livros que eu li falam sobre posicionamento?", a resposta não vem da internet. Vem do Obviously Awesome, da April Dunford, do Positioning, do Al Ries, e de uma call de mentoria que eu tive. Com o endereço de cada parte.
Essa é a regra que separa uma base de conhecimento de um chat qualquer: toda resposta aponta pra fonte. Essa ideia veio desse livro. Essa outra veio daquela reunião. Você clica e confere.
Quando você descobre algo novo, ou a base responde uma pergunta e você aprende com ela, isso volta pra dentro:
O ciclo fica assim: você consome, coloca na base, a IA organiza, você pergunta, encontra a fonte, aprende algo novo, coloca de volta. A base vai ficando melhor com o uso.
Eu não colocaria só livro. Processo, reunião, decisão, gravação de call, pesquisa, critério de qualidade. Aquela explicação que você já deu cinco vezes? Coloca. O processo que só você sabe executar? Coloca.
Conhecimento que mora na cabeça de uma pessoa some quando ela sai de férias, muda de área ou pede demissão. Numa base, ele fica: responde a pergunta, mostra de onde veio a resposta e continua disponível quando você não está.
Aqui é onde não adianta copiar a minha. A minha base está ligada nas minhas reuniões, nos meus números, nos meus clientes. Se você pegar a estrutura e não ligar nas suas fontes, você montou uma enciclopédia bonita que não serve pra decidir nada.
Então, antes de continuar enchendo a pasta, para e escreve a lista: onde está hoje o que a sua empresa sabe. Não o que ela deveria saber, o que ela sabe. Costuma estar em seis lugares, e quase sempre em ordem inversa de importância:
"Reuniões" não é fonte. "As gravações das reuniões de segunda, no Drive, desde março" é fonte.
Este prompt monta o mapa e diz por onde começar:
O item 4 é o que eu mais uso. A maioria das empresas só descobre o que não sabe quando dá problema, e essa pergunta antecipa isso em algumas semanas.
Uma trava antes de você sair alimentando: material de cliente, de reunião privada e de terceiro tem dono, e o dono não é a sua base. Fonte que você não pode citar depois não deveria entrar agora.
Escolhe uma fonte. Um livro, uma gravação, uma reunião. Coloca no Fontes brutas, cria a Wiki e pergunta.
Não tenta construir o segundo cérebro perfeito. Constrói a primeira pergunta que ele consegue responder.
antes de fechar
Sua base tá de pé e tá vazia. Ela só responde sobre o que você colocar dentro dela.
Você montou ela porque cansou de ser o único lugar onde as coisas ficam guardadas. Eu montei a minha pelo mesmo motivo.
As duas que eu deixo rodando aqui, escritas pra colar, e o prompt que escreve a terceira pra você.
A maioria das pessoas usa IA do jeito mais caro possível: abre, pede uma coisa e fica esperando a resposta. Cada trabalho começa com você lembrando de pedir.
Rotina inverte isso. Você não abre nada, o trabalho chega.
Ela agenda o próprio trabalho e roda com o seu computador fechado. Esta página tem o mínimo pra ligar, as duas rotinas que rodam aqui já escritas, e o prompt que escreve a sua terceira.
Eu insisto nesse último item porque eu já paguei por ele. Montei automação bonita, deixei rodando e não olhei. Três semanas depois eu descobri que uma delas estava falhando em silêncio desde o começo. Automação sem aviso não é autonomia, é ponto cego.
Ela não responde ninguém e não apaga nada. Ela lê e separa.
Começa por esta. Organizar não quebra nada, então é a de menor risco pra testar a mecânica inteira.
Essa não olha o que chegou, olha o que vem. Ela chega antes da segunda começar.
O item 4 é o que mais me serve.
Coisa que arrasta três semanas é decisão que eu não tomei, e falta de tempo é o nome bonito disso. A rotina me obriga a olhar isso toda semana em vez de uma vez por trimestre.
Aqui trava muita gente, porque a pessoa abre a caixa em branco e não sabe o que pedir. Então usa a ferramenta pra resolver o problema de usar a ferramenta: abre outra conversa e pede pra própria IA escrever a instrução.
Guarda a instrução que ela devolver num arquivo seu.
Rotina que você não consegue reeditar em seis meses vira caixa preta, e caixa preta você acaba desligando.
Nenhuma envia, apaga ou publica. Todas preparam e param. O botão de fechar é seu.
Todas avisam quando terminam. Sem aviso, você criou uma coisa que roda no vazio e que você vai esquecer que existe em duas semanas.
Todas rodam na nuvem. Rotina que depende do seu computador ligado é lembrete com um passo a mais.
Esse é o último degrau da Escada da Autonomia da IA.
Quando ela chega antes de você pedir, virou funcionário.
antes de fechar
A rotina resolve o que se repete. O que não se repete continua chegando na sua mesa, e é isso que ocupa a cabeça de dono.
Eu deixei uma automação falhando em silêncio por três semanas. O incômodo não foi o erro, foi perceber que eu tinha montado uma coisa e parado de olhar, exatamente o que eu cobro de quem trabalha comigo.
Como eu encaixo o time nos cinco papéis, o que fazer quando três caem no mesmo, e o exercício desconfortável de descobrir o seu.
A ideia dos cinco papéis não é minha. Ela apareceu numa fala pública de quem criou o Claude Code, sobre os cargos que a gente conhece, designer, engenheiro, gestor, derretendo em cinco funções novas. Eu peguei a ideia e virei folha, porque ideia sobre o futuro do trabalho não muda nada na sua segunda de manhã. Folha preenchida muda.
O que morreu primeiro não foi o cargo. Foi a relação entre diploma e função: o diploma parou de dizer o que a pessoa consegue entregar, e o que passou a dizer é como ela constrói com IA do lado.
Esta página tem três coisas: os cinco papéis com o sinal de reconhecimento de cada um, a folha pra você preencher com nome e sobrenome do seu time, e a leitura do resultado.
Não leia isso como descrição de vaga. Leia pensando em gente que você já tem.
Copia esta tabela e preenche com o nome de cada pessoa do time, você incluído. Uma pessoa por linha, um papel principal por pessoa. Sem empate, sem "ela é um pouco dos dois". O empate é justamente a informação que você está fugindo de olhar.
| Nome | Papel principal | Papel que ela ocupa hoje | A evidência (últimos 90 dias) | O que trava se ela sair |
|---|---|---|---|---|
A coluna da evidência é obrigatória. Se você não consegue escrever uma entrega concreta dos últimos 90 dias, você não encaixou a pessoa. Você chutou o que gostaria que ela fosse.
A terceira coluna é a que dói. Papel principal é o que a pessoa é boa. Papel que ela ocupa hoje é o que a sua operação obrigou ela a virar. Quando as duas colunas divergem, você achou uma pessoa que está entregando menos do que consegue, e não é culpa dela.
Você entra na folha. Última linha, mesmo critério, mesma evidência.
Se três caírem no mesmo papel. Achou o gargalo que você não estava entendendo. Time com três construtores e nenhum simplificador entrega muita coisa e limpa nenhuma, e daqui a seis meses ninguém sabe mais como as coisas funcionam. Time com três prototipadores decide tudo duas vezes.
Se faltar um papel inteiro. Antes de abrir vaga, pergunta se aquele papel é semanal ou eventual. Se for eventual, ele cabe numa tarde por mês de alguém que você já tem, e não numa contratação. Se for semanal e ninguém ocupa, é ali que a sua empresa está sangrando.
Se uma pessoa tiver quatro linhas na última coluna. Isso deixou de ser papel e virou ponto único de falha. Não se resolve com organograma, se resolve tirando conhecimento da cabeça dela e colocando em algum lugar que outra pessoa leia.
E a leitura mais desconfortável, que é sobre você. Eu era prototipador e passei anos me cobrando por não ser mantenedor. Ficava bravo comigo por não ter disciplina de manter a coisa rodando, quando o problema era que eu estava tentando ser o papel errado.
Descobre qual é o seu e fica muito bom nele. Um só. O resto você contrata ou entrega pra IA.
Se o time for grande, ou se você quiser um segundo olhar sobre o encaixe que você fez, copia isto:
Roda ele antes de abrir vaga.
Duas das últimas contratações que eu vi acontecerem por aí eram troca de responsabilidade entre duas pessoas que já estavam na folha de pagamento.
O problema hoje não é a IA tomar o cargo de ninguém. É a empresa que contratou o Einstein e botou o cara pra revisar carrossel. Eu chamo de Síndrome do Einstein Estagiário: você tem um gênio do lado e usa ele como estagiário, porque nunca definiu qual papel ele ocupa.
A folha resolve os dois de uma vez. Papel vazio no seu time é onde a IA entra sem tirar o lugar de ninguém, e papel ocupado por gente boa é onde ela não deveria encostar.
E máquina nenhuma ocupa cargo.
antes de fechar
A folha te mostra quem faz o quê. Ela não decide o que a empresa vai fazer no mês que vem.
Eu passei anos me cobrando por não ser um papel que eu nunca fui. Ninguém me disse. Não porque as pessoas não viam, mas porque quase ninguém tem intimidade pra dizer isso pro dono.
Os prompts que fazem a IA estudar o seu próprio histórico, achar o que já funcionou com você e simular o que ainda não foi publicado.
Pede análise de concorrente, pede tendência, pede o que está bombando no nicho. E aí produz conteúdo parecido com o de gente que tem outra audiência, outro histórico e outro rosto.
A pergunta que quase ninguém faz é a de dentro: o que já funcionou comigo?
Essa resposta existe, está publicada, e é sua. Ela só nunca foi lida junta. Esta página tem três prompts, nesta ordem: juntar o material, achar o padrão e simular antes de publicar. Dá pra rodar os três hoje, sem programar nada.
Eu já publiquei coisa que eu achava genial e morreu. E o custo não é o post. É a semana inteira de produção de uma equipe atrás de uma coisa que eu decidi sozinho, no escuro, porque eu gostei.
Uma semana de time atrás de uma pauta errada custa mais do que qualquer assinatura de IA que você vá pagar no ano. Foi essa conta que me fez parar de decidir pauta na conversa e começar a decidir contra o histórico.
A IA não consegue achar padrão no que ela não vê. Antes do prompt, o material precisa estar num lugar só.
O caminho manual, que serve pra começar hoje. Pega os seus vinte últimos posts e monta um arquivo de texto com uma entrada por post, neste formato:
Repete esse bloco pra cada post, num arquivo de texto só.
Vinte é o mínimo pra o padrão parar de ser coincidência. Se você tiver cem, melhor, e aí compensa automatizar a coleta: existem raspadores prontos que baixam e transcrevem perfil inteiro sem programação, e o mais usado é o Apify. Para começar, vinte na mão resolve, e leva uma tarde.
A coluna que quase todo mundo esquece é o gancho literal. Anota a frase exata que abre, palavra por palavra, e não o assunto do post. É a variável que mais explica diferença de desempenho, e é a que some quando você anota "post sobre precificação".
Com o arquivo pronto, copia isto:
Guarda o resultado num arquivo: ele vira a base do passo 3 e vale reescrever a cada trinta posts novos.
Aviso de expectativa: ela vai te mostrar que aquele conteúdo que você adora fazer é o que menos engaja. Ela não tem carinho pelo seu trabalho. É pra isso que ela serve.
Aqui o valor deixa de ser acertar mais e passa a ser matar antes o que ia sair ruim.
Leva cinco minutos e economiza uma semana.
Antes de mandar pra produção, roda contra o seu próprio histórico. Não pra pedir permissão, pra saber o que você está apostando.
A IA não vai te dar ideia melhor que a sua. Ela vai te dizer quais das suas já funcionaram.
Isso te diz o que funcionou. Não te diz o que você deveria estar defendendo.
Histórico é ótimo conselheiro e péssimo estrategista: seguido à risca, ele te faz repetir para sempre o assunto que já pegou, e conteúdo que só repete o que deu certo para de crescer em uns seis meses. O padrão decide o formato e o gancho. A tese continua sendo sua.
antes de fechar
Agora você sabe o que funcionou. Continua faltando saber o que você quer defender.
Eu produzo conteúdo há tempo suficiente pra saber que o pior post não é o que morre. É o que vai bem e não me representa, porque aí você repete ele por seis meses e vira outra pessoa sem perceber.
Os três caminhos detalhados: o que cada um pede, quem já sai na frente, e o primeiro passo de segunda de manhã.
Isso não é renda passiva e não é fácil. Dá trabalho, e nos três caminhos o trabalho aparece antes do dinheiro.
O que mudou não foi a dificuldade. Foi a barreira: hoje dá pra construir os três sem saber programar, com uma assinatura de IA que, em conta de padaria, sai por umas centenas de reais por mês. Conta de padaria é a estimativa grosseira, boa o suficiente pra decidir.
E vale dizer de onde eu falo: eu não fiz nenhum dos três sozinho. Eu construí empresa com time, aprendendo na marra, e é exatamente por isso que eu enxergo onde cada um desses caminhos quebra. Os três quebram no mesmo lugar, e eu mostro no fim.
Cada um pede uma coisa diferente de você. Lê os três antes de escolher: o terceiro é o que eu acho mais inteligente pra quem já tem empresa, e o segundo é o que paga mais rápido.
Os três funcionam. O que decide é qual deles combina com o que você já tem na mão hoje.
Funciona em qualquer IA de conversa.
O item F é o que quase ninguém escreve, e é o que teria me poupado uns dois anos. Data de morte definida antes do começo não é pessimismo. É a única coisa que te deixa apostar de verdade, porque você sabe onde para.
Repara o que os três têm em comum: nenhum deles é você trabalhando mais.
Os três são você montando um Funcionário do Mês, que é uma IA que ficou boa numa função e passou a carregar responsabilidade de verdade, enquanto você decide o que vem depois. E os três quebram no dia em que você vira o motoboy de contexto da sua própria operação, buscando informação de um lado, copiando e colando do outro, porque a IA nunca soube nada da sua empresa e depende de você pra saber.
Empresa de uma pessoa não é empresa pequena. É empresa em que o dono parou de ser o gargalo.
antes de fechar
Escolher o caminho é a decisão desta semana. Semana que vem tem outra.
Eu passei seis meses defendendo uma aposta que já tinha me respondido não. Não foi falta de informação. Foi não ter ninguém por perto com a mesma pele no jogo pra me dizer isso na cara.
A tabela que eu uso pra decidir, antes de montar, o que vira passo fixo e o que vira objetivo solto.
Antes de montar qualquer coisa com IA, eu faço uma pergunta só: essa tarefa precisa acontecer sempre na mesma ordem?
Se você consegue sentar e escrever passo um, passo dois, passo três, e quer que aconteça nessa ordem toda vez, você não precisa de agente. Você precisa de workflow.
Workflow é o passo fixo: você desenha o caminho e ele repete. Agente é o objetivo solto: você entrega a meta e as ferramentas, e ele acha o caminho, porque o passo seguinte depende do que aconteceu no anterior.
Agente é mais poderoso, sim. E é menos previsível no resultado final.
Quem promete agente que faz tudo e nunca erra está vendendo alguma coisa.
Eu montei um agente pra uma tarefa que eram três passos fixos, e passei duas semanas ajustando ele pra fazer o que uma lista de tarefa fazia. Virei gerente de caos da minha própria automação, dando ordem de sopetão e esperando organização do outro lado.
O erro não foi técnico. Eu escolhi agente porque agente era mais bonito de falar em reunião. A tabela abaixo existe pra essa escolha parar de passar pelo meu gosto.
Lê linha a linha pensando na tarefa que você quer montar. A coluna onde cair a maioria das respostas é a sua resposta.
| A pergunta | É workflow | É agente |
|---|---|---|
| Você consegue escrever os passos numa folha? | Sim, e eles são sempre os mesmos | Não, depende do que aparecer no caminho |
| A ordem muda de execução pra execução? | Nunca muda | Muda, e a mudança é o trabalho |
| O que entra é sempre do mesmo tipo? | Sim: mesma planilha, mesmo formato, mesma fonte | Não, entra qualquer coisa e ele decide o que fazer com aquilo |
| O que sai tem um formato certo? | Sim, e eu sei reconhecer quando saiu errado | Sai texto, análise ou decisão, e cada vez sai diferente |
| Quantas ferramentas ela precisa consultar? | Uma ou duas, sempre as mesmas | Várias, e ele escolhe quais na hora |
| Se rodar duas vezes com a mesma entrada, sai igual? | Tem que sair igual | Pode sair diferente, e tudo bem |
| Alguém revisa antes de usar o resultado? | Não precisa | Precisa, sempre |
| Quanto custa se ele errar sozinho? | Barato, dá pra rodar de novo | Caro, porque ele já agiu em cima do erro |
| Quantas vezes por mês isso acontece? | Muitas, e sempre igual | Poucas, e cada uma é um caso |
| Você treinaria uma pessoa nova lendo um roteiro? | Sim | Não, a pessoa precisaria de julgamento |
Como ler o resultado. Sete ou mais na coluna do meio: monta workflow e não discute. Sete ou mais na da direita: agente, e com revisão humana no fim. Empate no meio, que é o caso mais comum: quebra a tarefa em duas. A parte repetitiva vira workflow, e só o pedaço que exige julgamento vira agente.
Quase toda tarefa que parece pedir agente é um workflow com um miolo de decisão dentro.
Você não precisa rodar a tabela na mão pra cada tarefa. Copia isto com a sua lista dentro:
Funciona em qualquer IA de conversa.
O último bloco é o que eu mais uso. Ele existe pra segurar a vontade de automatizar a empresa inteira de uma vez, que é o jeito mais rápido de terminar o mês com seis coisas pela metade.
Se você consegue escrever a ordem, escreve a ordem. Só chama agente quando a ordem não existe.
A Escada da Autonomia da IA tem quatro degraus, e eles vêm nesta ordem:
Quem pula degrau não acelera, quem pula degrau volta pro começo, porque agente sem contexto real da sua empresa é um funcionário esperto que nunca foi apresentado a ninguém.
A IA não fica autônoma porque você deu liberdade. Ela fica autônoma quando você deu ordem suficiente pra ela não precisar de você.
antes de fechar
A tabela decide o que construir. Ela não decide o que a sua empresa deveria estar fazendo enquanto você constrói.
Eu montei essa régua depois de duas semanas ajustando um agente pra fazer o trabalho de uma lista de tarefa. O que me irritou não foi o tempo, foi ter escolhido o caminho difícil porque ele soava melhor na reunião.
As cinco linhas que eu escrevo antes de conectar qualquer ferramenta na IA, e o prompt que levanta os limites de uma que eu nunca usei.
Quase todo mundo que liga a IA no e-mail, na agenda ou no financeiro escreve a mesma coisa: o que ela deve fazer. Poucos escrevem a outra metade, que é o que ela nunca faz sozinha.
Enquanto você não diz até onde ela vai, a decisão de até onde ir fica com ela.
Você não deu liberdade, você deu a caneta. Esta página tem duas coisas prontas pra usar hoje: a lista que eu escrevo aqui dentro, e o prompt que eu rodo quando a ferramenta é nova e eu ainda não sei o que ela consegue quebrar.
Eu pedi pra ela organizar uma pasta de arquivos, e recebi exatamente isso: uma pasta organizada. O problema é que o que ela entendeu por organizar não era o que eu entendia, e eu passei a tarde procurando arquivo que eu mesmo tinha mandado mover.
Foi barato. Custou uma tarde. Só que o mecanismo do erro caro é o mesmo do erro barato: eu tinha dito o que fazer e não tinha dito o que não fazer. Da próxima vez o objeto podia ser um e-mail com um preço de tabela que eu já não pratico, indo pra um cliente antigo. Aí não tem desfazer, e você escolhe entre honrar o preço errado ou desdizer o que saiu com o seu nome.
A lista abaixo nasceu dessa tarde.
Cada uma vale pra qualquer ferramenta que eu conecte, e nenhuma delas depende de a IA ser boa ou ruim.
Repara o que essas cinco têm em comum: nenhuma proíbe a IA de trabalhar. Todas proíbem ela de fechar. É trabalho liberado com assinatura reservada.
Lista que fica no seu caderno não vale nada, porque a IA não lê o seu caderno. Ela precisa estar escrita onde a ferramenta enxerga. Copia este bloco pro começo do seu projeto, do seu assistente ou da sua conversa fixa:
Guarda esse texto num arquivo seu: você vai colar ele em toda ferramenta nova.
E uma nota de uso: as cinco de cima são as minhas. Se você tem uma operação com nota fiscal, contrato ou dado de paciente, você tem uma sexta e uma sétima, e elas são mais importantes que as minhas.
As cinco regras eu sei de cor porque e-mail eu uso todo dia e sei o que quebra. Quando chega uma ferramenta que eu nunca usei, o problema muda de lugar: eu não sei nem o que perguntar.
Então eu faço o contrário. Antes de conectar, eu peço pra própria IA me listar o que aquela ferramenta consegue fazer sem volta. Ela conhece aquele sistema melhor do que eu no primeiro dia.
Leva dois minutos e você faz uma vez por ferramenta, não toda vez.
O bloco 4 é o que impede a lista de virar burocracia: soltar o que é seguro é tão importante quanto travar o que não é.
Uma conta de padaria resolve, e conta de padaria é a estimativa grosseira, boa o suficiente pra decidir. A pergunta é uma só: se essa ação sair errada, dá pra desfazer até o fim do dia?
Se dá, solta. Se não dá, ela rascunha e você fecha.
Ela protege o que sai. Ela não melhora o que entra.
A IA vai continuar respondendo bem sobre o mundo e mal sobre a sua empresa, porque ela sabe do mercado e não sabe do seu número, do seu cliente e do que já deu errado aí dentro. Contexto ruim é resultado ruim, e limite também é contexto: você acabou de escrever a primeira metade.
Quanto do que a sua empresa sabe está escrito em algum lugar que a IA consegue ler, e quanto está só na sua cabeça?
antes de fechar
Agora você tem a lista. Ela protege a ferramenta. Ela não decide nada por você.
Eu escrevi a minha depois de passar uma tarde procurando arquivo que eu mesmo mandei mover. E o que me incomodou não foi a tarde perdida, foi perceber quanta coisa aqui dentro roda sem ninguém ter combinado nada.